Confira dicas e soluções para economia de água

Projeto hidráulico, especificação de materiais adequados e uso de tecnologias economizadoras auxiliam na redução do desperdício

Publicado em: 17/02/2020Atualizado em: 14/06/2021

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

aprenda a economizar água
O projeto para economia de água deve considerar fatores externos, como variação de umidade e temperatura (foto: VladKK/shutterstock)

O uso consciente da água é tema sempre relevante e conta com o auxílio de bons projetos e execução do sistema hidráulico das habitações. De acordo com o engenheiro Humberto Farina, diretor da IN Prediais, o planejamento adequado é o principal meio para garantir a conservação da água. “A redução do consumo vem da soma de uma instalação hidráulica de qualidade e da conscientização dos usuários”, destaca.

Prever equipamentos complementares é ação que também contribui contra desperdícios.  O engenheiro Marcos Maran, diretor da Maran – Gestão de Ativos Físicos, comenta que em condomínios residenciais, mesmo aqueles com piscina, o maior consumo acontece no interior dos imóveis. “Para que haja uma diminuição, o ideal é a medição individualizada. Nos empreendimentos com esse sistema, os gastos com água são sempre menores”, diz.

A redução do consumo vem da soma de uma instalação hidráulica de qualidade e da conscientização dos usuários
Humberto Farina

Existem estudos que indicam que, ao instalar o sistema de medição individualizada, ocorre rapidamente uma redução considerável no consumo, podendo passar de 15%. Porém, com o passar do tempo, os números podem variar até que seja atingida uma faixa aceitável e baseada na rotina e hábitos de cada morador. “É possível afirmar que a medição individualizada é uma premissa já consolidada”, avalia Farina.

Leia também: Como reduzir custos na gestão de facilities

DESENVOLVENDO O PROJETO

O bom projeto hidráulico começa na especificação dos materiais adequados. É recomendado sempre dar preferência às soluções comprovadamente fabricadas de acordo com as normas técnicas, exigindo laudos e certificados emitidos por entidades reconhecidas pelo mercado e que atestem o desempenho do produto. “Peças oferecidas por empresas acompanhadas pelos Programas Setoriais da Qualidade (PSQs) já trazem essa garantia”, destaca Farina.

Para que haja uma diminuição do consumo, o ideal é a medição individualizada. Nos empreendimentos com esse sistema, os gastos com água são sempre menores
Marcos Maran

Alternativas viáveis para esse tipo de projeto são as pré-fabricadas. Com instalação simples, elas passam por testes de estanqueidade ainda na fábrica, facilitando o controle e gestão da qualidade. “A aplicação desses produtos envolve menos etapas, reduzindo assim o risco de falhas”, comenta Farina.

O projetista deve ainda prever se as pressões serão adequadas aos aparelhos sanitários e demais equipamentos, levando em consideração suas características hidráulicas e o uso. Quando o usuário fica responsável por regular as vazões, tende a definir o nível que proporcione maior conforto para as atividades de seu dia a dia. No entanto, se o equipamento não proporciona boa vazão, poderá ocorrer desperdício.

O projeto também tem que levar em consideração fatores externos. Entre os riscos estão variações de umidade e temperatura, ou então, impactos físicos. Há ainda efeitos que acontecem dentro dos canos, como dilação de tubulações, expansão da água, sobrepressões, entre outros. Prever todos esses fenômenos é fundamental para melhorar o desempenho e vida útil da instalação.

TECNOLOGIAS ECONOMIZADORAS

O mercado disponibiliza diferentes tecnologias economizadoras de água, que vão desde torneiras até bacias sanitárias que realizam o controle de vazão. Entretanto, o consumidor ainda não se acostumou com todos os materiais. Enquanto as bacias sanitárias desse tipo já estão muito presentes em inúmeros imóveis, graças à facilidade de uso e baixo custo de manutenção, o mesmo não acontece com as torneiras.

“Torneiras economizadoras costumam ser mais caras e exigem regulagens periódicas, aumentando os gastos com manutenção. No ambiente residencial, isso acaba sendo visto como uma dificuldade extra. Também fica difícil justificar o maior investimento nos equipamentos pelo seu baixo uso (em comparação com ambientes comercial/industrial), o que leva a um retorno financeiro demorado, quando acontece”, analisa Maran.

Tecnologia que também interfere no nível de consumo é o sistema de aquecimento. Ao ligar o chuveiro, o usuário costuma desperdiçar o volume inicial por ainda estar gelado. Isso acontece quando o aquecimento é realizado por sistema de passagem e não há isolamento térmico nas tubulações. “Para diminuir as perdas, pode-se lavar a louça toda de uma vez ou combinar os banhos da família em sequência. No entanto, essas alterações nem sempre são desejadas”, diz Maran.

Outra opção é a instalação de aquecedores por acumulação, que garantem que a água chegue ao ponto de consumo com temperatura mais alta. Porém, essa solução pode gerar maior consumo energético. “Esse tema deve ter uma visão sistêmica, levando em conta o partido arquitetônico, as tecnologias disponíveis para aquecimento e o grau de automação dos sistemas”, enumera Farina.

SOLUÇÕES DE REÚSO

De acordo com Farina, com a gestão da demanda devidamente resolvida, há a possibilidade de avaliar fontes alternativas. “O aproveitamento de água de chuva é um dos recursos, mas a aplicação deve ser estudada antes de ser incorporada”, destaca. Ele indica que, muitas vezes, os custos de implantação e operação não compensam os benefícios do sistema. “Lembrando que obter água de outra fonte pode não refletir em mudanças nos hábitos dos usuários, daí a importância da gestão da demanda ser explorada antes”, completa.

A produção local, contudo, pede que o gestor do empreendimento se responsabilize pela qualidade da água e, consequentemente, pela saúde dos usuários. Para Maran, essa situação pode se tornar um problema. “Esses sistemas são complexos para o gestor, seja ele síndico profissional ou não, pois contam com vários instrumentos e uma automação que não é comum no dia a dia do edifício”, diz.

Muitos municípios estão impondo aos construtores a presença de sistemas de aproveitamento de água de chuva em seus empreendimentos. Porém, é importante que o condomínio tenha condições de gerenciar essa solução, adotando procedimentos de controle de qualidade da água e gestão das instalações.

MANUTENÇÕES

A manutenção é um dos pilares essenciais do sistema hidráulico, influenciando diretamente na duração de interrupções causadas por falhas e, consequentemente, no desperdício de água. “São pontos importantíssimos: a aplicação correta de válvulas para fechamento de partes do sistema, permitindo a substituição de equipamentos; facilidade de inspeção das tubulações; e a existência de espaço adequado (com ergonomia) para serviços de reparos e troca de componentes (acessórios, válvulas, aparelhos sanitários e equipamentos)”, conclui Farina.

E mais: Reúso da água é tendência em edifícios e na construção civil 

Colaboração técnica

Engenheiro Civil Humberto Farina
Humberto Farina - Possui graduação e mestrado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, onde se especializou em Qualidade e Gestão de Projetos, pela subárea de Sistemas Prediais. Diretor da IN Prediais, que atua em projetos, consultoria e inovações tecnológicas nas áreas de Engenharia de Sistemas Prediais, implantação e no desenvolvimento de Projetos e BIM - Building Information Modeling (Modelagem da Informação da Construção) e Infraestrutura. Participou do GT de Objetos BIM do Comitê ABNT CEE/134 e foi consultor técnico no Comitê Estratégico de Implementação do BIM no governo federal para a construção da Estratégica Nacional para disseminação do BIM no Brasil. Atualmente, é professor convidado de cursos de extensão e educação continuada da Escola Politécnica (USP).
Engenheiro industrial eletricista Marcos Maran
Marcos Maran - Engenheiro Industrial Eletricista formado pela Universidade São Judas Tadeu (USJT). É Mestre em Ciências – Engenharia de Construção Civil e Urbana – pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Tem MBA em Gerenciamento de Facilidades pela Escola Politécnica da USP e pós-graduação em Gerenciamento de Manutenção pela Faculdade de Engenharia Industrial (FEI). É associado-fundador da Associação Brasileira de Facilities (Abrafac), entidade que já presidiu — no período de 2012 a 2015 — e onde atualmente é conselheiro. Diretor da empresa Maran Gestão de Ativos Físicos, foi gerente do Departamento de Manutenção, Operação de Utilidades e Obras do CENESP – Centro Empresarial de São Paulo até 2016. Reconhecido pela Revista Infra como um dos 100 mais destacados profissionais de Facility Management no Brasil.