Conforto ambiental: abordagem integrada é chave de sucesso

Acústica, desempenho térmico e luminotécnica são disciplinas que caminham juntas e têm estreita relação com a eficiência e a sustentabilidade

Publicado em: 07/01/2022

Texto: Juliana Nakamura

Escola Pueri Domus
A Escola Pueri Domus é um exemplo de como os requisitos relacionados ao conforto ambiental precisam ser trabalhados em conjunto (Foto: Rafaela Netto)

Uma boa arquitetura é aquela que consegue equilibrar a linguagem desejada e os aspectos técnicos relacionados ao conforto dos usuários, como controle da insolação, de ruídos e ventilação. O problema é que, muitas vezes, questões térmicas, lumínicas e acústicas são conflitantes, exigindo soluções integradas. Aberturas ótimas para prover ventilação natural, por exemplo, comprometem o desempenho acústico nos ambientes. Já o uso de fachadas translúcidas, que ajudam no aproveitamento de luz solar, podem estar associadas ao aumento de carga térmica e, consequentemente, à perda de eficiência energética.

Por isso, análises e simulações computacionais são aliadas tão importantes na hora de definir e dimensionar ações visando o conforto dos usuários e o melhor funcionamento do edifício. “Com simulações, conseguimos prever o desempenho de uma edificação de maneira precisa antes mesmo da sua construção. Dessa forma, é possível quantificar benefícios e prejuízos de cada estratégia proposta antes de sua aplicação prática, facilitando e embasando o processo de tomada de decisão”, comenta Larissa Luiz, sócia e consultora do escritório Ca2.

CASE PUERI DOMUS

Com simulações, conseguimos prever o desempenho de uma edificação de maneira precisa antes mesmo da sua construção
Larissa Luiz

A unidade Perdizes da Escola Pueri Domus, em São Paulo, inaugurada no final de 2020, mostra como os requisitos relacionados ao conforto ambiental precisam ser trabalhados em conjunto. Com mais de dez mil metros quadrados de área construída, o projeto do Perkins&Will foi implantado em uma movimentada esquina, em um terreno bastante exposto a ruídos, com uma orientação desafiadora.

“Mais da metade do prédio, que possui muitas faces envidraçadas, está voltado para o lado oeste. Há, também, uma parte voltada para o noroeste”, conta Raquel Sanches, sócia e diretora de projetos na Ca2, empresa que prestou consultoria para este projeto. Ela explica que, além de controlar a carga térmica, era preciso dar uma atenção especial para a acústica, garantindo isolamento adequado às salas de aulas. Ao mesmo tempo, era preciso levar luz natural difusa e pouca luz direta para evitar ofuscamentos.

Escola Pueri Domus
O projeto demandou atenção especial para a acústica (Foto: Rafaela Netto)

As soluções desenvolvidas em conjunto com a arquitetura se basearam em estudos e simulações computacionais para dimensionar elementos sombreadores das fachadas, equalizar a radiação direta na fachada e garantir o maior nível possível de transmitância luminosa para o aproveitamento da luz natural.

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ACÚSTICA CRÍTICA

A qualidade acústica tão crítica em um ambiente educacional exigiu estratégias variadas para garantir condições de condicionamento e inteligibilidade para os diversos espaços. Entre elas, a inserção de soluções acústicas, como baffles e nuvens brancas, compostas por lã de vidro de alta densidade, da marca Ecophon.

Para a acústica não faz diferença a cor do revestimento, mas para iluminação, sim
Andrea Destefani

“Eram premissas do projeto de arquitetura deixar a laje e as instalações aparentes, bem como criar vários ambientes multiúso e abertos. Nesse contexto, produtos como baffles e nuvens permitiram melhorar o conforto acústico nos espaços mais críticos, respeitando essa diretriz da arquitetura”, diz Andrea Destefani, sócia e gestora da área de acústica na Ca2. Como complemento, também foram utilizadas soluções como revestimentos estofados, divisórias em drywall com lã mineral e contrapiso flutuante.

Destefani conta que, embora as nuvens e os baffles tenham sido especificadas por suas propriedades acústicas, elas também contribuem para a luminotécnica. “Para a acústica não faz diferença a cor do revestimento, mas para iluminação, sim. Por isso, o fato de esses elementos usados serem inteiramente brancos colabora para o aproveitamento da luz natural”, complementa.

Escola Pueri Domus
Produtos como baffles e nuvens permitiram melhorar o conforto acústico (Foto: Rafaela Netto)

Se interessou pelo tema? O Portfólio de Acústica & Design da Saint-Gobain promoveu o webinar “Conforto ambiental acústico, térmico, luminotécnica e sustentabilidade” com a participação das arquitetas do Ca2 e a apresentação de vários cases de sucesso. Clique aqui e assista o conteúdo na íntegra.

Colaboração técnica

 
Raquel Sanches — Mestre em arquitetura e urbanismo, especialista em arquitetura bioclimática e em conforto ambiental e eficiência energética. É sócia e diretora de projetos na Ca2.
 
Andrea Destefani — Sócia e gestora da área de acústica na Ca2, é arquiteta e urbanista, mestre em acústica de edificações pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT).
 
Larissa Azevedo Luiz — Arquiteta e urbanista, pesquisadora no Laboratório de Conforto Ambiental e Eficiência Energética da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e mestranda em tecnologia da arquitetura. É sócia e consultora nas áreas de conforto acústico e lumínico na Ca2.