Conheça 5 boas práticas para otimizar a logística na obra

Modelagem da informação e metodologias de gestão como lean construction podem conferir mais eficiência ao estudo das movimentações no canteiro

Publicado em: 25/04/2022

Texto: Juliana Nakamura

funcionários de um canteiro de obras se unem para fazer um sinal positivo com a mão, o jóia
Planejamento focado em maximizar a produtividade e reduzir ineficiências é fundamental para obter obras mais seguras e econômicas (Foto: BigPixel Photo/Shutterstock)

 A elevação do custo de construção que corrói as margens de construtores e incorporadores tornou ainda mais urgente a busca por redução de desperdícios. Em paralelo, há a valorização das questões relacionadas à sustentabilidade, impondo a necessidade de controlar com mais rigor as perdas de materiais e recursos como água e energia nas áreas de produção.

A logística, que foi sempre uma disciplina fundamental para o bom funcionamento das atividades nos canteiros, adquiriu um status ainda mais importante nesse contexto. Afinal, um sólido planejamento focado em maximizar a produtividade e em reduzir ineficiências é fundamental para obter obras mais seguras e econômicas. Confira a seguir algumas boas práticas relacionadas à logística nos canteiros:

1) Invista em planejamento

O layout do canteiro de obras deve ser planejado com dois objetivos principais: obter a melhor utilização possível do espaço físico e permitir fluxos de pessoas, materiais e equipamentos com eficiência. “A logística é um dos fatores determinantes para contribuir com o prazo da obra. Por isso, pensamos em cada detalhe antes do início das atividades”, diz Amanda Carla Martins Montouto, gerente técnica da MBigucci. Ela cita alguns pontos críticos que merecem atenção. Entre eles, a posição da mini grua e da cremalheira, a distância do canteiro e do almoxarifado até a cremalheira, o local de armazenamento de cada tipo de material e a avaliação do uso de miniescavadeira para fazer tipo a função de empilhadeira.

Rodrigo Giacomazzi, coordenador de engenharia da Bidese Construtora, destaca também ser fundamental a elaboração de estudos de impactos na vizinhança, de tráfego na região e de cronologia dos fornecedores até o local de aplicação da obra.

2) Considere os impactos do sistema construtivo

Há uma série de fatores técnicos e financeiros a serem considerados na definição de um sistema construtivo, sobretudo para vedação e estrutura. “Mas um aspecto que não pode ser ignorado é a logística, especialmente porque em incorporações residenciais em zonas urbanas é comum haver canteiros com áreas restritas”, diz Giacomazzi, lembrando que faz muita diferença para o dimensionamento das áreas de armazenagem e de máquinas e equipamentos se a obra utiliza concreto moldado in loco ou pré-fabricado, se usa alvenaria ou drywall, por exemplo.

3) Planeje o canteiro para ser um local de produção sustentável

O planejamento do canteiro pode contribuir para a estratégia de sustentabilidade da construtora. Primeiro porque ajuda a reduzir o desperdício de materiais. Depois porque pode prever soluções como reaproveitamento de água, placas de energia solar para aquecimento de água, acionamento automático dos chuveiros e válvulas dos mictórios, entre outras.

4) Adote metologias de gestão avançadas modernas

Quando bem aplicada, a filosofia lean construction (construção enxuta) pode adicionar ainda mais eficiência ao planejamento do canteiro. “Conseguimos treinar e engajar as lideranças de obra para aplicar boas práticas no canteiro. Entre elas, ter o espaço limpo e organizado, reduzir ao máximo os estoques, minimizar deslocamentos, eliminar tempos de espera e promover auditorias de qualidade para melhorar o processo construtivo e minimizar impactos no meio-ambiente”, explica Giacomazzi, da Bidese.

“Com o lean, investimos mais tempo pensando na logística e também envolvemos todos da equipe nesta discussão. O resultado tem sido muito positivo, com ganhos de prazo e menos retrabalhos”, afirma Amanda Montouto.

A engenheira cita um exemplo de como o pensamento enxuto pode se aplicar na prática. “Antes recebíamos os blocos de vedação em paletes que não cabiam na cremalheira. Isso nos obrigava a convertê-los em paletes menores para subir aos andares. Agora, temos uma cremalheira maior e compramos uma paleteira hidráulica para auxiliar a subida deste material. A ideia é distribuir a maior quantidade de blocos possível, antes da marcação e dentro da capacidade da laje”, explica Montouto. Ela conta que a MBigucci utiliza, sempre que viável, a logística reversa com empresas de blocos. O mesmo caminhão que faz a entrega, retira as bags de resíduos estrategicamente colocadas em local de fácil acesso ao caminhão.

5) Aproveite o BIM para planejar o canteiro

A modelagem da informação da construção (BIM) pode incorporar aspectos relacionados a macrofluxo e logística. O modelo permite prever as melhores áreas de armazenamento de materiais, os acessos ao canteiro e a localização ideal de gruas, cremalheiras, antecipando eventuais interferências. “Utilizamos o modelo para obter o melhor posicionamento de instalações provisórias, áreas de vivência, locais de armazenagem, planos de içamento, identificar interferências executivas e definir as melhores situações para armazenamento e acessibilidade”, diz Rodrigo Giacomazzi.

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Colaboração técnica

amanda carla martins montouto
Amanda Carla Martins Montouto – Gerente técnica da MBigucci, é engenheira civil mestre em tecnologia da construção civil pelo IPT. Também é coordenadora da implantação do Lean Construction na MBigucci.
Rodrigo Giacomazzi
Rodrigo Giacomazzi – Engenheiro civil pós-graduado em gestão de projeto. É coordenador de engenharia da Bidese Construtora.