Conheça 5 manifestações patológicas nas construções

De problemas estéticos a falhas graves, as situações pedem atenção dos ocupantes da edificação e podem demandar o auxílio de profissionais especializados

Publicado em: 06/07/2021

Texto: Vinícius Veloso

manifestações patológicas nas construções
As trincas e as fissuras estão entre os problemas mais comuns (Foto: FotoDuets/Shutterstock)

Assim como acontece no corpo humano, as edificações emitem sinais quando algo não vai bem. Ou seja: qualquer patologia deve ser levada à sério para que não evolua para situações críticas.

Nesse post, conheça 5 manifestações patológicas nas construções e saiba como tratá-las, caso alguma delas apareça na sua casa.

1. Fissuras e trincas

As fissuras e as trincas se diferenciam entre si por seus tamanhos: enquanto as fissuras têm aberturas de até 0,5 mm, as trincas apresentam entre 0,5 mm e 1 mm. Medidas maiores do que essas são consideradas rachaduras ou fendas, de acordo com a ABNT NBR 9.575 — Impermeabilização — Seleção e projeto.

Ambas podem ser causadas por situações inerentes da própria construção (recalque da fundação, sobrecargas e falhas na execução das estruturas) ou por elementos externos (trepidações do solo motivadas por uma obra na vizinhança).

A patologia demanda a presença de um engenheiro especializado para analisar a situação. Ele será o responsável por elaborar uma solução que seja efetiva – e não paliativa. Com a fonte do problema solucionada, as trincas e as fissuras podem ser tratadas com selantes flexíveis, que absorvem as tensões. Porém, em cenários mais graves, pode ser necessária a aplicação de selantes e impermeabilizantes nas aberturas de maiores dimensões.

2. Infiltrações

Uma das manifestações patológicas que mais causam dores de cabeça nos ocupantes de uma edificação, a infiltração se manifesta de diferentes maneiras: desde manchas úmidas no teto e nas paredes, até o surgimento de mofo e bolor, que podem resultar em problemas de saúde. O excesso de água e umidade, quando não recebe a devida atenção e cuidados, também tem potencial de danificar as instalações elétricas e as estruturas do empreendimento.

Geralmente, a situação é causada pela impermeabilização inadequada, por rachaduras nas paredes (que permitem a entrada da água de chuva) ou por vazamentos no sistema hidráulico. Por isso, não basta apenas tratar as manchas com a troca do revestimento — deve-se investigar a “raiz” do problema para solucioná-lo de uma vez. Outra recomendação é a execução correta da impermeabilização durante a obra, principalmente, nas áreas molhadas.

3. Carbonatação

A carbonatação acontece por conta de reações químicas entre o gás carbônico (CO2) e alguns dos elementos da hidratação do cimento. O fenômeno causa a redução do pH do concreto e, consequentemente, facilita a corrosão de armaduras presentes no interior das estruturas. Normalmente, a patologia se manifesta pela presença de manchas brancas na superfície e pode evoluir para o desplacamento do concreto e a exposição da armadura metálica.

A patologia deve ser rapidamente tratada, caso contrário, há o risco de comprometimento das estruturas e até o colapso da edificação. O projetista estrutural é o profissional capacitado para indicar a maneira mais adequada de recuperar a peça afetada pela carbonatação. A melhor maneira de lidar com o problema é evitá-lo por meio da elaboração de um bom projeto, além de sua execução utilizando os materiais adequados para cada ambiente.

4. Descolamento de revestimentos

O descolamento de pisos, azulejos, ladrilhos ou qualquer outro tipo de revestimento é sinal de que há perda de aderência entre as peças de acabamento e o substrato. A situação pode ter diferentes causas, como: falhas no assentamento, movimentação excessiva do edifício, erro na especificação da argamassa, emboço com baixa resistência superficial, uso de rejunte rígido, posicionamento inadequado das peças, falta de juntas de movimentação etc.

Quando a patologia ocorre, deve-se remover o revestimento para execução de um novo acabamento. No procedimento, a base precisa ser devidamente preparada com os devidos tratamentos e a aplicação do chapisco. Já a argamassa deve ser especificada levando em consideração as características do ambiente – seu uso deve seguir todas as recomendações do fabricante, principalmente, o tempo que a embalagem permanece aberta.

5. Desbotamentos

O desbotamento de tintas é muito comum quando o produto inadequado é aplicado sobre a superfície. Exemplo bastante recorrente é o uso de materiais indicados para ambientes internos em áreas externas. Quando isso acontece, a luz do sol descolore os pigmentos da tinta e prejudica o visual do acabamento.

A resolução passa pela realização de uma nova pintura, escolhendo o tipo de tinta ideal para cada situação.