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Torre residencial se destaca por altura e ineditismo no interior paulista

Obra precisou superar uma série de desafios construtivos, da complexidade do projeto de grandes dimensões à escassez de mão de obra

Publicado em: 12/09/2023Atualizado em: 11/10/2023

Texto: Juliana Nakamura

foto de uma pessoa segurando uma espátula e uma tabua com argamassa líquida em cima
(Foto: Construtora Planeta)

Com mais de 140 m de altura e 45 pavimentos, o Ícone Planeta é uma torre duplamente emblemática. O empreendimento foi concebido para se tornar um marco na paisagem de Sorocaba, com cerca de 740 mil habitantes a 100 km da capital paulista. O Ícone também tem um significado especial para a construtora Planeta, que queria entregar um projeto ambicioso para a cidade no ano em que comemora seu 25º aniversário.

Em fase final de conclusão, o residencial tem arquitetura de linhas contemporâneas desenvolvida pelos arquitetos do escritório Königsberger Vannucchi (KV), responsável pela concepção de outros arranha-céus, como o Platina 220, em São Paulo, com 50 pavimentos. Os projetos de estruturas e de fundações têm a assinatura dos escritórios França & Associados e Consultrix, ambos com bastante expertise no desenvolvimento de projetos complexos.

foto de uma pessoa segurando uma espátula e uma tabua com argamassa líquida em cima
(Foto: Construtora Planeta)

Fundações de grandes dimensões

Na obra sorocabana, fundações e estrutura foram etapas especialmente complexas. Com 611 m² de área, o radier principal que apoia todo o core da torre exigiu a superação de uma série de desafios. A começar pelo cronograma apertado e pela dificuldade de ter uma usina de concreto local capaz de atender aos volumes necessários.

Outra dificuldade foi executar a concretagem do radier em janeiro, em pleno verão, quando as temperaturas chegam facilmente a 40ºC. O desempenho do elemento dependia do respeito aos 11ºC de temperatura-limite durante o lançamento. Isso levou ao uso de técnicas de resfriamento do concreto, com adição de gelo na usina e na obra.

A concretagem também demandou planejamento minucioso, com os serviços sendo executados somente após as 17 horas. O horário exigiu comunicação prévia à vizinhança, bem como a interdição das ruas no entorno junto ao órgão de trânsito.

A concretagem do radier aconteceu em duas etapas. A primeira envolveu 700 m³ de concreto. Durante a segunda etapa, foram lançados cerca de 1 mil m³ de concreto e utilizados 450 m³ de água no processo de cura de 7 dias. “Em cada um desses eventos, tínhamos cerca de 200 pessoas acompanhando os trabalhos, incluindo técnicos e consultores de controle tecnológico”, revela a engenheira Kátia Barazal, da Construtora Planeta.

Pilares-parede

Diferentemente dos empreendimentos convencionais, a construção de edifícios altos requer ações especiais, tanto em projeto, quanto em obra. Em uma cidade como Sorocaba, conhecida pela alta incidência de ventos e não habituada a construções deste porte, a complexidade foi ainda maior.

foto de uma pessoa segurando uma espátula e uma tabua com argamassa líquida em cima
(Foto: Construtora Planeta)

A ação do vento exerceu grande influência da concepção da estrutura. Muito exposta a rajadas intensas e em várias direções, a torre teve seu projeto submetido à análise em túnel de vento realizada por uma empresa canadense. O estudo foi determinante, tanto para o dimensionamento da estrutura, quanto para a especificação das esquadrias.

A estrutura do Ícone Planeta conta com lajes protendidas planas e pilares que atuam quase como paredes de concreto. Para a execução, foram utilizadas formas e escoramento metálico, solução técnica comum em grandes cidades, mas ainda pouco usual no interior de São Paulo.

“Neste projeto, o core com três pilares-parede de grande porte possui a função de estabilizar a estrutura da edificação”, explica o engenheiro Jorge Satoro, do escritório França & Associados. Em função das elevadas cargas incidentes, esses pilares-parede foram projetados com armaduras robustas. “Devido à elevada quantidade de gaiolas de armaduras, os estribos suplementares foram substituídos pelo estribo tipo pente, permitindo aumentar a produtividade na montagem”, conta Satoro.

Mecanização e controle

A necessidade de atender o cronograma pré-estabelecido foi algo crítico na obra do Ícone Planeta. A execução da estrutura, por exemplo, ocorreu em plena pandemia, período marcado na construção civil por falta de mão de obra e falhas no abastecimento de suprimentos.

Um indutor de produtividade e segurança no canteiro foi a mecanização que se apoiou, principalmente, em uma grua que chegou a 170 m de altura. A montagem deste equipamento exigiu autorização especial da aeronáutica. Para a movimentação dos materiais e trabalhadores, também foram utilizados dois elevadores cremalheiras de alto desempenho.

Segundo Barazal, também contribuíram para o sucesso da obra o uso de metodologias como o lean construction e de tecnologias digitais. A modelagem da informação da construção (BIM), por exemplo, adicionou mais assertividade para os projetos. No canteiro, o fato de a construtora ter processos automatizados consolidados também ajudou a superar os desafios impostos. Destaque para as fichas de verificação de serviços (FVSs) digitalizadas e para o uso de aplicativo para auxiliar o acompanhamento da execução das obras e gerar relatórios para controle de indicadores de desempenho.

Além da produtividade, a segurança no trabalho é outro aspecto crítico em obras de edifícios altos. Especialmente serviços como desforma, armação e execução de fachada preocupavam os engenheiros. “Em algumas ocasiões, os ventos intensos obrigavam a paralisação dos balancins”, conta a engenheira Kátia Barazal. Ela reforça que a implantação de controles rigorosos e a adoção do que há de mais seguro em plataformas de trabalho foram fundamentais para garantir que a obra terminasse sem qualquer acidente.