Conheça os principais erros na especificação e uso do cimento

Do projeto à execução, é preciso observar as normas técnicas do concreto em relação aos elementos que o constituem, com atenção especial ao cimento

Publicado em: 11/11/2022Atualizado em: 20/04/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

foto de uma pessoa segurando uma espátula e uma tabua com argamassa líquida em cima
(Foto:Shutterstock)

A especificação correta do cimento interfere diretamente no bom desempenho do concreto. De acordo com o geólogo Arnaldo Forti Battagin, diretor de Tecnologia e dos Laboratórios da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), a vida útil de uma estrutura em concreto é o tempo em que ela conserva suas características durante o uso da edificação, sem inconvenientes ou adversidades significativas.

“E para alcançar uma vida útil prolongada são necessários cuidados com os materiais constituintes do concreto e um projeto e fase executiva adequados”, ensina Battagin, apontando para a observância aos requisitos das normas da ABNT NBR 6118 (Projeto de Estruturas de Concreto) e ABNT NBR 14931 (Execução de Estruturas de Concreto), respectivamente. Essa atenção é fundamental, já que são normas consideradas “mães”, bastante amadurecidas e detalhadas que tornam possível evitar a maioria das manifestações patológicas.

A falha do projeto ou execução pode levar a patologias não ligadas diretamente ao cimento como sobrecargas, impactos, abrasão, movimentação térmica, concentração de armaduras, retração hidráulica e térmica, exposição a ambientes marinhos, ação da água, excesso de vibração, falhas de concretagem, falta de proteção superficial, entre outras.

“Mas é necessário esclarecer que a qualidade e o uso apropriado do tipo de cimento são também fatores que contribuem para evitar manifestações patológicas nas edificações”, salienta. Entre os problemas que a especificação e/ou uso incorreto do cimento podem causar, ele destaca: corrosão de armaduras, desplacamento em pisos, eflorescências, esfarelamento do concreto e trincas ou fissuras decorrentes, por exemplo, de reação álcali agregado e ataque por sulfatos.

Erros na especificação e uso

Entre os erros mais comuns está a escolha de um cimento não normalizado, isto é, que não atenda à norma ABNT NBR 16697 - Especificação de Cimento Portland. “A principal consequência é a baixa resistência do concreto”, aponta Battagin.

O especialista elenca, a seguir, por tipo de cimento, os principais erros e patologias:

- CPV – A falta de cuidado na cura, especialmente em ambientes expostos a alta temperatura, ventos e baixa umidade, pode gerar fissuração generalizada por retração. Também não se deve usar em concreto massa, sem adoção de medidas de resfriamento do concreto. A patologia será a fissuração de origem térmica.

- CPIII – Ao usar em caldas de injeção em concretos protendidos resultará na corrosão das armaduras, com risco à segurança estrutural. Outro erro é usar esse tipo de cimento em argamassas de revestimento. A consequência será o manchamento do revestimento.

- Todos os tipos de cimento com alto teor de álcalis – Para evitar o aparecimento da reação álcali agregado quando o agregado for reativo, devem ser seguidas as recomendações da NBR 15577-1. Caso contrário, haverá fissuras e trincas, com perda do módulo de elasticidade do concreto.

- CPIII e CPIV – O erro é especificar em situação em que se exijam desformas rápidas, sem uso de curas térmicas, como nos concreto pré-moldados. O impacto na edificação será a fissuração por não atingimento da resistência. Outro erro com esses tipos de cimento é seu uso em temperaturas baixas nos casos em que se exijam altas resistências iniciais. Se não houver compensações nas dosagens, ocorrerá fissuração por atingimento da resistência.

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Colaboração técnica

Arnaldo Forti Battagin – Geólogo formado pelo Instituto de Geociências da USP (1974) e gerente de Tecnologia da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). Especialista nas áreas de tecnologia de cimento e concreto, durabilidade e sustentabilidade do concreto, técnicas experimentais e gestão da qualidade. Representante da ABCP em comissões de estudos de normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Autor de mais de 100 trabalhos técnico-científicos publicados em revistas nacionais e internacionais e anais de congressos. Autor de capítulos de vários livros sobre tecnologia do concreto. Recebeu prêmios de reconhecimento pela Associação Brasileira de Cerâmica, Associação Brasileira de Cimento Portland, Federação Interamericana de Cimento, FICEM e Instituto Brasileiro do Concreto. Membro do Conselho Diretor do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon) e do Conselho Deliberativo da ABNT.