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Conheça os tipos de lajes pré-moldadas para cada situação de obra

Quando usar laje pré-moldada do tipo vigota e tavela, pré-fabricadas tipo PI ou alveolares protendidas? Veja características, produtividade e aplicação

Publicado em: 05/06/2023Atualizado em: 22/02/2024

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Estrutura de uma laje pré-moldada

A laje pré-fabricada em concreto armado ou protendido tem usos diversos, desde pequenas residências até obras industriais complexas, sujeitas a cargas elevadas. Para cada utilização, há um modelo de laje mais adequado. Saiba como especificar!

Laje pré-moldada tipo vigota e tavela

Para residências de menor porte, o engenheiro Luis Otávio Baggio Livi, diretor de Pré-Moldados da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (Abece), indica as lajes pré-moldadas do tipo vigota e tavela. Ou, ainda, os painéis de lajes treliçadas, pois normalmente se trata de vãos variando de 3 a 6 m.

“Nessa tipologia de obra, normalmente não se dispõe de equipamentos de elevação, como guindastes ou gruas para o içamento das peças pré-fabricadas. Porém, como elas têm pouco peso unitário, o seu transporte pode ser feito manualmente”, diz.

Essas lajes podem ser apoiadas em vigas ou cintas de concreto e recebem, posteriormente, um capeamento dotado de tela soldada para a finalização da execução. Permitem furações de ralos e caixas de passagem com determinado critério, mas se adequam perfeitamente a obras residenciais ou até edificações de pequeno porte destinadas à habitação ou ao uso corporativo.

Laje pré-moldada tipo PI e alveolar

Obras de maior porte, com maiores vãos e/ou carga admissível, são atendidas pelas lajes pré-fabricadas tipo PI ou alveolares protendidas que, inclusive, são as mais utilizadas. “Embora ambas as tipologias tenham sua utilização recomendada para as mesmas tipologias de obra, guardam diferenças importantes na prática”, aponta.

As lajes PI, com largura normalmente entre 2,4 e 2,5 m, cobrem uma área maior de piso por peça, o que pode ser vantajoso devido à redução de operações de içamento e logística de transporte, se comparadas às lajes alveolares. “Permitem furações quase que indiscriminadamente na região das mesas (abas da laje), mas não permitem, sob nenhuma hipótese, a interrupção das nervuras que a compõem”, alerta Livi.

As lajes alveolares, por sua vez, são produzidas em larguras usuais de 1,2 ou 1,25 m, possibilitando aberturas que podem chegar a até 60 cm de largura pelo comprimento total da laje. Possuem peso unitário inferior, permitindo que a operação de montagem seja feita com equipamentos menos robustos, em comparação à laje tipo PI.

“Ambas as lajes necessitam da concretagem de uma capa estrutural dotada de tela soldada para a finalização da estrutura. Normalmente, as lajes tipo PI utilizam uma altura estrutural maior (espessura final) se comparadas às alveolares, o que pode ser incompatível para determinadas obras, mas irrelevantes para outras”, explica.

Características técnicas da laje pré-moldada

De acordo com Livi, as lajes alveolares protendidas produzidas em máquinas extrusoras ou moldadoras têm uma produtividade (Hh/m²) excelente. Algumas fábricas mais automatizadas chegam a produzir 1000 m² de lajes por dia, com a colaboração de oito a dez trabalhadores.

Já as lajes tipo PI, por serem produzidas em fôrmas metálicas e terem, além das armaduras de protensão, o acréscimo de armaduras CA-50 (estribos, armaduras de pele, complemento de armaduras de flexão), necessitam de um número expressivo de homens/hora para alcançar uma produção diária próxima à das lajes alveolares. “Ou seja, os cronogramas das obras industrializadas que necessitam de rapidez de execução normalmente se adequam mais à utilização de lajes alveolares”, fala.

Os cronogramas das obras industrializadas que necessitam de rapidez de execução normalmente se adequam mais à utilização de lajes alveolares
Luis Otávio Baggio Livi

No entanto, para situações em que o programa de necessidades da obra determina grandes vãos e grandes carregamentos, a flexibilidade de geometria das lajes PI leva vantagem em relação às lajes alveolares. Por serem feitas em fôrma, e não em máquina, é relativamente simples alterar a geometria das lajes PI, aumentando a seção a ponto de resistirem aos esforços de flexão e cortante a que serão submetidas na obra.

“Embora no Brasil existam lajes alveolares com alturas de até 1,2 m, usualmente são produzidas em espessuras padronizadas que variam de 12 a 50 cm”, diz. No portfólio de produtos dos fabricantes constam espessuras de 12, 15, 20 ou 21, 25 ou 26,5, 30 ou 32, 40 e 50 cm.

As lajes PI e as alveolares seguem o mesmo método construtivo, sendo apoiadas em vigas de concreto que se apoiam em pilares ou diretamente nas fundações, no caso de um piso estruturado.

“Alguns fabricantes recomendam a união por solda entre lajes PI adjacentes, o que pode encarecer e reduzir a produtividade do processo. Mas essa solda faz a função da chave de cisalhamento (chaveta) existente nas lajes alveolares, que necessitam ser corretamente preenchidas para o funcionamento conjunto do ‘pano de lajes’”, ensina Livi.

Alguns fabricantes recomendam a união por solda entre lajes PI adjacentes, o que pode encarecer e reduzir a produtividade do processo
Luis Otávio Baggio Livi

Outros tipos de laje pré-moldada

O diretor da Abece lembra que existem outros tipos de lajes pré-moldadas, como o painel PI com nervura superior. São utilizados com menos frequência, pois normalmente recebem elementos de alívio, como o EPS (poliestireno expandido) após sua montagem. Posteriormente é feito o capeamento, resultando numa laje mais espessa e resistente, com a menor utilização de concreto, embora o trabalho em obra seja consideravelmente maior.

Canteiros que possuem uma minicentral de pré-fabricados produzem lajes na forma de painéis pré-moldados, já com as dimensões dos cômodos aos quais se destinam. “Esses painéis são montados por gruas, imediatamente após sua fabricação. Neste caso, é possível produzir uma laje com a geometria exata do cômodo, por exemplo, um dormitório de dimensões 3 x 4 m.”

Para todos os casos de lajes pré-moldadas, as Normas Brasileiras determinam a metodologia de cálculo e projeto, mais especificamente a NBR 6118 para qualquer tipo de laje pré-fabricada e a NBR 14861, que versa exclusivamente sobre lajes alveolares.

Colaboração técnica

Luis Otávio Baggio Livi – Engenheiro Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), com pós-graduação em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), MBA em Gestão Estratégica das Organizações pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e MBA em Finanças pela PUC-RS. É sócio-diretor da Preinfra Pré-fabricados e da Result Engenharia, atuando em projetos desde 1995, com ênfase em pré-fabricados de concreto, e diretor de Pré-Moldados da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural – Abece.