Conheça os tipos de rejunte e saiba aplicá-los na obra

Rejunte cimentício, epóxi, acrílico...entenda o que difere a cada tipo, onde cada um pode ser utilizado e as vantagens que confere ao revestimento

Publicado em: 16/10/2014Atualizado em: 18/07/2019

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Texto: Graziela Silva


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Limpeza com bloco de esponja - Divulgação: Weber Quartzolit

Muito mais que um toque final, o rejunte assume importantes funções de performance no assentamento cerâmico. Ele é responsável, por exemplo, por absorver as tensões oriundas da movimentação natural dos revestimentos, provocada tanto por solicitações da estrutura quanto por efeitos da variação de temperatura. “Se as peças ficassem encostadas umas nas outras e sem rejunte, a chance de estufarem seria muito grande”, ressalta Luiz Carlos Gonçalves Jr, gerente de Produtos da Weber quartzolit.

O material, complementa o profissional, contribui para a estanqueidade do sistema, ao dificultar que a água e outras agentes infiltrem por trás do revestimento. De quebra, evita também o aparecimento de fungos.

“O rejunte trabalha ainda para compensar a variação de bitola da cerâmica e estabelecer regularidade superficial”, cita o engenheiro Carlos Alberto Fevereiro, coordenador da Academia Weber.

Na lista de funções, cabe ressaltar o desempenho estético, já que o rejuntamento bem executado valoriza o revestimento. Sem contar que o leque de opções oferecido pelos principais fabricantes dá ao consumidor a chance combinar o rejunte com estilo e cores das peças, criando efeitos decorativos de uniformidade ou contraste. Cabe ao instalador entender essas preferências e compatibilizá-las às exigências técnicas do revestimento escolhido e do ambiente onde será aplicado.

O rejunte trabalha para compensar a variação de bitola da cerâmica e estabelecer regularidade superficial
Carlos Alberto Fevereiro

TIPOS DE REJUNTES

As argamassas de rejuntamento encontradas no mercado se diferenciam pela matéria-prima utilizada em sua fabricação, conceitos de aplicação e aspecto do acabamento. De forma geral, é possível dividi-las em duas categorias: cimentícias e resinadas (epóxi ou acrílica).

Tipo Informações Indicações Características
Cimentício São os mais tradicionais. A composição inclui cimento Portland, agregados minerais e aditivos. Esses rejuntes, explica Carlos Fevereiro, da Academia Weber, são monocomponentes e comercializados na forma de pó. Cerâmicas comuns, porcelanatos, pastilhas. Os fabricantes costumam oferecer produtos específicos para diferentes tipos de revestimentos e aplicações (porcelanatos, pastilhas em ambientes interno, externo, piscinas, por exemplo). Há, também, argamassas específicas para pastilhas, com dupla função de assentamento e rejuntamento.

 


Aplicação simplificada, acabamento rústico a liso. A preparação do material é realizada com a adição de água nas proporções indicadas pelo fabricante na embalagem.
Epóxi É fornecido na forma de dois componentes – endurecedor e resina – que são misturados antes do uso, esclarece Carlos Fevereiro. A aplicação exige prática e conhecimento do profissional, em função da rápida secagem do produto, alerta Luiz, da Weber quartzolit. “O ideal é executar panos menores e ir realizando a limpeza em seguida”, orienta.

 

Cerâmicas, grês, porcelanatos, em áreas externas ou internas. Aplicação técnica, acabamento extraliso, completamente estanque. “O material tem alta resistência ao ataque químico e excelente impermeabilidade”, destaca Martinho da Silva Zacarias, professor de Processos Construtivos do Senai-SP. “Para juntas mínimas, de 1 ou 2 mm, é o produto indicado.”
Acrílico O rejunte é vendido pronto para aplicação. “Basta apenas homogeneizar o produto antes da aplicação”, diz Carlos Fevereiro. “Ele pode ser guardado para ser utilizado posteriormente. É um produto que segue o conceito do ‘faça você mesmo’”, destaca Luiz. Cerâmicas comuns, grês, porcelanatos aplicados em paredes e pisos de áreas internas. Não é indicado para piscinas e fachadas. Aplicação simples e prática, pronto para uso, flexibilidade (em função da resina acrílica).
       
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Preparo do rejunte cimentício. Divulgação: Weber Quartzolit

APLICAÇÃO

Os diferentes tipos de rejunte são aplicados de forma semelhante, seguindo um passo a passo que envolve a limpeza dos vãos entre as placas, a preparação da argamassa, o preenchimento das juntas, a limpeza para a retirada de excesso, seguida do acabamento final. Procedimentos indicados na embalagem sobre preparação do material, tempo de utilização da mistura ou de secagem para início da limpeza, entre outros, devem ser respeitados, de forma a assegurar o desempenho e a vida útil do rejunte.

ACERTE EM CHEIO

Veja 12 orientações dos especialistas para o correto preenchimento das juntas de assentamento

1- O processo só deve ser iniciado após a secagem do assentamento das placas cerâmicas, que leva pelo menos três dias, alerta Martinho Zacarias, professor do Senai-SP. “A aplicação antecipada pode causar eflorescência”.

2- Conte com as ferramentas corretas. São necessários: espátula de aço e escova; colher de pedreiro; brocha ou trincha; desempenadeira de borracha; bloco de espuma.

3- Prepare a superfície: execute a limpeza das juntas, utilizando a espátula de aço e a escova.

4- Siga a receita à risca. Segundo o profissional do Senai-SP, boa parte dos problemas com rejuntes ocorrem porque as instruções do fabricante não são respeitadas. Portanto, prepare a massa conforme as proporções indicadas na embalagem.

5- É fundamental respeitar o tempo de maturação da mistura. E, no caso dos rejuntes acrílicos, homogeneizar o produto antes da aplicação.

6- Atenção: não utilize caixote de madeira para preparação do rejunte, orienta Carlos Fevereiro, da Academia Weber. Opte por recipientes estanques, para que o material não perca água por absorção. Caixas e baldes de PVC são recomendados.

7- Cheque o chamado pot life, indica Carlos. O termo designa o tempo máximo de utilização do material, após sua preparação. Utilize a informação, disposta na embalagem, para planejar preparo e aplicação.

8- Se a opção é por rejunte cimentício, umedeça as juntas utilizando brocha ou trincha.

9- Dê início à aplicação da argamassa com o auxílio da desempenadeira de borracha. “O material não pode ser aplicado apenas superficialmente. É preciso pressionar para que ele preencha todo o vão entre as cerâmicas”, orienta Martinho.

10- Respeitando o tempo de secagem, passe à limpeza com o bloco de espuma úmido. Deslize-o em todos os sentidos, retirando o excesso de material.

11- Evite na etapa da limpeza: pano, pedaço de madeira ou saco de ariagem. “O que confere acabamento superliso ao rejunte é a esponja umedecida e torcida”, ressalta Carlos Fevereiro, da Weber.

12- Capriche: acabamento liso valoriza o trabalho do instalador, impede a deposição de sujeiras, além de facilitar a manutenção.

Colaboraram para esta matéria

 
Carlos Alberto Fevereiro – Engenheiro civil e coordenador-técnico da Academia Weber, voltada a treinamentos de profissionais da construção civil.
Luiz Carlos Gonçalves Jr – Administrador de empresas, especialista em Negócios Internacionais pela Universidade Mackenzie. MBA em Marketing pela Universidade São Paulo (USP). Gerente de Produto da Atividade Colocação Cerâmica da Weber quartzolit no Brasil, responsável pelas linhas de Argamassas Colantes e Rejuntamentos. Colaborador da Saint-Gobain desde 1999, tendo atuado nas áreas Comerciais da Brasilit e também da Weber quartzolit.
 
Martinho da Silva Zacarias – Professor de Processos Construtivos do Senai-SP