Conheça riscos químicos que devem ser controlados no canteiro

Cuidados visam preservar a saúde dos trabalhadores e evitar o contato com contaminantes que podem ser absorvidos por inalação, por mucosas ou pela pele

Publicado em: 20/01/2021

Texto: Juliana Nakamura

equipamento protecao canteiro obras
Uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPI) é a primeira medida para minimizar o contato das pessoas com substâncias maléficas à saúde (Crédito: VAKS-Stock Agency/Shutterstock)

Os canteiros de obras são locais de produção que envolvem riscos à saúde dos trabalhadores muitas vezes negligenciados. Entre eles, há os provocados por substâncias, compostos ou produtos que, em forma de poeiras, gases, neblinas, névoas ou vapores, são capazes de penetrar no organismo por meio do contato com a pele, mucosas e por via respiratória.

Em uma obra, essas ameaças estão presentes no manuseio de uma série de materiais como cimento, gesso, tintas e vernizes (solventes), colas, impermeabilizantes (asfaltos), aditivos, desmoldantes e fumos metálicos (soldas).

POEIRAS TÓXICAS

Um risco químico importante nos canteiros de obras advém das poeiras que podem, por exemplo, conter sílica, substância associada a muitas doenças ocupacionais. Poeiras de rochas podem causar doenças pulmonares (pneumoconiose). Já as derivadas de alguns tipos de cimento são causa de dermatites de contato.

Ricardo Marcon, engenheiro de Segurança do Trabalho do Seconci-SP, lista algumas atividades com maior grau de exposição à geração de poeiras, caso dos serviços de terraplenagem, lixamento de concreto, preparação de argamassa e concreto, transporte de cimento/gesso, uso de martelete para demolição, corte e polimento de rochas naturais, serviços de solda, carpintaria, apicoamento de estrutura de concreto com marreta e pintura.

PRÁTICAS PARA CONTROLE DE RISCOS QUÍMICOS

Para minimizar o contato das pessoas com substâncias maléficas à saúde, as construtoras podem lançar mão de algumas estratégias. A primeira delas é exigir o uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPI), como máscaras para proteção respiratória, luvas e óculos de segurança.

Também é recomendável a redução das atividades geradoras de poeira, como as de carpintaria para produção de moldes de madeira. É possível, ainda, substituir agentes agressivos por equivalentes inertes, dando preferência a tintas à base de água em detrimento das produzidas à base de solventes.

De acordo com Ricardo Marcon, há outras ações simples capazes de amenizar os efeitos negativos do manuseio de substâncias químicas e de atividades geradoras de poeiras. Entre elas, a umidificação de superfícies, a instalação de exaustores de poeiras, a redução do tempo de exposição do trabalhador ao agente químico, a limpeza constante das áreas de trabalho e a ventilação adequada dos ambientes.

TREINAMENTO E COMUNICAÇÃO

Todos os trabalhadores de uma obra, uma vez aprovados no exame médico admissional, devem ser submetidos a um treinamento mínimo de seis horas para garantir a execução de suas atividades com segurança. Este treinamento introdutório precisa contemplar as instruções e medidas de segurança a serem adotadas para a proteção dos indivíduos em caso de exposição a agentes químicos.

Além disso, o canteiro deve possuir um programa prevendo as medidas de controle a serem adotadas, quando os riscos detectados ultrapassarem os valores limites das normas utilizadas.

Os trabalhadores devem receber treinamento para compreender a rotulagem preventiva e as informações de segurança do produto químico, bem como sobre as medidas preventivas para o manuseio seguro e procedimentos para atuação em emergências
Ricardo Marcon

Um ponto especialmente crítico para a garantia de segurança no canteiro é a assimilação, pelos usuários, das informações contidas nas FISPQs (Fichas de Informação de Segurança de Produtos Químicos). Esses documentos apresentam as principais propriedades dos compostos de determinados produtos e incluem recomendações sobre o uso e os cuidados necessários para o armazenamento e o manuseio. As fichas trazem, também, os limites de tolerância de exposição, os equipamentos de proteção obrigatórios e as medidas emergenciais a serem adotadas em caso de incidentes e acidentes.

“Os trabalhadores devem receber treinamento para compreender a rotulagem preventiva e as informações de segurança do produto químico, bem como sobre as medidas preventivas para o manuseio seguro e procedimentos para atuação em emergências”, destaca o especialista do Seconci-SP. Ele lembra que, de acordo com a Norma Regulamentadora 26: Sinalização de Segurança (NR 26), o empregador deve assegurar o acesso dos trabalhadores às fichas com dados de segurança de todos os produtos químicos utilizados no local de trabalho.

Colaboração técnica

Ricardo Marcon — Engenheiro de segurança do trabalho no Seconci-SP (Serviço Social da Construção do Estado de São Paulo). Atuando há mais de 15 anos na área de segurança, saúde e meio ambiente, é engenheiro ambiental e assistente técnico pericial. Foi técnico de segurança do trabalho e bombeiro civil.