Conheça soluções para impermeabilizar fachadas

Tratamentos com produtos à base de argamassa aditivada, hidrorrepelentes e tintas impermeabilizantes são eficazes para evitar problemas com infiltrações

Publicado em: 07/04/2020Atualizado em: 08/04/2020

Texto: Juliana Nakamura

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As fachadas de edifícios carecem de uma impermeabilização que aumente a resistência contra agentes agressivos e a vida útil do revestimento utilizado no acabamento (foto: Grand Warszawski/shutterstock)

As fachadas dos edifícios desempenham funções que vão muito além da estética. Elas protegem a estrutura contra agentes externos, como chuva, maresia e ventos. Por isso mesmo, precisam de uma impermeabilização cuidadosa capaz de aumentar a resistência das superfícies contra agentes agressivos e a vida útil do revestimento.

“O descuido com a impermeabilização provoca infiltrações que induzem uma série de manifestações patológicas como manchas, pinturas degradadas, eflorescências e, até a corrosão das estruturas”, salienta o engenheiro José Miguel Farinha Morgado, diretor executivo do Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI). “Não podemos nos esquecer, também, que problemas como mofo, bolor e manchas de umidade causam sérios problemas de saúde”, continua Morgado.

O descuido com a impermeabilização provoca infiltrações que induzem uma série de manifestações patológicas como manchas, pinturas degradadas, eflorescências e, até a corrosão das estruturas
José Miguel Farinha Morgado

PRINCIPAIS TECNOLOGIAS PARA FACHADAS

Na maior parte das vezes, as paredes externas em edifícios residenciais são executadas com revestimentos argamassados protegidos por pinturas ou por revestimentos cerâmicos. Para esses casos, entre as soluções mais usuais estão as argamassas aditivadas, capazes de diminuir a absorção de água pelo substrato.

Outra opção são os hidrorrepelentes, especialmente indicados para evitar infiltrações em fachadas de concreto, tijolo aparente ou revestidas com pedras. Também chamados de hidrofugantes, esses produtos têm como ponto forte serem aplicados com pulverizador ou pistola de baixa pressão. “Esse material tem característica impregnante, não forma filme e não altera as características naturais do substrato e aceita alguma porosidade residual”, afirma Morgado.

Há, ainda, as tintas impermeabilizantes – geralmente fabricadas à base de elastômeros sintéticos e betumes emulsionados –, fornecidas prontas para aplicação em demãos com pincel ou rolo. Elásticas e resistentes às intempéries, essas pinturas devem ser aplicadas somente em muros e fachadas uniformes, sobre argamassas de revestimento ou concreto. Isso significa as superfícies devem ser previamente regularizadas com argamassa de cimento e areia e os encontros entre lajes, paredes e pilares precisam ser arredondados.

Especialmente para superfícies com revestimento cerâmico e pastilhas, os selantes para as juntas de dilatação desempenham papel de proteção fundamental. “Elásticos, esses produtos monocomponentes à base de poliuretano, são ideais para utilização em fachadas”, comenta o engenheiro Anderson Oliveira, coordenador de desenvolvimento de mercado na Sika Brasil.

CUIDADOS NA EXECUÇÃO

Independentemente da tecnologia escolhida, obter o melhor desempenho depende da elaboração de um projeto de fachadas que contemple juntas de dilatação, materiais de qualidade, mão de obra treinada, processos construtivos adequados e a utilização de argamassas de boa qualidade.

Além disso, é importante que os sistemas impermeabilizantes sejam dimensionados levando em conta características e particularidades de cada fachada. As mais relevantes são o estado geral das superfícies e o tipo de material utilizado em sua construção.

Durante a execução, há uma série de pontos críticos que exigem cuidado extra. Bruno Pacheco, executivo de marketing da Vedacit, lista entre os mais relevantes:

• Manter a fiscalização durante todo o período de execução do trabalho;
• Seguir as especificações do projetista;
• Assegurar que o reboco tenha os 28 dias de cura estabelecido, seguindo as normas ABNT;
• Verificar se as juntas de movimentação estão corretas;
• Acompanhar de forma permanente a aplicação do impermeabilizante na fachada;
• Respeitar o número de demãos, consumo, tempo de secagem e tempo de cura;
• Acompanhar a aplicação correta do selante, conforme especificação do projetista.

Leia mais: Hidrofugantes protegem revestimentos contra agentes agressivos

Colaboração técnica

José Miguel Farinha Morgado – Engenheiro civil com MBA em varejo de material de construção pela FAAP e em negócios e inovação pela Barry University e University of Nevada, nos Estados Unidos. É diretor executivo do Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI).
Anderson Oliveira – Engenheiro civil, pós graduado em gestão empresarial e em engenharia de segurança. É coordenador de desenvolvimento de mercado na Sika Brasil e membro do CB22 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
Bruno Pacheco – Formado em administração de empresas, possui MBA em marketing e gestão comercial. É executivo de marketing da Vedacit.