Conhecer o material na prática ajuda a especificar melhor

Outro fator que deve ser considerado na hora de escolher o produto para a obra é verificar se ele atende à recém-aprovada Norma de Desempenho ABNT NBR 15.575

Publicado em: 11/09/2013Atualizado em: 23/08/2019

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Especificação materiais

Só pela variedade de produtos existentes no mercado, a especificação de materiais para um novo projeto já é uma tarefa, no mínimo, trabalhosa. Mas isso não é nada perto dos outros fatores que um arquiteto deve levar em consideração. “É essencial o conhecimento prévio do comportamento dos materiais, desde os elementos estruturais até os revestimentos internos e externos. Cada composição deve ser estudada com cuidado, tendo em mente critérios como conforto e segurança do usuário, durabilidade, facilidade de limpeza, manutenção e reposição, funcionalidade e custo compatível com o acordado junto ao cliente”, explica Bruno Ribeiro Fernandes, coordenador de projetos do escritório Arquiteto Pedro Taddei e Associados.

Outro fator novo, importante e que está dificultando a especificação é verificar se o produto atende à recém-aprovada Norma de Desempenho ABNT NBR 15.575. “É difícil o acesso as informações que comprovem a conformidade dos produtos. O mercado ainda está se adequando para atender as exigências e a saída é recorrer a um profissional especializado no assunto, para que tenhamos a garantia da qualidade”, ressalta o arquiteto Henrique Cambiaghi. O uso de materiais em desacordo com as normas técnicas é considerado crime pelo Código de Defesa do Consumidor.

Ver o produto aplicado faz toda diferença

Exemplos da aplicação de materiais em outras obras e seu desempenho também são fundamentais na hora da escolha. “Consideramos muito produtiva a visita de técnicos que ofereçam exemplos de uso. Isso colabora na especificação e detalhamento”, ressalta Fernandes.

O escritório Pedro Taddei e Associados realiza, também, pesquisas de materiais e componentes, realimentadas pelas experiências das obras e do pós-ocupação. “Acabamos escolhendo os materiais que oferecem um retorno mais imediato, respondendo na prática às expectativas do projeto”, afirma Ribeiro.


Segundo Fernandes, normalmente, os lançamentos vêm acompanhados de dados – diferenciais de mercado, aplicações e resultados –, mas faltam subsídios sobre a diversidade de aplicações. “No geral, as empresas oferecem detalhes isolados e fotos de utilização. O ideal seria a possibilidade de analisar o produto com plantas, cortes e perspectivas de montagem, algo encontrado somente em bibliografia especializada. Deste modo, o atendimento técnico ao arquiteto seria mais fácil e rápido”, completa.

Cambiaghi comenta que ter o suporte necessário do fornecedor dá segurança e faz toda diferença para especificar um produto. “Acabamos de usar agora uma chapa externa que nunca tínhamos utilizado, e recebemos da empresa todas as informações relevantes – fotos, detalhes, especificação –, além da visita do profissional, por duas vezes, e dados sobre a montagem”. E alerta: “Mão de obra qualificada para a instalação do produto também é muito importante para evitar problemas futuros”.


Cuidado e parcimônia são palavras-chaves nesse momento. No caso do escritório Pedro Taddei e Associados, Fernandes conta que são feitas reuniões semanais para discutir os lançamentos, procurando exemplos de uso em edifícios e referências, solicitando ajuda de técnicos e amostras sempre que possível.


A busca por mais subsídios também é uma prática usada por Cambiaghi, não somente quando um produto é novo, mas em itens que precisam de mais detalhamento. “Um exemplo são os materiais que impactam de forma mais direta no conforto – acústico e térmico – e qualidade dos ambientes, como forros, pintura e revestimento de fachadas e vidros. Mas existem alguns segmentos já bem nutridos de dados, como tintas, cerâmicas, forros entre outros”.

Para Bruno Fernandes, os itens relacionados ao usuário final são os que mais demandam informações, como revestimentos de piso, parede, forro, elementos de proteção, fechamento, coberturas, guarda-corpos e mobiliário. Mas alerta: “Os elementos estruturais e que servem de suporte a outros também são objetos de especificação criteriosa, em vista do papel que desempenham na segurança e higidez da obra”.

Empreendimentos construídos pela cidade também são uma boa fonte de inspiração para os arquitetos. Mas obter dados confiáveis sobre eles, normalmente, não é muito fácil. “Ajudaria muito se nas propagandas das construções constassem os nomes dos arquitetos que assinam a obras. É uma fonte isenta e, portanto, confiável para nós”, explica Cambiaghi.

Colaboraram para esta matéria


Bruno Ribeiro Fernandes – Arquiteto e urbanista formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com mestrado em Projeto e Tecnologia do Ambiente Construído pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutorado em Projeto de Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo. Ocupa o cargo de coordenador de Projetos no escritório Pedro Taddei e Associados.
Henrique Cambiaghi – sócio-diretor da CFA Cambiaghi Arquitetura, acumula experiência de mais de 370 obras, 720 projetos, totalizando cerca de 7 milhões de m², em quase 40 anos de atividades profissionais. É graduado, em 1973, e pós-graduado, em 1979, pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – (FAU-USP). Atualmente é presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA) – com passagens também pelos cargos de vice-presidente e presidente da entidade por diversos anos.