Construção da Linha 5 - Lilás de SP utiliza três megatatuzões

A expansão da malha metroviária em São Paulo tem obras na Linha 5-Lilás a todo vapor

Publicado em: 22/10/2013Atualizado em: 11/12/2013

Texto: Redação PE

Depois de muitas idas e vindas burocráticas, entraves políticos, polêmicas e diversos estudos, a construção da linha 5- Lilás do metrô paulistano acelera o ritmo de trabalho para ser inaugurada em 2015. Para isso, conta com uma tecnologia construtiva considerada referência mundial, a fim de reduzir custos e aumentar a produtividade. Pela primeira vez no Brasil, três tuneladoras (chamadas também de shields ou megatatuzões) foram utilizadas nas escavações.

O aquecimento para a execução da obra começou em 1990, quando o primeiro anúncio do projeto foi feito com três opções de trajeto saindo das estações Paraíso, Saúde ou São Judas. Nessa época já se previa que boa parte da linha seria de superfície. Em 2001, o Governo do estado de São Paulo transferiu a operação da Linha para a Companhia do Metropolitano de São Paulo, passando a se chamar "Linha 5-Lilás".

O primeiro trecho localizado na Zona Sul da capital foi inaugurado em 2002 e conta com 8,4 km de extensão entre Capão Redondo e Largo Treze, no bairro de Santo Amaro. Em maio de 2011, após um intervalo de quase uma década, finalmente as obras foram retomadas: a extensão ligará o Largo Treze, no bairro de Santo Amaro, à Chácara Klabin.

O trecho terá 11,5 km e será composto por: via permanente em túneis duplos e singelos, escavados nos métodos NATM e Shield, 11 estações (Adolfo Pinheiro, Alto da Boa Vista, Borba Gato, Brooklin, Campo Belo, Eucaliptos, Moema, AACD-Servidor, Hospital São Paulo, Santa Cruz e Chácara Klabin), 13 poços, um estacionamento de trens sob o Parque das Bicicletas, um pátio de estacionamento e manutenção (Guido Caloi), e uma subestação primária.

A ampliação prevê investimentos na ordem de R$ 6,9 bilhões. A estimativa que a demanda diária de passageiros triplique, passando dos 250 mil atuais para 771 mil usuários. A obra vai atender a 3,5 milhões de habitantes e facilitará o acesso de moradores da periferia aos centros histórico e expandido de São Paulo.

O trajeto será todo subterrâneo com integração com a Linha 1-Azul (em Santa Cruz), com a Linha 2-Verde (na Chácara Klabin) e com a futura Linha 17-Ouro (monotrilho que vai ligar o Morumbi ao Jabaquara), além de conexão direta com os trens da CPTM (em Santo Amaro, na Linha 9-Esmeralda).

Para dar conta da demanda, o estado comprou 26 trens por R$ 615 milhões junto à empresa espanhola CAF – hoje são oito em funcionamento. As composições serão montadas na fábrica da empresa em Hortolândia, no interior de São Paulo.

As futuras estações da Linha 5-Lilás do Metrô terão um diferencial: praças amplas ocuparão a parte de cima das paradas, criando "respiros" urbanos em regiões que hoje carecem de grandes áreas abertas, como o entorno da Avenida Santo Amaro, na Zona Sul.

Esses espaços terão, em média, 2,8 mil m². Atividades como feiras de artesanato, exposições e campanhas de vacinação poderão ocorrer nelas, deixando-as mais integradas ao bairro. Os novos ambientes externos ainda serão contemplados com grandes estruturas de aço e vidro, para cobrir as entradas das estações.

A operação plena da linha proporcionará o acesso a complexos hospitalares como Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro, Hospital e Maternidade Santa Marta, Hospital do Servidor Público Estadual, Hospital São Paulo, Hospital Sepaco, Hospital Santa Cruz, Hospital Alvorada, Hospital Edmundo Vasconcelos, Hospital Evaldo Foz e Maternidade do Amparo Maternal e centros especializados para tratamentos como AACD, APAE e Lar e Escola São Francisco que serão providos de transporte com acessibilidade e rapidez.

Escavações

O shield, ou megatatuzão como é popularmente conhecido no Brasil, é um equipamento capaz de, simultaneamente realizar a escavação e instalar os anéis de concreto estruturais do túnel. Com ele é possível perfurar de 12 a 15 metros por dia e escavar uma extensão de mais de 4,8 km de túnel, instalando 3.241 anéis de concreto para sustentação. É considerado um dos equipamentos mais eficientes e seguros da engenharia moderna.

O equipamento foi utilizado na construção dos túneis da Linha 4-Amarela e para linha Lilás precisou ser reformulado por conta do aumento do diâmetro da linha. Hoje pesa 1,5 mil toneladas e seu novo diâmetro de escavação é de 10,58 metros (contra os 9,41 metros da Linha 4-Amarela).

Galvão Engenharia e Serveng formam o consórcio para a construção das duas estações (Borba Gato e Alto da Boa Vista) e dois postos de ventilação (Paulo Eiró e Alexandre Dumas) da Linha 5 – Lilás do Metrô de São Paulo. Em cada uma das estações serão escavados 83 mil m³ de material, ao todo a terraplenagem gira em torno de 250 mil m³ de solo movimentado. Na construção da estação Alto da Boa Vista, a caixa com as paredes de diafragma tem profundidade de 42m e 140 x 25m², onde serão escavados 26m.

Fontes: Metro SP
Silvimar Fernandes Reis – Diretor de Logística e Equipamentos da Galvão Engenharia
Foto: divulgação