Construção sustentável atrai estrangeiros

Exemplo de sustentabilidade para o mundo, empresas estrangeiras chegam ao Brasil oferecendo soluções, novas tecnologias e investimentos.

Publicado em: 31/08/2011

Texto: Redação AECweb



Redação AECweb

Construção sustentável atrai estrangeiros

Entre os BRICs, o Brasil lidera o ranking do USGBC – U.S. Green Building Council - em certificação LEED de edifícios e não para de atrair investidores. Hoje, grandes empresas estrangeiras de todos os tipos de materiais e sistemas, que antes da crise de 2008 tinham um grande mercado no exterior e perderam, estão se instalando por aqui. “Em 2006, quando começamos o trabalho do GBC no Brasil, pintamos dez agências do Banco Real com tinta mineral, pois eram as únicas tintas no mercado que atendiam a demanda da sustentabilidade. Agora, quase todos os fornecedores produzem, ou, se não ainda, estão buscando a tecnologia para atender o mercado brasileiro, que não para de crescer”, conta Marcos Casado, gerente técnico do GBC.

A década de 90 foi próspera na criação de certificações de impacto ambiental dos edifícios. A começar pelo selo BREEAM - BRE Environmental Assessment Method – do Reino Unido, que acumula o maior número de certificações, com mais de 200 mil projetos em todo o mundo. Criado em 1993 nos Estados Unidos e hoje com sede no Canadá, o GBC está presente em 88 países. Em certificações LEED, destacam-se os Estados Unidos, com 80 mil projetos, enquanto o Brasil ocupa o 4º lugar.


Em quatro anos já foi possível ver a evolução nas certificações. Em 2007, o país possuía apenas oito projetos certificados. Em 2010, esse número passou para 230 e, este ano, já são mais de 330 projetos que buscam certificação. “Em 2011 já registramos mais de 100 edifícios, e desses, 35 projetos já foram aprovados”, comenta Casado. “E essa mudança de consciência da sociedade em relação ao ambiente não se aplica apenas à construção civil. Já percebemos isso no agronegócio, em que as empresas estão produzindo alimentos com o uso responsável da água. A sociedade começa a fazer uma cobrança maior”, diz.

Esse aumento das certificações deve-se, não apenas às questões ambientais, mas também às razões econômicas e sociais, ou seja, os três pilares da sustentabilidade. “Prédios coorporativos dão sempre uma resposta mais rápida para esse movimento, pois é um público que realmente faz a conta para saber se vale a pena ou não adquirir aquele imóvel”, explica Casado. “Esse público que falo é o mais comercial, aquele que no final do mês quer saber quanto ele paga de aluguel, de condomínio. Para ele, ou isso faz sentido economicamente ou ele nem entra nesse mercado”.

Construção sustentável atrai estrangeiros
Marcos Casado, gerente técnico do GBC.

Sobre esse público, Marcos Casado ainda explica que é o primeiro a se aproximar do tema. “Mas temos conseguido disseminar em outras escalas também. Na Expo GBC – conferência internacional realizada no final de agosto passado, em São Paulo -, tivemos algumas apresentações sobre o que o governo está fazendo, quais as iniciativas para a indústria, além daquelas voltadas para a sociedade em geral. Este cenário nos mostra que o movimento começou muito forte no mercado comercial e agora começa a se espalhar”.

Se o aumento de custo para ter um prédio “verde” assustava incorporadores nos primeiros anos, a disseminação do conceito de sustentabilidade e a consequente escala de produção de materiais viabilizou a ação. “A primeira construção sustentável da América do Sul foi uma agência do Banco Real e teve um custo inicial 30% maior do que outra convencional e não sustentável. Hoje, o banco faz a mesma agência gastando apenas 5% a mais”, revela Casado, acrescentando que a razão é simples: quando se aumenta a demanda, o custo cai. A média de custo para se construir um edifício sustentável varia de 2% a 7% e o tempo de retorno desse investimento se dá em 3 a 5 anos. Já o payback de um prédio convencional fica entre 5 e 10 anos, segundo ele.

COPA DE 2014, A COPA “VERDE”

A Copa de 2014 é a grande oportunidade histórica de se ter a primeira Copa “‘verde”. O programa Green Goal, da FIFA, foi lançado já na Copa da Alemanha, em 2006, para a redução das emissões de CO2 em seus eventos. Está focado no uso sustentável da água, resíduos, energia e transporte. A Copa da África do Sul, em 2010, certificou apenas alguns estádios. “Desta vez, todos os estádios serão certificados”, antecipa Marcos Casado. Até o momento, das 12 arenas, dez estão registradas para a certificação LEED. “Isso é resultado do trabalho que o GBC fez para as Olimpíadas junto ao Comitê Olímpico Brasileiro, onde participamos do plano diretor e isso acabou repercutindo para a Copa. Faltam os estádios de São Paulo, que deve estar registrando em breve, e Porto Alegre. A busca pelo LEED Platinum pelo estádio de Brasília, se obtida, será a primeira no mundo”, conta Casado.

Ele credita esse movimento ao BNDES. “O banco de financiamento colocou a obrigatoriedade da certificação e isso bateu direto no bolso dos empreendedores - sabemos que essa é a parte mais sensível de quem investe. Por outro lado, não há mais dificuldades em conseguir materiais e tecnologias sustentáveis. O mercado está se preparando e se adequando, inclusive na formação de profissionais, o que reflete nos projetos que já incorporam os critérios da sustentabilidade”, conclui.

Redação AECweb