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Construções residenciais com estrutura metálica são alternativa para o mercado

Ganhos com redução de fundação, tempo de obra e vãos maiores aquecem o mercado. Aplicação em obras imobiliárias multifamiliares ainda esbarra em questões como desembolso inicial, arquitetura e pé-direito das construções

Publicado em: 02/05/2018Atualizado em: 15/06/2021

Texto: Paulo Kiss

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Casa Mirante, FGMF Arquitetos (foto: Rafaela Netto)

Há boas razões para se optar por construções com estruturas metálicas no segmento residencial. Os premiados escritórios FGMF Arquitetos e Zanettini Arquitetura possuem um portfólio amplo de residências e condomínios ao lado de obras corporativas de grande destaque. A solução é amplamente adotada também em obras industriais, logísticas e hospitalares, porém, ainda é de difícil compreensão para a maioria dos incorporadores.

Isso porque fatores como início de operação rápido e retorno financeiro antecipado ­– desejáveis nos outros segmentos – tornam-se problemas no segmento residencial multipavimentos. “Ao lançar um imóvel na planta, a construtora adia seus custos e tem tempo para financiar a obra com receitas de quem compra ao longo da construção. Uma obra curta pode pesar no bolso do mutuário”, ressalta Lourenço Gimenes, arquiteto e sócio do escritório Forte, Gimenes e Marcondes Ferraz (FGMF Arquitetos).

Enquanto “a conta não fecha” nas obras multipavimentos familiares, uma profusão de construções que vão de casas de campo a sofisticados condomínios é entregue todos os anos a clientes satisfeitos com as soluções arquitetônicas, adequação ao terreno, rapidez e outras vantagens desse sistema construtivo.

O benefício do vão maior é uma marca forte da solução. A modulação de 3,60 m nas estruturas de concreto é dobrada para vãos de 7,20 m nas estruturas metálicas. O uso combinado com estruturas de concreto ou com estruturas independentes de concreto, como varandas e áreas de garagem, ganham interesse dos arquitetos.

De acordo com o arquiteto Siegbert Zanettini – maior projetista de estruturas metálicas com obras de grande destaque como o Cenpes (Petrobras) e sedes dos hospitais São Luiz e Albert Einstein –, os ganhos são inúmeros. “Uma coisa importante, inclusive neste segmento residencial, é o ganho no layout e a economia com estrutura. O custo final, sem levar em conta as variáveis de tempo, é praticamente igual ou, na pior das hipóteses, 15% maior”, diz.

Uma coisa importante, inclusive neste segmento residencial, é o ganho no layout e a economia com estrutura. O custo final, sem levar em conta as variáveis de tempo, é praticamente igual ou, na pior das hipóteses, 15% maior
Siegbert Zanettini

Além disso, a construção ganha em organização porque, o que era obra, vira montagem. “A precisão da construção metálica também é maior, da ordem de milímetros. Por essas e outras vantagens podemos falar em um novo boom da construção metálica, com muito espaço para aplicações em obras residenciais”, acrescenta.

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ADEQUAÇÕES

Para fazer valer suas vantagens no residencial, a construção metálica exige ainda adequar diversas variáveis desse segmento que não afetam, por exemplo, a construção em concreto. “Estamos tentando viabilizar um projeto no segundo semestre deste ano”, conta Luis Tomé Resende, gerente comercial da Codeme, uma das principais fornecedoras de estruturas. “Precisamos adequar três variáveis: prazo de obra/desembolso, pé-direito e arquitetura”, completa.

Além disso, as vedações internas, principalmente, requerem projetos e soluções para garantir que as movimentações de materiais diferentes – alvenaria e aço – trabalhem em harmonia. Isso talvez tenha custado caro à história do sistema construtivo ao longo dos últimos 40 anos, em função das experiências ruins em programas habitacionais, como no Minha Casa, Minha Vida. Com certos controles, a vedação interna com bloco cerâmico ou painéis prontos trabalha bem, na opinião de especialistas, mas os materiais precisam estar dissociados mecanicamente.

O QUE LEVAR EM CONTA NAS CONSTRUÇÕES METÁLICAS?

ESTUDO DE VIABILIDADE

O contratante deverá considerar a necessidade de operação do imóvel em tempo maior ou menor em relação a outro tipo de estrutura. As construções metálicas exigem desembolso rápido e são mais adequadas a operações que necessitam de payback rápido, como centros logísticos, hospitais, indústrias, escritórios e centros comerciais. No caso de edificações de uso residencial não realizadas por incorporação, essa variável caberá ao morador.

FUNDAÇÕES

A redução do peso estrutural é da ordem de 20 a 30%, refletindo assim na profundidade e no volume das fundações. Essa vantagem também deverá ser considerada em relação à topografia do terreno. Construções metálicas se adaptam bem e tiram partido de terrenos íngremes e encostas.

PROJETO DA ESTRUTURA

O projetista estrutural define as variáveis construtivas de cargas, elevações, tamanho de vãos e altura de pé-direito junto com o arquiteto. O refinamento do projeto estrutural demonstrará melhor o tipo de perfil a ser utilizado, estruturas como lajes e escadas e o uso de pré-moldados, lajes prontas, steel deck e sistemas de vedação mais adequados.

FÁBRICA

O tempo de produção dos perfis e pré-montagem de vigas, pilares e contraventamentos para estruturas residenciais pode variar de 30 a 60 dias, mas depende da complexidade da obra. A operação deve ser compatibilizada com outros fatores de cronograma do contratante, que deverá conciliar prazos de diversos fornecedores. O processo de fabricação compreende as etapas: manuseio e corte; execução de gabaritos; traçagem; operações de usinagem e forjamento; furação; desempeno, dobramento e calandragem; ajuste e alargamento de furos; parafusagem e soldagem; acabamento; controle de qualidade; limpeza e pintura; embarque.

LOGÍSTICA DE OBRA/CANTEIRO

Concomitante à produção dos perfis, aspectos logísticos são considerados para definir a estratégia de obra. Seção, comprimento e volume das peças – que poderão ser produzidas considerando aspectos logísticos especiais – vão definir o melhor equipamento a ser utilizado para içamento, plano de segurança em canteiro, transporte e outras variáveis. A necessidade de realização de soldas em campo em casos especiais também deverá ser prevista.

MONTAGEM

A montagem obedece à ordem: colunas, terças e vigas. As esperas e chumbadores poderão ser realizados por empresas e empreiteiros do segmento de estruturas de concreto com apoio do fornecedor da estrutura.

VEDAÇÕES INTERNAS E EXTERNAS

Principal ponto vulnerável do sistema, requer avaliação da disponibilidade de fornecedores de diferentes sistemas – bloco cerâmico, painéis etc. – e avaliação das estruturas em trabalho. É necessário planejar com atenção a interface entre as vedações e o sistema estrutural, visto que os materiais trabalham e se movimentam de formas diferentes. Sistema de juntas e as áreas de solidarização devem ser bem planejadas.

INSTALAÇÕES

Uma das grandes vantagens do sistema, as instalações podem tirar partido da forma dos perfis, ser acomodadas em forros junto às vigas ou mesmo trabalhar aparentes, levando-se em consideração aspectos como vibração e transmissão de ruídos.

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ColaboraÇÃo TÉcnica

Lourenço Gimenes – arquiteto e sócio do escritório Forte, Gimenes e Marcondes Ferraz (FGMF Arquitetos)

Luis Tomé Resende – gerente comercial da Codeme

Siegbert Zanettini  – arquiteto e projetista de estruturas metálicas com obras de grande destaque como o Cenpes (Petrobras)