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Construmarket entra para o Grupo Softplan

Em entrevista ao Portal AECweb, Jorge Alvarez, CEO da Construmarket, destaca quais são os pontos de sinergia entre as ferramentas das duas empresas e explica como o movimento deve impulsionar a transformação digital da Construção Civil

Publicado em: 22/08/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Após trabalhar mais de 15 anos na indústria de pré-fabricados de concreto, Jorge Alvarez decidiu fundar a Construmarket. Quando nem se falava em transformação digital o sonho parecia ousado: digitalizar o setor, levando eficiência e tecnologia para a construção civil.

Com a prestação de serviço no DNA da empresa, paciência e persistência para lidar com as adversidades e quebrar paradigmas, aos poucos a companhia passou a acompanhar todo o ciclo de vida da construção e se transformou em um hub completo de plataformas digitais, conteúdo e inteligência de mercado para Construção Civil, Facilities e Manutenção Industrial. Hoje, tem mais de 70 mil obras digitalizadas, 2.200 clientes ativos e faturamento projetado de 38 milhões para 2023.

Em entrevista ao Portal AECweb, Alvarez fala sobre um grande marco na história da empresa: a entrada da Construmarket para o Grupo Softplan – um dos maiores ecossistemas de negócios SaaS do país. E explica como o movimento deve impulsionar a transformação digital da Construção Civil e gerar uma eficiência operacional sem precedentes.

Portal AECweb – Quando começou a empresa, qual era o seu sonho?

Jorge Alvarez – Comecei na construção civil há muitos anos. Primeiro, trabalhei em obras convencionais. Depois, durante 15 anos ajudei a desenvolver uma indústria nova no Brasil: a de pré-fabricados de concreto. Com a construção industrializada aprendi a importância dos processos padronizados, do rigor com as dimensões, do controle de qualidade... Quando começou a internet logo percebi que a rede de computadores poderia ser uma belíssima estrada para levar eficiência e tecnologia ao setor. Foi aí que comecei a empreender. Quando fundamos a empresa em 2001 os nossos slogans tinham um sonho: “Eficiência e Tecnologia na Construção”. E “Mais Serviço. Mais Parceria”.

AECweb – Quais foram os primeiros produtos e qual a missão de cada um deles?

J.A. – Começamos pela plataforma Construcompras. A proposta era sermos “o melhor amigo do comprador”. A missão era levar agilidade, economia e conectar a cadeia de suprimentos. Logo depois veio o Construmanager, com o objetivo de organizar o alto volume de informações e arquivos que envolvem um empreendimento. E, também, resolver um desafio: colaboração e conexão entre empresas disciplinarmente diferentes e geograficamente dispersas. Não demorou muito para o Construmanager se transformar na plataforma de gestão de projetos dos maiores empreendimentos do país. E, aí, não paramos mais...

AECweb – Em 2001 a digitalização da construção civil parecia muito distante? Como as plataformas e soluções da Construmarket eram recebidas e vistas pelos profissionais?

J.A. – Naquela época não existia o termo digitalização, muito menos transformação digital. Mas já havia algumas empresas preocupadas com tecnologia e eficiência. Nem era muito difícil vender a ideia para essas empresas. A dificuldade começava depois, quando os usuários da nova tecnologia tinham que quebrar paradigmas e mudar seus hábitos. Foram anos de muita persistência e dedicação até criarmos o núcleo de clientes e usuários felizes, que nos permitiu seguir a viagem até hoje. Acredito que o espírito de dedicação incrível que fez tão famoso o suporte da Construmarket vem daquela época.

AECweb – E hoje, na sua visão, qual o nível de transformação digital do setor?

A união das nossas empresas permite garantir uma real conexão entre todas as etapas em um segmento historicamente fragmentado. Isto vai gerar uma eficiência operacional sem precedentes. Juntos, vamos escalar a presença da tecnologia e acelerar o crescimento de todos os profissionais da construção civil
Jorge Alvarez

J.A. – Muita coisa mudou para melhor. Aumentou muito a quantidade de empresas que querem melhorar sua gestão. E, agora, as novas gerações estão chegando aos postos de comando. Em minha opinião está se configurando um momento de inflexão na história da transformação digital da construção no Brasil. Se olharmos para o setor imaginando uma pirâmide, veremos que, no topo, já existem ilhas de excelência e grandes exemplos a serem seguidos. No meio da pirâmide é onde se trava a luta atual. Dentro de muitas empresas alguns setores estão mais preparados, outros menos, especialmente os canteiros de obras. Mas, em geral, as empresas se esforçam para evoluir e buscam a transformação digital. Nessa busca, elas procuram aplicativos ou soluções para um conjunto grande de problemas. E sofrem depois com a desconexão entre esses sistemas.

AECweb – Ao longo do tempo a Construmarket foi crescendo, desenvolvendo novas soluções e passou a acompanhar todo o ciclo de vida da construção. Como isso aconteceu? E por que isso é tão importante para o setor?

J.A. – Desde o começo imaginávamos oferecer soluções para todo o ciclo de vida de uma Construção. Nos identificávamos com a sigla AECO (Arquitetura, Engenharia, Construção e Operações). Nas primeiras ondas de digitalização – nas áreas de suprimentos e projetos – contávamos com uma vantagem: essas áreas já utilizavam computadores e estavam mais acostumadas a processos e padrões. Por isso começamos por aí... Há apenas três anos decidimos que já era hora de romper mais uma barreira. Lançamos a plataforma Construpoint para o gerenciamento do canteiro de obras e, logo depois, a plataforma Optimus, para gerenciamento de facilities. 

Mais de 90% do custo de um empreendimento acontece no canteiro de obras. Isto, por si só, já explica a prioridade. Mas enxergamos ainda um outro motivo: todo mundo sabe que quando uma obra termina a turma da engenharia sai por uma porta e a turma da operação entra por outra – sem se cruzarem no caminho. Nossa visão é de que há um potencial enorme de escala e de ganho econômico na digitalização do canteiro de obras e na conexão das fases de construção e operação dos empreendimentos.  

AECweb – A Construmarket é um hub completo de plataformas digitais, conteúdo e inteligência de mercado para Construção Civil, Facilities e Manutenção Industrial. Se fôssemos resumir a empresa em números: quantos colaboradores, clientes e usuários as plataformas impactam? Qual o faturamento?

J.A. – Somos responsáveis pelo atendimento de mais de 750 mil usuários mensais em nossas  plataformas e portais. Já digitalizamos mais de 70 mil obras e mais de 800 mil equipamentos e locais monitorados. Temos mais de 2.200 clientes felizes e projetamos um faturamento de 38 milhões para 2023. E, para dar conta de tudo isso, contamos com um time fantástico de 183 colaboradores apaixonados, especialistas e dedicados.

AECweb – A quais fatores você atribui o crescimento e o sucesso da Construmarket?

J. A. – Nossos números atestam que conseguimos atender bem as empresas. Indicam também que fomos capazes de oferecer boas soluções para os problemas do setor. Acredito que nossa expertise em construção e em tecnologia estão por trás de boa parte desse sucesso. O resto vem do nosso compromisso genuíno com a evolução do setor e, em especial, da dedicação incrível do nosso time de colaboradores – sempre muito elogiados pelos clientes.

As duas empresas apostam na produção de conteúdo especializado para auxiliar o desenvolvimento dos profissionais. Ao somar a audiência do Blog do Sienge, do Portal AECweb e da Galeria da Arquitetura, os portais de conteúdo do grupo passam a ter cerca de 50% do tráfego da internet brasileira em conteúdos voltados para a indústria da construção
Jorge Alvarez

AECweb – A Construmarket agora dá um grande passo com a entrada para o Grupo Softplan – um dos maiores ecossistemas de negócios SaaS e transformação digital do país. O que isso significa? E por que é um movimento estratégico?

J. A. – Sempre pensamos que a transformação digital não seria a missão de uma só empresa. E acompanhamos o trabalho da Softplan na criação de um Ecossistema Tecnológico da Indústria da Construção, liderado pelo Sienge e composto também pelo Construtor de Vendas (CV CRM), pela Prevision, eCustos, Collabo e Refera – todas líderes no Brasil. Agora poderemos impulsionar a transformação digital. O grupo permite a integração de mais de 80% da cadeia produtiva da construção civil e oferece a maior cobertura do Brasil. 

AECweb – De que forma a união da Construmarket com o Grupo Softplan pode contribuir para os clientes das plataformas? E que impacto pode gerar para o setor?

J. A. – O que nos motivou foi a sinergia de objetivos e a identidade de culturas. Somando as expertises de negócios e os excelentes resultados oferecidos pelo portfólio de produtos especialistas, esse movimento pode ser considerado um passo histórico para o setor. A união das nossas empresas no ecossistema garante a conexão entre todas as etapas do ciclo de vida de uma construção. Como estamos em um segmento historicamente fragmentado, isto vai gerar uma eficiência operacional sem precedentes. Além disso, as duas empresas acreditam que levar conhecimento para o segmento é importante e apostam na produção de conteúdo especializado para auxiliar o desenvolvimento dos profissionais. Ao somar a audiência do Blog do Sienge, do Portal AECweb e da Galeria da Arquitetura, os portais do grupo representam mais de 50% do tráfego da internet brasileira em conteúdo voltado para a indústria da construção. Juntos, vamos escalar a tecnologia, acelerar o crescimento e melhorar a qualidade de vida dos profissionais da construção.

Agora poderemos impulsionar a transformação digital. O grupo permite a integração de mais de 80% da cadeia da construção civil e oferece a maior cobertura do Brasil
Jorge Alvarez

AECweb – Como você acha que a Construmarket pode contribuir para o crescimento da Softplan, que planeja se tornar a maior plataforma MultiSaaS do país?

J. A. – A entrada da Construmarket fortalece o protagonismo do ecossistema do Sienge na integração da construção civil. Nossa união chega como algo inédito ao mercado. As soluções do grupo agora cobrem mais de 80% das demandas da cadeia produtiva. Juntos, vamos do projeto à manutenção e temos excelentes condições de garantir o sucesso na plena digitalização dos canteiros de obras. 

E, por último, o Sienge – que já é referência nacional em engenharia e construção –, entra para o segmento de Autoconstrução (que envolve corporações e indústrias), e completa seu portfólio nos setores de Projetos, Facilities e Operações. 

AECweb – Quais os pontos de sinergia entre as ferramentas da Softplan e da Construmarket? Como elas colaboram?

J. A. – Nossas soluções têm muita sinergia e a colaboração entre elas vai impulsionar a integração com bastante rapidez. Nós já tínhamos uma integração entre o Construcompras e o Sienge. De dentro do sistema os clientes utilizam o Construcompras para gerenciar suprimentos. Agora, a combinação da expertise do Construcompras e da Collabo – solução da Softplan voltada para a gestão de suprimentos –, facilitará ainda mais o processo de compra de insumos, gerando negociações mais eficientes e maior competitividade nos preços.

Também existem sinergias entre o Construmanager e o Construpoint com a Prevision, em relação às atividades de planejamento, controle de prazos e acompanhamento de obras. E, em particular, na linha de impulsionar a digitalização dos canteiros de obras, a integração entre o Construpoint e o Sienge oferece soluções para uma gestão digital, real e assertiva e para um acompanhamento online do andamento das obras. Com a integração da cadeia do projeto até a operação vamos garantir uma conexão real e eficiente em um segmento historicamente fragmentado.

AECweb – Qual o impacto dessa união nas operações da Construmarket?

J. A.  Absolutamente nada muda em nossas operações. Seguiremos com o mesmo time Construmarket, com as nossas plataformas e portais. Mas, a partir de agora, deveremos evoluir exponencialmente nossa capacidade de colaboração e de melhorias.

AECweb – Quais são as suas expectativas em relação ao futuro? Que novidades o setor pode esperar?

J. A. – A atuação em conjunto das empresas do grupo vai acelerar o processo de transformação digital. Com a entrada da Construmarket no ecossistema, ele fica completo e isso permitirá que as construtoras, imobiliárias e incorporadoras melhorem seu processo de gestão de projetos, de suprimentos e que as vantagens da tecnologia e da mobilidade cheguem também aos canteiros de obras e às operações. Com o suporte da Softplan vamos escalar nossas plataformas nacionalmente e teremos condições excepcionais para levar adiante nosso projeto de uma nova onda de inovação e tecnologia: a democratização do BIM – Building Information Modeling ou Modelagem da Informação da Construção –, o estímulo ao surgimento de prédios inteligentes com uso de IoT (Internet of things) ou Internet das coisas, e tornar realidade o Marketplace da Construção Civil Brasileira.