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Construtoras trabalham para evitar falta de mão de obra qualificada

Investimento permanente em capacitação e parceria com empreiteiros são chaves para evitar apagão de profissionais

Publicado em: 17/01/2022

Texto: Juliana Nakamura

Trabalhadores da construção civil em frente ao canteiro de obras
A escassez de mão de obra qualificada é um dos principais fatores limitativos à melhoria dos negócios (Foto: Andrey_Popov/Shutterstock)

O mercado imobiliário vive um momento de expansão, após recordes de lançamentos em 2020 e 2021 e a multiplicação da quantidade de canteiros ativos em várias localidades. Mas a limitada oferta de profissionais qualificados para atender à demanda das empresas para gestão e operação das obras acende um alerta para um possível apagão de mão de obra.

A ameaça é preocupante, visto que na indústria da construção, a fundamentação técnica é primordial, sem a qual o controle de qualidade fica comprometido.

Na última sondagem de 2021, realizada pelo FGV Ibre para o Índice de Confiança da Construção (ICST), a escassez de mão de obra qualificada apareceu como um dos principais fatores limitativos à melhoria dos negócios, um motivo de preocupação para construtoras e incorporadoras.

CONSTRUTORAS CONTRATANDO

Os trabalhadores da área técnica são os que mais sentimos falta, em especial, os que executam os serviços de campo e precisam de mais qualificação como mestres de obras, carpinteiros, gesseiros e ceramistas
Milton Bigucci Junior

“Os trabalhadores da área técnica são os que mais sentimos falta, em especial, os que executam os serviços de campo e precisam de mais qualificação como mestres de obras, carpinteiros, gesseiros e ceramistas”, comenta o diretor técnico da construtora MBigucci, Milton Bigucci Junior.

Focada nos segmentos residencial e comercial na região metropolitana de São Paulo, a MBigucci teve um pequeno incremento de sua equipe em 2021 em relação ao ano anterior. “Em 2022, contudo, a perspectiva é de uma demanda de profissionais superior a 35%, uma vez que nosso volume de obras crescerá cerca de 50%”, revela Bigucci.

Quem também está reforçando o seu time é a HM Engenharia, que ampliou sua equipe de produção em 20% no ano passado. “Em 2022, diante do crescimento no número de obras, devemos reforçar o time, saltando dos atuais 950 colaboradores (diretos e terceiros) para algo em torno de 1.300 pessoas até o final do segundo trimestre de 2022”, conta o gerente de obras, Pedro Henrique Batista.

Na HM, cerca de 75% do portfólio de produção está ligado às obras com o sistema paredes de concreto. “Por isso, nossa maior necessidade é por montadores de formas metálicas, profissionais escassos devido à quantidade de empresas que têm migrado para esse método construtivo devido à velocidade e escala de produção”, destaca Batista.

Ele conta que, perante o aquecimento do setor, a HM realizou em 2021 um trabalho para fortalecer seu relacionamento com os empreiteiros por meio do aumento do volume de trabalho e da continuidade de obras nas mesmas cidades de atuação “Desta maneira, conseguimos potencializar as produções e desenvolver novos parceiros”, conta o engenheiro.

COMO REDUZIR A ROTATIVIDADE?

Por isso, nossa maior necessidade é por montadores de formas metálicas, profissionais escassos devido à quantidade de empresas que têm migrado para esse método construtivo devido à velocidade e escala de produção
Pedro Henrique Batista

O investimento em desenvolvimento contínuo das equipes e ações para promover a retenção de talentos, mostram-se imprescindíveis para quem não quer ficar com canteiros de obras desfalcados. Essas estratégias, aliás, não devem se limitar às equipes próprias contratadas, mas estender-se também aos terceirizados.

“O investimento constante em treinamentos e na qualificação dos nossos times internos e terceirizados resulta em um maior comprometimento entre a empresa com o colaborador e vice-versa”, analisa Milton Bigucci. Segundo ele, as empresas terceirizadas, fornecedoras de mão de obra, são fundamentais para o sucesso do setor. Daí a importância de incentivos como bonificação e premiação para estas empresas sempre que atingidas algumas metas.

Em especial, para evitar que talentos sejam perdidos para a concorrência, a recomendação é criar um ambiente de trabalho onde os profissionais, em diferentes níveis, se sintam constantemente estimulados e com perspectiva de crescimento na carreira. Neste sentido, são positivas iniciativas que promovam a formação de estagiários, além de treinamentos e cursos específicos para a mão de obra.

Para dar protagonismo e valorizar os profissionais, também costumam dar resultado as ações para promoção de inovação interna e sugestão de melhorias. “No nosso caso, temos um programa que recebe ideias dos colaboradores e promove reuniões frequentes, com plano de ação e acompanhamento das sugestões. O resultado traz grande satisfação, além da valorização profissional de todos”, garante Milton Bigucci Jr.

De acordo com o Sinduscon-SP, já há relatos de empresas na capital paulista realizando o que o sindicato classifica como “concorrência excessivamente agressiva”, atraindo trabalhadores de outras construtoras com a oferta de remunerações mais altas. Na visão dos empresários, isso cria a possibilidade de inflacionar os salários, impactando o já pressionado custo da construção.

Colaboração técnica

 
Pedro Henrique Batista — Engenheiro civil com especialização em gerenciamento de projetos, administração e negócios. Com 17 anos de experiência em cargos de liderança na construção civil, é gerente de obras na HM Engenharia.
 
Milton Bigucci Junior — Engenheiro civil e advogado, é diretor técnico da MBigucci. Também é presidente da Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC e membro da Vice-Presidência de Tecnologia do Secovi-SP, representando a entidade no Comitê de Tecnologia e Qualidade do Sinduscon-SP.