Contaminação de solo: cuidados e recuperação

Depósitos de resíduos sólidos urbanos, lagoas de tratamento de efluentes industriais, vazamentos de petróleo e derivados estão entre as causas mais comuns

Publicado em: 16/09/2016

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

solo-contaminado
Solo de exploração de mina de cobre poluído (Mikadun/ Shutterstock.com)

A contaminação do solo é grave problema que não está restrito aos centros urbanos. Nas zonas rurais, também existem terrenos afetados pelos agrotóxicos, substâncias que compõem a lista das mais perigosas fontes de contaminação, assim como por metais pesados. “Os agrotóxicos colocam em risco os alimentos que consumimos. Já os metais pesados têm alto potencial cancerígeno e de causar danos neurológicos”, alerta o geólogo Vagner Roberto Elis, professor do departamento de Geofísica do Instituto de Astronomia e Geofísica da Universidade de São Paulo (IAG/USP).

Apesar de figurarem entre os que provocam maiores danos, porém, esses dois elementos não são as causas mais comuns de contaminações. Entre as mais frequentes, estão os tanques enterrados dos postos de gasolina e os depósitos de resíduos sólidos urbanos. “Outras origens são as lagoas de tratamento de efluentes industriais; a disposição de esgoto e resíduos radioativos; os vazamentos de petróleo e derivados; e os rejeitos de atividades mineradoras”, enumera o docente. Todas essas fontes provocam a entrada de substâncias contaminantes no solo.

A situação torna-se ainda mais grave quando os materiais contaminantes atingem o lençol freático e passam a se movimentar de acordo com o fluxo subterrâneo. Com isso, acabam sendo levados para áreas distantes da fonte inicial, fazendo com que os processos de avaliação da área contaminada e a remediação fiquem muito mais complexos. Evitar a contaminação do solo é ação que passa pelo descarte adequado de resíduos ou demais materiais que representam riscos. “Também falta uma política de prevenção”, considera Elis.

RECUPERAÇÃO

Antes da elaboração do projeto de remediação, deve sempre ser realizada a investigação para o diagnóstico ambiental. Nessa etapa, são identificadas as características da fonte, os tipos de contaminantes, suas concentrações, a área afetada e as propriedades do meio físico (solos, rochas e águas subterrâneas). Atualmente, existem diversas técnicas para recuperação de solos contaminados, sendo que cada uma delas adequa-se a uma determinada situação.

“Todos os solos contaminados podem ser recuperados. Mas, em geral, os custos envolvidos são elevados”, diz o professor. A equipe que atua na remediação ambiental é multidisciplinar, composta por geólogos, engenheiros civis, químicos e, mais recentemente, os engenheiros ambientais. Alguns outros especialistas, como biólogos e ecólogos, também podem auxiliar na realização da tarefa.

Todos os solos contaminados podem ser recuperados. Mas, em geral, os custos envolvidos são elevados
Vagner Roberto Elis

As variáveis que mais influenciam nos prazos do processo de recuperação são o tipo de contaminação e tamanho da área, a quantidade de contaminante, o estado físico, o tipo de solo e de rocha. “A topografia e a profundidade do lençol freático também são muito importantes”, ressalta Elis.

Durante a remediação, é realizada a verificação da eficiência do processo com uso de ferramentas de investigação. Depois que as concentrações de contaminantes chegarem aos níveis aceitos pelos órgãos ambientais, é estabelecido um sistema de monitoramento dos solos e das águas subterrâneas. “Ou seja, depois da recuperação do solo, amostras do terreno e da água são analisadas periodicamente para aferir as concentrações de contaminantes”, completa.

BIORREMEDIAÇÃO E FITORREMEDIAÇÃO

Depois da recuperação do solo, amostras do terreno e da água são analisadas periodicamente para aferir as concentrações de contaminantes
Vagner Roberto Elis

A biorremediação é o processo de redução dos contaminantes por meio da ação de micro-organismos, como fungos e bactérias. “Os seres vivos atuam na redução das substâncias, transformando-as em subprodutos menos nocivos ao meio físico”, explica o professor. Já a fitorremediação é a técnica que recupera o solo e a água por meio de degradação, extração ou imobilização dos contaminantes. Nesse caso, são empregadas espécies vegetais.

ÓRGÃOS PÚBLICOS

As agências ambientais presentes nas diversas esferas governamentais devem ser envolvidas na avaliação de solos contaminados. Em São Paulo, por exemplo, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) exerce papel importante nesse cenário. “A atuação do Ministério Público também é fundamental para requerer as providências necessárias na contenção da contaminação e efetivar os processos de remediação”, finaliza Elis.

Leia também
Remediar para construir
Biorremediação aproveita a ação de micro-organismos para descontaminar o solo

Colaboração técnica

Vagner Roberto Elis – Graduado em Geologia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e doutor em Geociências e Meio Ambiente pela mesma instituição de ensino. Atualmente, é Professor Doutor II no departamento de Geofísica do Instituto de Astronomia e Geofísica da Universidade de São Paulo (IAG/USP). Tem experiência em Geociências, atuando com Geofísica Aplicada, áreas de disposição de resíduos, Métodos Geoelétricos, Geologia Ambiental e investigação geoambiental.