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Crescem as vendas de geradores de energia no país

A adoção dos equipamentos em edifícios não é obrigatória no país, porém, a crise energética mobiliza desde proprietários de residências até condomínios residenciais e corporativos

Publicado em: 25/11/2021

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Gerador de energia
A energia produzida por geradores tende a ser mais cara do que a da rede pública (Foto: Baloncici/Shutterstock)

A crise hídrica arrastou o Brasil, em 2021, para a possibilidade de racionamento de energia e, até mesmo, de ‘apagões’. Diante dessa perspectiva, indústrias, comércio e residências correm para adquirir geradores. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), no segundo trimestre do ano, as vendas cresceram 129,27% no comparativo com os três meses anteriores. De janeiro a setembro, o aumento chegou a 40%.

Os empreendimentos que mais utilizam e se beneficiam com esse suporte de geração de energia são as indústrias, hipermercados e shopping centers. “Porém, vem crescendo a adesão de lojas e pequenos centros comerciais”, comenta Ricardo Crepaldi, mestre em Ciência e Tecnologia Ambiental e consultor internacional em facility management e sustentabilidade.

Nos edifícios residenciais e comerciais, a geração de energia alternativa é prioridade principalmente dos elevadores, para a segurança dos usuários. “Mas, é preciso atentar também para o funcionamento de todos os sistemas de um prédio, o que abrange câmeras, fechaduras magnéticas, portões de pedestres e veículos, entre outros”, afirma.

É interessante lembrar que a adoção de geradores de energia não é obrigatória no país, exceto para hospitais, conforme normas do Ministério da Saúde. “Existem poucas legislações municipais que tratam do tema, sendo que algumas incluem condomínios residenciais”, diz. É o caso de Goiânia (GO), que aprovou lei, em 2016, impondo a existência do equipamento em prédios públicos e privados. “Na Assembleia Legislativa de São Paulo, há um projeto de lei que vincula a presença de geradores para liberação do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB)”, fala.

Projeto

O cabeamento para geradores é de bitola elevada e, portanto, bastante caro. Assim, quanto mais próximo ao barramento, maior a economia
Ricardo Crepaldi

A aquisição ou locação de geradores exige projeto técnico elétrico detalhado e a devida Assinatura de Reponsabilidade Técnica (ART). Deve prever a instalação o mais próximo possível da cabine primária de entrada de energia da rede, na área frontal do prédio ou no subsolo. “O cabeamento para geradores é de bitola elevada e, portanto, bastante caro. Assim, quanto mais próximo ao barramento, maior a economia”, ensina.

Os equipamentos disponíveis no mercado se diferenciam pelo tipo de alimentação da combustão: a gasolina, óleo diesel e gás, que pode ser o GLP ou o natural.

Gerador a diesel

Crepaldi explica que os movidos a diesel são os mais utilizados por gerarem mais energia, serem duráveis e de baixa manutenção. “Porém, se não forem adequadamente regulados e mantidos, podem causar barulho em excesso, fumaça e gases tóxicos”, alerta. O projeto deve prever a hospedagem do gerador a diesel em local dotado de isolamento acústico e saída de gases bem estudada.

“Para evitar a emissão de gases tóxicos, como o monóxido de carbono, é mandatório o tratamento correto do motor. O escapamento deve estar situado a uma altura adequada, superior a 3 metros do solo – ou mais, dependendo do local –, e longe das janelas dos apartamentos. Cabe ao projeto estabelecer o uso de catalisadores ou lavadores de gases a base d'água, ou dos dois recursos simultaneamente”, ensina.

Gerador a gasolina

Portáteis, os geradores movidos a gasolina produzem pouca energia, o suficiente para atender algumas lâmpadas e uma geladeira. São muito utilizados em campings e pequenas casas em locais isolados, acampamento de pescarias, por exemplo.

Gerador a gás natural

A melhor opção é o equipamento a gás natural, porém tem maior custo. “Apresenta pouco desgaste e é mais limpo. Por isso, está presente em vários edifícios corporativos”, destaca Crepaldi, que cita o exemplo o Pátio Malzoni, localizado na avenida Faria Lima (SP), que possui um grupo de geradores a gás natural responsável pela produção de 100% da sua energia.

Valores e projeto

Com um bom projeto, o gerador pode se pagar em poucos anos
Ricardo Crepaldi

A energia produzida por geradores tende a ser mais cara do que a da rede pública. Esses custos e o payback de cada um dos tipos de geradores dependem de cada caso, inclusive se a geração de energia de suporte for prevista para uso emergencial ou constante. E, ainda, dos programas internos de eficiência energética e composição com outras fontes, como a fotovoltaica. “Com um bom projeto, o gerador pode se pagar em poucos anos”, comenta e opina que, muito além do financeiro, o investimento na compra ou locação é fundamental para uso emergencial, quando se trata da segurança.

De acordo com Crepaldi, a melhor opção para os edifícios residenciais se protegerem em um eventual apagão está na configuração de um conjunto de ações. “Um bom plano de eficiência energética envolve o uso de energia fotovoltaica e lâmpadas inteligentes (sensores) e econômicas de LED. Deve ser aliado a um projeto adequado de gerador com atenuação de ruídos, boa localização para carregamento de combustível, filtros e/ou catalisadores para os gases e uso de gás natural se possível. Se não, é possível aderir aos geradores a diesel, trabalhando com diesel S10 – o mais limpo para essa atividade frequente”, conclui.

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Colaboração técnica

Ricardo Crepaldi
Ricardo Crepaldi – Dupla graduação em Química, especialista em Engenharia Ambiental pela USP e mestre em Ciência e Tecnologia Ambiental. É professor, pesquisador e consultor internacional em facility management e sustentabilidade. Em 34 anos de atuação profissional, mais de 23 anos dedicados à alta gestão (Brasil, América do Sul, LATAM e Oriente Médio) nas empresas Boehringer, Ambev e General Motors. É sócio-diretor da Crepaldi, diretor da Latam Urbest e diretor técnico da milliCare Brasil. Presidente da subseção do Centro Paulista e coordenador da Câmara Técnica de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES-SP); presidente regional para América do Sul pelo Conselho das Américas da International Facilities Management Association/EUA (IFMA); representante do Brasil no TC 267 dentro do WG4 na International Standard Organization (ISO); secretário no GT 41001, 41012 e 41014 do CEE 267 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), entre outras atividades associativas e de ativismo.