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Da fundação à estrutura: prédios e pontes devem passar por inspeções

A prevenção é o melhor caminho para evitar que as estruturas de pontes e viadutos sejam afetadas pelos efeitos do meio natural e causem acidentes com o passar dos anos

Publicado em: 26/11/2014Atualizado em: 13/06/2019

Texto: Redação PE

O Brasil é um país que não tem cultura de investir na inspeção e manutenção periódica das estruturas de pontes e prédios. Os prejuízos acabam sendo evidentes, se não há preservação do capital investido, os custos vão muito além da reconstrução de obras degradadas e a sociedade contabiliza prejuízos de tragédias como quedas de prédios e pontes deteriorados pela corrosão das estruturas.

De acordo com o engenheiro Jarbas Milititsky, presidente do comitê técnico do SEFE 8 – 8º Seminário de Engenharia de Fundações Especiais e Geotecnia e 2ª Feira da Indústria de Fundações e Geotecnia, tudo o que é construído pelo homem tem vida útil, que pode ser aumentada de acordo com inspeções e manutenções específicas.

Embora esses acidentes não estejam diretamente relacionados à fundação, sabe-se que esta é a parte vital de uma edificação e também pode sofrer os efeitos do meio natural. “A prevenção é o melhor caminho para o país não perder dinheiro nem vidas humanas”, defende ele, que também é autor do livro “Patologia das Fundações” (Oficina dos Textos).

“Os elementos utilizados nas fundações de obras de engenharia sofrem agressões do meio físico e devem passar por manutenções em prazos estabelecidos, mas ainda não são priorizadas por instituições governamentais e grandes proprietários”, explica Jarbas.

Para ele, não adianta apenas investir na construção de prédios residenciais, industriais, comerciais e pontes, ou seja, prover o país de infraestrutura, mas principalmente melhorar a qualidade das estruturas, obras de arte e edificações antigas, fazer inspeções técnicas periódicas nas fundações e em toda a estrutura, primando pela conservação.

Portal dos Equipamentos – Quais sintomas as edificações apresentam quando há patologias na parte de fundação?

Jarbas Milititsky – Existe uma evolução de sintomas. Aparecem deformações e trincas (que podem ou não estarem diretamente relacionadas à fundação). Mas numa ponte, por exemplo, os sintomas não são perceptíveis inicialmente, não há como saber se um dos apoios afundou 5cm. Nesses casos, como a parte de fundação está o tempo todo exposta à degradação e ação corrosiva da água ou do solo, essas edificações devem passar por inspeções técnicas em prazos estabelecidos, e intervenções quando necessárias.

PE – O que é necessário ser feito quando há suspeita de que um prédio está torto ou uma ponte desnivelada?

Jarbas – Sempre que for identificada a suspeita, deve ser solicitada a presença de uma empresa especialista em fundação ou edificação, e não “generalistas”, ou seja, aquelas pessoas que dizem entender de tudo sobre engenharia. Deve ser solicitada uma análise técnica que confirme a suspeita de irregularidade na fundação e, caso for constatada, dê ideia do grau do problema, dos riscos, e aponte as soluções a serem tomadas.

PE – É possível fazer manutenções ou alterações na fundação de um prédio antigo sem desocupá-lo nem comprometer a segurança dos moradores?

Jarbas – Sim, mas depende da gravidade do problema. Podemos fazer uma analogia com o corpo humano, onde sabemos que há patologias que podem ser sanadas sem a necessidade de internação. Da mesma forma que um prédio pode passar por intervenções na fundação sem precisar ser desocupado. Mas, se essa interferência oferecer risco aos moradores ou puder acarretar em danos nas estruturas, o prédio deve ser desocupado. Uma ponte deve ser interditada quando passa por reforço na parte de fundação, em casos onde há riscos.

PE As fundações de pontes correm risco de deterioração? Há épocas pré-determinadas para se fazer intervenções de manutenção?

Jarbas – Existem estruturas suscetíveis à degradação, como fundações de pontes sobre rios, mares, de áreas portuárias, instalações industriais, especialmente na área de fertilizantes, celulose e papel, e de outros produtos. Por isso, é aconselhável que haja um programa de minimização de patologias que prime pela qualidade do projeto, da execução e as condições do meio onde são construídos.

A sociedade deve estar ciente de que as inspeções nas estruturas bem como as intervenções técnicas de manutenção e revitalização devem ser feitas com periodicidade a partir de um tempo estabelecido, da mesma forma que uma pessoa precisa passar por exames de rotina a partir de uma certa idade.

Colaborou para esta matéria

 
Jarbas Milititsky – presidente do comitê técnico do SEFE 8 – 8º Seminário de Engenharia de Fundações Especiais e Geotecnia e 2ª Feira da Indústria de Fundações e Geotecnia,