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Demolição mecanizada prioriza tesouras e pulverizadores de mandíbulas

Para a instalação do modelo correto, é preciso levar em conta o tipo de estrutura a ser demolida e o equipamento portador

Publicado em: 15/12/2017

Texto: Redação PE


As tesouras e pulverizadoras de demolição possuem acionamento hidráulico, com giro de 360 graus (Divulgação/ Getefer)

As tesouras e pulverizadores de mandíbulas são implementos instalados em escavadeiras ou retroescavadeiras para demolição de edificações, desmonte de estruturas de concreto armado e de aço e trituração de entulho. Esses equipamentos podem ser instalados tanto em escavadeiras convencionais, quanto nas escavadeiras Long Reach Boom (LRB), ou seja, de braço longo. Há também a possibilidade de utilizá-los em guindastes ou gruas para desmonte de estruturas altas, como silos, caixas d’água ou chaminés.

Para a instalação do modelo correto de tesoura ou pulverizador de demolição, é preciso levar em conta o tipo de estrutura a ser demolida e o equipamento portador. Normalmente, busca-se utilizar a maior tesoura ou pulverizador possível que uma escavadeira consiga comportar com eficiência, de forma que a tarefa seja executada no menor tempo, com baixo custo operacional.

Para o perfeito funcionamento das tesouras de demolição, por exemplo, é necessário utilizar um kit hidráulico apropriado, capaz de acionar os movimentos de abertura e fechamento das mandíbulas, além do giro, que chega a 360 graus. A capacidade hidráulica do equipamento portador e sua capacidade de lifting são determinantes. Normalmente, os implementos operam com pressões altas para fornecer elevada força de fechamento das mandíbulas. A faixa de 350 bar é a ideal, porém, valores um pouco mais baixos também resultam em performance aceitável.

TESOURA DE DEMOLIÇÃO

O desmonte produzido pelas tesouras demolidoras é a partir do cisalhamento, com precisão em pontos isolados. Elas operam com duas mandíbulas móveis e dois cilindros hidráulicos e possuem, em cada mandíbula, uma seção com facas simétricas para o corte de aço e concreto.

O método de percussão dos rompedores hidráulicos é eficiente quando a estrutura a ser demolida tem massa espessa para interagir com as ondas de choque
Marcos Schmidt

“Esse equipamento possibilita ação seletiva, proporcionando demolições praticamente sem impacto em estruturas adjacentes”, explica Marcos Schmidt, gerente de produto da divisão de construção da Atlas Copco Brasil. “Em modelos conhecidos, como combinados, o processo de corte permite seccionar, em um único movimento, vigas e elementos de concreto armado ou perfis de aço”, descreve.

As tesouras tipo scrap cutter são aplicadas em desmontes de estruturas complexas de aço e também no trabalho em sucata. Possuem uma única mandíbula móvel e um cilindro de grande porte, o que as torna adequadas para o desmonte de estruturas metálicas complexas, como silos, chaminés, aviões, caçambas, entre outras. As scrap cutter fazem o cisalhamento com as três faces internas das mandíbulas.

TESOURAS X ROMPEDORES HIDRÁULICOS

Devido à sua capacidade de cisalhamento em pontos isolados, as tesouras são mais vantajosas que os rompedores hidráulicos de demolição em características como rapidez e baixa emissão de ruído. “O método de percussão dos rompedores hidráulicos é eficiente quando a estrutura a ser demolida tem massa espessa para interagir com as ondas de choque. Por exemplo, uma sapata de concreto é facilmente demolida por rompedor hidráulico, mas não uma parede, que, embora seja mais frágil ao furo do ponteiro do rompedor, dificulta a propagação da trinca originada pela onda de choque”, compara Schmidt.

Roberto Fonseca, gerente comercial da Machbert, explica que, além de emitir maior ruído, um rompedor hidráulico ocupa maior área de espalhamento do entulho gerado na demolição – todavia, é mais produtivo. “A tesoura possibilita maior controle sobre o resíduo, diminuindo os riscos e sendo ideal para trabalhos que exigem detalhes, precaução e vulnerabilidade”, diz. Elas são indicadas para demolições que requerem maior controle do desmonte, em áreas restritas ou estruturas que devem ter alguns pontos preservados.

As tesouras do tipo “Buster”, com dois cilindros e grande abertura frontal das mandíbulas, possuem capacidade de quebra do concreto similar à dos rompedores hidráulicos, mas não têm potente ação de cisalhamento como outros modelos. Esse tipo de tesoura é utilizado para desmontes em centros urbanos e em locais com baixa tolerância a ruídos.

PULVERIZADOR DE DEMOLIÇÃO

Os pulverizadores de demolição fazem o desmonte secundário, ou seja, esmagam as peças de concreto armado já removidas da edificação, separando a ferragem para o processo de reciclagem. “Existem modelos de pulverizadores que também executam o desmonte primário, tendo desenho apropriado para o ataque frontal, condição vital para o posicionamento correto do veículo portador em relação à edificação”, explica Marcos Schmidt, da Atlas Copco.

O operador precisa ser treinado para realizar trabalhos de demolição e receber orientações básicas da operação do implemento, pelo fornecedor
Roberto Fonseca

“O pulverizador possui apenas uma mandíbula móvel e um único cilindro de grande porte. A força elevada de fechamento e as mandíbulas mais largas definem esta aplicação principal para esmagamento”, complementa Schmidt. Os equipamentos de mandíbulas combinados para corte e esmagamento possuem boa versatilidade de aplicação, mas modelos de múltiplas funções podem ter reduzida capacidade operacional.

Tanto os pulverizadores como as tesouras de demolição são operados através de joysticks ou de pedaleiras, instalados na cabine da escavadeira. “O operador precisa ser treinado para realizar trabalhos de demolição e receber orientações básicas da operação do implemento, pelo fornecedor”, finaliza Roberto Fonseca, da Machbert.

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COLABORAÇÃO TÉCNICA

Marcos Schmidt, gerente de produto da divisão de construção da Atlas Copco Brasil
Roberto Fonseca, gerente comercial da Machbert