Construção civil x dengue | Quais cuidados nos canteiros de obras?

Neste início de 2024, a dengue já é considerada epidêmica em vários estados brasileiros. Todo esforço deve ser empregado na eliminação de focos do vírus na construção civil. Confira recomendações

Publicado em: 23/02/2024

Texto: Hosana Pedroso

(Foto: IMRON HAMSYAH/Adobe Stock)

(Foto: IMRON HAMSYAH/Adobe Stock)

A construção civil e os canteiros de obras são altamente propícios ao acúmulo de água e, portanto, à disseminação da dengue. Barrar o avanço da doença depende principalmente de ações de controle dos focos. Atento ao problema de saúde pública, o Seconci-SP (Serviço Social da Construção) vem oferecendo palestras com objetivo de conscientizar as equipes quanto à gravidade da situação e os cuidados na prevenção.

As principais recomendações para evitar a propagação da dengue nos canteiros de obra da construção civil são:

  • Prevenir permanentemente o acúmulo de água, pois os ovos da fêmea do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da dengue, se desenvolvem em recipientes de todos os tamanhos, desde reservatórios até baldes e tampinhas de garrafas.
  • Prestar atenção a locais como bolsões formados por lonas, carrinhos de mão, betoneiras, lajes e fossos de elevadores.
  • Verificar todos os locais da obra, principalmente as áreas onde os trabalhadores já não estão mais mexendo todos os dias.
  • Manter recipientes sempre limpos e tampados, uma vez que os ovos depositados poderão se manter vivos por mais de um ano, esperando pela água para se desenvolverem.
  • Instituir uma rotina de rondas diárias de inspeção e abordar a prevenção nos Diálogos Diários de Segurança.
  • Ficar atento a possíveis criadouros no entorno da obra, como em terrenos baldios e residências desocupadas, e acionar a prefeitura para que entre em contato com o responsável pelo local.

Leia também:

Economia de água no canteiro de obras
Como garantir eficiência hídrica aos canteiros de obras?
Como fazer instalações hidráulicas provisórias no canteiro de obras?

Cuidados contra dengue na construção civil

Com mais de 4 mil unidades em construção distribuídas por 16 canteiros simultaneamente em sete cidades do interior de São Paulo, o Grupo ADN investe na redução dos riscos e na proteção dos funcionários. O engenheiro Diego Piva, gerente-executivo de Excelência Operacional, identifica como pontos mais críticos da obra que tendem a acumular água as áreas como valas de drenagem, recipientes de embalagens, como latas e baldes, e até mesmo equipamentos e materiais estocados da obra. Ele cita, ainda, eventuais locais com vazamentos de água, caixas d´água destampadas e áreas de descarte de resíduos, entre outros.

“Lidar com a contenção da transmissão da dengue no dia a dia requer uma abordagem abrangente e proativa. Em nosso cotidiano, adotamos uma série de medidas preventivas para minimizar o risco de proliferação do mosquito transmissor. Isso inclui ações como eliminar possíveis criadouros de mosquitos, promover a conscientização entre os colaboradores sobre as medidas preventivas, como o uso de repelentes e roupas adequadas, e manter a limpeza e higiene em todas as áreas de trabalho”, explica.

É preciso, segundo ele, que exista no canteiro de obras uma cultura de responsabilidade compartilhada em relação à identificação e prevenção de possíveis focos. Isso envolve diversos profissionais, com destaque para a equipe de limpeza, mestre de obras, engenharia, técnico de segurança do trabalho e até mesmo os estagiários.

Mosquito da dengue(Foto: tacio philip/Adobe Stock)

“Embora todos os membros da equipe tenham um papel a desempenhar nesse aspecto, esses são os grupos que estão mais diretamente envolvidos na supervisão e implementação das medidas preventivas”, relata Piva.

Ele assegura que existe uma forte cultura dentro da equipe de limpeza em relação aos cuidados com a água estagnada. “Nossa equipe compreende a importância de evitar a criação de ambientes propícios para a proliferação de mosquitos transmissores da dengue. Todos os membros da equipe estão comprometidos em realizar suas tarefas de limpeza de forma diligente, especialmente quando se trata de áreas onde a água pode acumular e se tornar um potencial foco de reprodução de mosquitos”, diz.

Semanalmente, a empresa realiza orientações por meio do DSS (Diálogo Semanal de Segurança), destacando a importância da precaução em relação aos possíveis pontos de foco de dengue, discutindo as consequências que podem surgir e fornecendo orientações sobre como evitá-las. “Incentivamos ativamente os colaboradores a levarem esses cuidados e precauções para casa, garantindo a segurança não apenas no ambiente de trabalho, mas também em suas residências”, relata Piva.

Dengue, sintomas e tratamento

O Seconci-SP lembra que o vírus da dengue é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti e tem como principais sintomas: febre alta, dor de cabeça, nas articulações e atrás dos olhos, náuseas, tontura, cansaço extremo, manchas pelo corpo e perda de apetite e paladar.

Não há apenas uma forma da doença, mas quatro variações do vírus. A pessoa que foi infectada ficará imune apenas àquele tipo da doença, portanto, poderá contrair até quatro vezes a dengue. Os sintomas são iguais, exceto o do vírus tipo 4, hemorrágico e mais grave, podendo levar a óbito.

“Os primeiros sinais costumam aparecer de dois a nove dias após o contágio, que é o período de incubação da doença. Já a detecção da dengue ocorre por meio de exame de sangue, realizado preferencialmente a partir do sexto dia de contaminação, quando os resultados são mais conclusivos”, informa a entidade.

Como não há cura para a dengue, o tratamento se baseia na atenuação dos sintomas e na hidratação do paciente. Um alerta importante do Seconci-SP é: “não devem ser usados medicamentos à base de ácido acetil salicílico e anti-inflamatórios, como aspirina e ibuprofeno, pois podem aumentar o risco de hemorragias”.

Colaboração técnica

Diego Piva – É formado em Engenharia Civil e de Segurança pelo Centro Universitário Central Paulista e pós-graduado em Gestão Estratégica de Pessoas – Desenvolvimento Humano de Gestores pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Com mais de 16 anos dedicados à segurança do trabalho, atualmente também liderando a área de qualidade, tecnologia, processos e projetos, desempenha a função de gerente-executivo de Excelência Operacional no Grupo ADN.