Desmoldantes aumentam durabilidade e reaproveitamento das fôrmas de concreto

Tipologia do molde e aspecto final da estrutura influenciam a escolha do desmoldante. Entenda

Publicado em: 15/10/2020

Texto: Juliana Nakamura

desmoldantes
Os desmoldantes podem proporcionar melhor aspecto superficial do concreto (foto: shutterstock/AXL)

Insumos imprescindíveis em obras que envolvem estruturas de concreto moldado in loco, os desmoldantes são líquidos à base de óleos puros ou emulsões. Esses produtos têm como objetivo principal criar uma película fina entre as fôrmas e o concreto, evitando a aderência entre os materiais e facilitando o processo de desforma.

Quando bem aplicados, os desmoldantes prolongam a vida útil dos moldes. Eles podem proporcionar, ainda, outros ganhos, como melhor aspecto superficial do concreto e maior produtividade no canteiro.

MÚLTIPLAS ALTERNATIVAS

A indústria oferece produtos para diferentes tipologias de fôrmas, das mais absorventes (madeira) às mais estanques (alumínio).

Na hora de escolher um desmoldante, deve-se levar em conta a matéria-prima que compõe o molde. Bruno Pacheco, executivo de marketing da Vedacit, explica que “os produtos compostos por óleos puros são indicados para metal, plástico e madeira. Já os que têm como base óleos emulsionados com água, devem ser aplicados junto à madeira e plástico, pois podem gerar oxidações em elementos de metal”.

Também é importante considerar o acabamento que se espera da estrutura. “Elementos de concreto aparente, por exemplo, exigem soluções que garantam uma superfície mais uniforme, sem manchas ou rugosidades”, salienta Heloísa Cordon, professora da Escola de Engenharia Mauá.

Segundo Cordon, outro ponto que não pode ser negligenciado é a facilidade de uso. Há desmoldantes que são aplicados com rolo ou com trincha e aqueles que são aspergidos. A recomendação é dar preferência para um produto que tenha um método de aplicação familiar ao construtor. De modo geral, o desmoldante borrifado tende a formar uma película mais homogênea.

Seja qual for a solução utilizada, é fundamental que o desmoldante apresente fácil espalhamento e tenha boa capacidade de recobrimento. Um bom produto é aquele que, além de impedir a aderência dos moldes com o concreto, não gera resíduos indesejados na superfície, não altera as características do concreto, e não degrada os moldes.

CUIDADOS NO CANTEIRO

Embora simples, a aplicação de desmoldantes requer algumas boas práticas. Elas começam com o preparo correto da superfície que receberá o produto e que precisa estar limpa e seca, livre de poeira ou de restos de concreto.

Para garantia de desempenho, o desmoldante deve ser aplicado homogeneamente em uma quantidade tal que forme uma película fina, bem aderida, sem escorrer. O uso em excesso é indutor de manchas e de bolhas de ar na superfície. Já a aplicação escassa pode comprometer a desforma, gerando danos superficiais ao concreto e às formas.

A matéria-prima e o estado físico dos moldes impactam diretamente a taxa de diluição dos desmoldantes. Para se ter uma ideia, um produto composto por óleo mineral emulsionado deve ser diluído em cinco partes de água quando aplicado sobre madeira bruta e fôrmas resinadas. O mesmo desmoldante pode ser diluído em dez partes de água quando o painel for de compensado ou material plástico.

Uma vez concluída a desforma, os resíduos de produto eventualmente aderidos ao concreto devem ser removidos, sob o risco de comprometer o desempenho do revestimento aplicado posteriormente. Esse serviço pode ser feito de maneira mecânica, por escovação e jatos de água em alta pressão, ou com o apicoamento do concreto.

DESMOLDANTES BIODEGRADÁVEIS

O uso correto do desmoldante está associado a práticas sustentáveis e à menor geração de resíduos. “Ele permite maior taxa de reutilização das formas, uma vez que a facilidade no momento da desforma evita deformidades”, comenta Heloisa Cordon.

Também com foco em redução de impactos ambientais, já há no mercado desmoldantes biodegradáveis com baixa emissão de compostos orgânicos voláteis. Por não empregarem derivados de petróleo, esses produtos não são inflamáveis e, por serem atóxicos, exigem menos cuidado com relação à segurança no trabalho.

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