Dicas para construir estruturas e edificações resistentes a tufões

Atendimento às normas técnicas é imprescindível para se ter construções capazes de suportar ventos fortes, tufões e tremores de terra. Veja outros cuidados e boas práticas

Publicado em: 13/02/2020Atualizado em: 05/08/2022

Texto: Juliana Nakamura

edificações resistentes a ventos fortes
As edificações brasileiras precisam ser capazes de suportar ventos fortes, chuvas intensas e tremores leves (foto: Sushiman/shutterstock)

De tempos em tempos, fenômenos meteorológicos extremos colocam em evidência a qualidade e a segurança das edificações. No Japão e em algumas regiões dos Estados Unidos, por exemplo, onde há alta incidência de atividade sísmica e de tempestades tropicais, edifícios e obras de infraestrutura são concebidos e construídos com tratamento especial para resistir a essas ocorrências.

No Brasil, ainda que estes fenômenos sejam mais raros, as edificações também devem ser capazes de suportar ventos fortes, chuvas intensas e tremores leves.

Os fenômenos meteorológicos estão intrinsecamente ligados aos carregamentos utilizados para o dimensionamento de qualquer tipo de estrutura, independente do país onde isso ocorra
Luiz Aurélio Fortes da Silva

“Os fenômenos meteorológicos estão intrinsecamente ligados aos carregamentos utilizados para o dimensionamento de qualquer tipo de estrutura, independente do país onde isso ocorra", comenta o engenheiro Luiz Aurélio Fortes da Silva, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade da Abece (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural). Ele explica que, em todo o mundo, ações como furacões, tufões e terremotos estão diretamente incorporados ao texto das normas técnicas através da velocidade básica do vento ou de acelerações e espectros de resposta.

ESTRUTURAS PARA RESISTIR VENTOS FORTES

No Brasil, a ação do vento sobre as estruturas deve ser calculada de acordo com a ABNT NBR 6123 “Forças devidas ao vento em edificações”, atualmente em revisão. O texto indica as condições mínimas exigíveis na consideração das forças devidas à ação estática e dinâmica do vento.

O texto técnico leva em conta uma série de fatores, entre eles, as características da edificação, a velocidade básica do vento na região, além dos fatores topográfico (se terreno plano, em aclive etc.) e de rugosidade do terreno (tipo e altura dos obstáculos à passagem do vento).

O cálculo é influenciado, ainda, pelo coeficiente de pressão externa e interna, este último, relacionado com as dimensões e localizações das aberturas no edifício. Também entra na conta o fator estatístico, que depende do uso destinado à edificação e que considera o grau de segurança requerido e a vida útil estimada. Segundo a norma, por exemplo, instalações industriais com baixo fator de ocupação têm fator estatístico menor do que edifícios residenciais e comerciais com alta ocupação.

O texto da ABNT NBR 6123 sugere a realização de estudos técnicos mais refinados dependendo do porte da edificação e dos dados disponíveis para uma região. “Hoje em dia, empresas mais preocupadas com a assertividade dos projetos têm realizado estudos de velocidade de vento local e também ensaios em túnel de vento", comenta Silva, lembrando que as ações de vento costumam ser mais relevantes na região sul do país e no interior de São Paulo.

VENTOS INTENSOS

No Brasil, não há histórico de furacões e tufões. Mas um fenômeno importante e para o qual as edificações brasileiras precisam estar preparadas é o downburst, vento de grande intensidade e junto ao solo que, a partir de determinado ponto, sopra de forma radial. O downburst é preponderante na região sul e sudeste e impacta, sobretudo, as estruturas de cobertura (especialmente em galpões) e os sistemas de caixilhos.

Em geral, as normas técnicas sobre ação de vento em estruturas não contemplam esse tipo de evento. No entanto, "a revisão da  NBR 6123 deve prever a inclusão do downburst, que já está no escopo da revisão que está em curso", comenta Luiz Aurélio Silva, da Abece.

MOVIMENTAÇÃO DE TERRA

As normas já incluem estes efeitos na definição de seus parâmetros. Basta segui-las
Luiz Aurélio Fortes da Silva

No caso de abalos sísmicos, a possibilidade de ocorrência no Brasil é ainda menor e está mais localizada na região nordeste, principalmente nos estados do Ceará e Rio Grande do Norte, e na fronteira brasileira com os países andinos. Ainda assim, as estruturas devem ser concebidas para que, mediante a ação de tremores mais frequentes e de menor intensidade, apresentem resistência e rigidez suficientes para controlar satisfatoriamente os deslocamentos e evitar danos.

Segundo Silva, a utilização correta das normas existentes, incluindo o correto dimensionamento de estruturas, contraventamentos, vedações e coberturas, já é o bastante para tornar as estruturas seguras aos efeitos meteorológicos extremos. “As normas já incluem estes efeitos na definição de seus parâmetros. Basta segui-las", conclui o engenheiro.

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Colaboração técnica

Engenheiro civil Luiz Aurélio Fortes da Silva
Luiz Aurélio Fortes da Silva – Engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia de Volta Redonda, é vice-presidente de Tecnologia e Qualidade da Abece (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural). Atua em avaliação e certificação de projetos e é sócio da SIS Engenharia. Também é engenheiro de suporte técnico da TQS Informática.