Dicas para envidraçamento de varandas: do projeto à instalação

Desde a especificação do sistema ideal até a finalização da instalação, o procedimento deve ser acompanhado por uma equipe qualificada. Entenda

Publicado em: 03/03/2020Atualizado em: 04/03/2020

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Projeto de iluminação em residências
Todo o conjunto para envidraçamento de varandas deve passar por ensaios laboratoriais que comprovem o seu desempenho (Foto: Marina Pousheva/ Shutterstock)

O uso de vidros para fechamento de varandas deve atender a diferentes critérios, como o respeito às normas técnicas e ao regulamento do condomínio. A garantia da qualidade e segurança na instalação do sistema começa no projeto, elaborado de acordo com as particularidades de cada empreendimento e análise cuidadosa do imóvel.

De vez em quando, algumas pessoas reclamam que a área se transforma em uma espécie de estufa após o fechamento, situação que pode ser evitada com a aplicação de vidro de controle solar
Fernando Westphal

“De vez em quando, algumas pessoas reclamam que a área se transforma em uma espécie de estufa após o fechamento, situação que pode ser evitada com a aplicação de vidro de controle solar”, destaca o engenheiro Fernando Westphal, consultor da Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro). Segundo ele, esse tipo de produto é encontrado com maior frequência em esquadrias e fachadas cortinas de edifícios coorporativos.

Nessas obras devem sempre ser usados vidros de segurança, como os temperados e laminados. “No caso de quebra, o laminado mantém os cacos presos na película de polivinil butiral (PVB)”, comenta Westphal. Já o temperado fragmenta-se em pedaços pequenos e menos cortantes. A especificação do vidro tem que considerar ainda o desempenho em relação à pressão do vento e o cálculo das dimensões e espessuras das peças.

Além de auxiliar na definição do melhor tipo de vidro para compor o sistema, a presença de profissionais especializados na etapa de planejamento permite que todas as principais variáveis sejam, de fato, analisadas. O arquiteto é capaz de estudar as demandas e necessidades do morador para avaliar se realmente vale a pena o envidraçamento.

Embora seja opção que amplie o ambiente, perde-se aquela questão da varanda como área externa do apartamento, que é uma herança arquitetônica brasileira bem interessante
Ernani Maia

“Embora seja opção que amplie o ambiente, perde-se aquela questão da varanda como área externa do apartamento, que é uma herança arquitetônica brasileira bem interessante”, opina o arquiteto Ernani Maia, diretor da Maia Arquitetura. Ele lembra que, para garantir a privacidade desses espaços, algumas soluções podem ser pensadas. “Normalmente, telas solares ou blackouts. Também há as cortinas convencionais se o envidraçamento está incorporado à sala de estar”, diz.

Ensaios laboratoriais

Todo o conjunto para envidraçamento de varandas deve passar por ensaios laboratoriais que comprovem o seu desempenho. Entre as características avaliadas estão o comportamento sob ações repetidas de abertura e fechamento; impacto de corpo mole; resistência às cargas uniformemente distribuídas para simular a ação do vento; e resistência à corrosão. Esses laudos podem ser solicitados aos fornecedores.

Instalação

Após definir o tipo de vidro que será utilizado e as demais características do sistema, a execução do projeto deve seguir as determinações da ABNT NBR 16259 — Sistemas de envidraçamento de sacadas — Requisitos e métodos de ensaio. “A instalação do envidraçamento de sacadas é etapa fundamental na garantia de seu desempenho”, destaca Clélia Bassetto, analista de normalização da Associação Brasileira de Vidros Planos (Abravidro).

O trabalho tem início na preparação da área, com a verificação do prumo e nível do vão acabado, além da remoção de possíveis resíduos que interfiram na colocação dos perfis. A fixação mecânica é feita com parafusos de material inoxidável, entre alumínio-alvenaria e alumínio-alumínio. Os parafusos têm que ser adequados (espessura e tamanho) à necessidade de fixação dos perfis (diâmetro e comprimento). O profissional responsável pela tarefa precisa se certificar que os parafusos alcançam a viga e/ou concreto, possibilitando a correta ancoragem do sistema.

A ABNT NBR 16259 também define os espaçamentos dos elementos de fixação. Por exemplo, em sacada reta, o espaçamento entre os elementos de fixação do perfil de fixação e do trilho superior deve ser de, no máximo, 500 mm, sendo que, na zona de recolhimento (estacionamento) dos painéis, a distância entre eles tem que ser de 70 mm, no máximo. Em sacada curva, o espaçamento entre os elementos de fixação deve obedecer a seguinte regra: a cada 50 mm da emenda do perfil, é usado um elemento de fixação. Quando essa seção for maior que 500 mm, a norma manda seguir a orientação da sacada reta.

Etapa importante do procedimento é a vedação. Antes de dar início a essa fase, a equipe responsável precisa assegurar que a superfície esteja totalmente limpa e seca. “É recomendado o uso de selantes de cura neutra. Além disso, devem ser vedados todos os encontros dos perfis com a alvenaria, bem como as suas emendas”, afirma Bassetto, lembrando que na fixação inferior é preciso vedar os furos e elementos de fixação.

O sistema de envidraçamento de sacadas tem que conter travas de segurança para os painéis, quando recolhidos. “Elas devem manter a integridade do conjunto em caso de esforços ou impactos, e sua existência precisa ser comprovada visualmente”, destaca Bassetto. Quando a solução é instalada sobre guarda-corpos, é preciso atender também o que diz a ABNT NBR 14718 — Guarda-corpos para edificação.

O fornecedor do envidraçamento de sacada se torna responsável pelo guarda-corpo quando a execução é sobre essa estrutura, mesmo que tenha sido instalada por outra empresa
Clélia Bassetto

“O fornecedor do envidraçamento de sacada se torna responsável pelo guarda-corpo quando a execução é sobre essa estrutura, mesmo que tenha sido instalada por outra empresa”, informa Bassetto. Durante todo o trabalho, os profissionais envolvidos devem estar trajando os equipamentos de proteção individual (EPIs), como cintos de segurança, óculos, bota, mangote e luva.

Enquanto o envidraçamento está sendo instalado, é importante utilizar cones e faixas de demarcação no piso térreo para assegurar o isolamento da região. Essa ação impede a circulação de pessoas nas proximidades e evita acidentes causados por quedas de ferramentas ou materiais. Encerrada a execução, é recomendado que a equipe faça a limpeza da área e oriente os moradores sobre os procedimentos de manutenção do fechamento em vidro — que geralmente envolvem apenas a higienização com água e sabão neutro.

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Colaboração técnica

Arquiteto Guinter Parschalk
Fernando Westphal — Professor Associado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no Departamento de Arquitetura e Urbanismo. Possui graduação (1999), mestrado (2003) e doutorado (2007) em engenharia civil pela UFSC, com ênfase em eficiência energética e simulação computacional do desempenho de edificações. Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFSC e pesquisador no Laboratório de Conforto Ambiental. Possui mais de 50 artigos técnicos publicados sobre eficiência energética em edificações e participação como consultor em mais de 80 projetos de edifícios comerciais de alto desempenho ambiental. Autor do livro “Manual Técnico do Vidro Plano para Edificações”, publicado em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro).
Arquiteto Guinter Parschalk
Ernani Maia — Graduado e pós-graduado pela Belas Artes de São Paulo, mestre pela Universidade Mackenzie. Destaca-se por diversos artigos e pesquisas acadêmicas nas áreas de Arquitetura e Urbanismo, especialmente analisando os impactos das novas tecnologias telemáticas nos modos de espacialização da sociedade, nas relações entre as práticas construtivas e a sustentabilidade, além da produção de arquitetura aeronáutica e aeroportuária. Atuou como Professor Universitário em diversas instituições de ensino superior nos cursos de Arquitetura e Design. Atualmente, é professor do IED - Instituto Europeu de Design nos cursos de pós-graduação. Fundador do InCAD - Instituto de Capacitação em Arquitetura e Design. Arquiteto titular e diretor da Maia Projetos e Gerenciamento, atuando na concepção de projetos de arquitetura, compatibilização e gerenciamento de obras.
Arquiteto Guinter Parschalk
Clélia Bassetto — Analista de Normalização da Associação Brasileira de Vidros Planos (Abravidro), possui 13 anos de experiência na área. Coordena as atividades para a elaboração e revisão das normas nas comissões de estudo do Comitê Brasileiro de Vidros Planos (ABNT/CB-37), órgão responsável por desenvolver e atualizar as normas técnicas relacionadas aos vidros planos sob responsabilidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Também ministra palestras para a divulgação das normas do setor.