Dicas para pintura de estacionamento de edifícios residenciais e comerciais

Confira quais são os principais cuidados de projeto e os produtos mais indicados para revestir estes ambientes

Publicado em: 02/02/2022

Texto: Gisele Cichinelli

Piso de estacionamento pintado
Piso em resina epóxi SF 250 - Obra em Alagoas (Foto: Wellington/Representante Quartzolit)
O resultado da aplicação do sistema de pintura de pisos é um ambiente mais agradável esteticamente, com maior facilidade de manutenção e durabilidade da estrutura
Demetrius da Rocha Ramos

Devido à abrasão gerada pelos pneus dos veículos e pelo derramamento de óleos e combustíveis, os pisos de estacionamentos são locais suscetíveis às solicitações mecânicas e químicas. A pintura com tintas epóxi ou à base de poliuretano é a solução para melhorar a impermeabilidade desses ambientes e livrá-los de possíveis contaminações, aumentando sua resistência à abrasão, além de facilitar sua limpeza e agregar mais estética ao projeto.

“Normalmente, estes pisos podem ser executados com acabamentos lisos ou rugosos, resistentes à abrasão e aos raios ultravioletas (UV). O resultado da aplicação do sistema de pintura de pisos é um ambiente mais agradável esteticamente, com maior facilidade de manutenção e durabilidade da estrutura”, observa Demetrius da Rocha Ramos, chefe de produtos de pisos resinados e impermeabilizantes da Quartzolit.

Como escolher o melhor sistema

Os estacionamentos de edifícios, sejam comerciais ou residenciais, podem estar submetidos a situações diversas, como o contato com lençóis freáticos ou exposições a intempéries. A escolha dos sistemas e produtos devem levar em conta essas particularidades.

De modo geral, todo piso de concreto em contato com o solo deveria contemplar em seu projeto uma barreira de vapor. “Uma simples lona plástica preta, na gramatura correta, pode ser o suficiente para isolá-lo da umidade proveniente do solo”, observa Eliana Holanda Lima, diretora técnica de revestimento de alto desempenho da Anapre (Associação Nacional de Pisos de Alto Desempenho). Outra possibilidade é o uso de tintas com permeabilidade ao vapor d’água, que possibilitam a passagem da umidade e não provocam o aparecimento de bolhas ou desplacamentos do filme de tinta.

Já para as áreas descobertas não é recomendável a aplicação de pinturas à base de resina epóxi, pois elas irão calcinar, amarelar ou queimar em decorrência da incidência dos raios UV. A recomendação para a pintura ter estabilidade estética no longo prazo é usar uma tinta à base de poliuretano alifático. “Estas tintas são resistentes ao intemperismo natural e, portanto, não sofrem calcinação ou desbotamento da cor quando expostas a este tipo de agressão”, explica a diretora.

Antes de escolher o sistema, também é importante observar o tipo de tráfego que o piso receberá. Estacionamentos de edifícios residenciais, por exemplo, possuem um fluxo menor de veículos quando comparados aos de edifícios comerciais.

Etapas de aplicação

Antes de iniciar a execução do revestimento é muito importante preparar corretamente o piso de concreto para melhorar a aderência da pintura, realizando o lixamento, seguido de uma varrição e de uma aspiração da superfície.

Durante essa etapa, é preciso garantir que as aplicações sejam feitas de acordo com as orientações climáticas indicadas por cada produto e seu fabricante. Também é importante evitar mesclar produtos de fabricantes diferentes e respeitar os intervalos de repintura indicados nas fichas técnicas. “Recomendamos ainda que seja utilizado um misturador mecânico para a homogeneização da tinta”, diz Paulo Cesar Dalarmelino, diretor técnico adjunto de revestimento de alto desempenho da Anapre.

“Verificar a presença de umidade e escolher o primer mais adequado para cada situação são dois cuidados adicionais antes de iniciar a aplicação. Os produtos são todos bicomponentes, então depois da mistura deve-se aplicar as resinas rapidamente para que não haja perda de material”, completa Ramos.

De olho na manutenção

A vida útil de uma pintura irá depender da especificação correta da espessura do filme aplicada sobre o piso, da limpeza, da conservação e, principalmente, da intensidade do fluxo de veículos.

“Dependendo do grau de sujidade do piso, é possível utilizar produtos comerciais específicos de limpeza de pisos, desde que corretamente diluídos de acordo com suas instruções
Paulo Cesar Dalarmelino

Em geral, a manutenção da pintura deve ocorrer, no mínimo, a cada dois anos após a sua aplicação. É bastante recomendada a repintura das áreas curvas e das áreas com maior solicitação devido ao efeito provocado pelas rodas dos veículos. “Se as áreas mais exigidas passarem por constante manutenção, a vida útil destes pisos pode atingir de nove a 10 anos, como é o caso do estacionamento do aeroporto de Congonhas”, lembra Ramos.

A limpeza da pintura pode ser feita com água e detergente neutro. Também pode ser realizada manualmente ou mecanicamente, com enceradeiras ou lavadoras e secadoras de pisos. É importante que esses equipamentos possuam cerdas macias ou discos de limpeza apropriados para não desgastar a pintura. “Dependendo do grau de sujidade do piso, é possível utilizar produtos comerciais específicos de limpeza de pisos, desde que corretamente diluídos de acordo com suas instruções”, ressalta Dalarmelino.

Tipos de produtos disponíveis no mercado

A Quartzolit oferece as tintas epóxi SF 250 e a tinta poliuretano resistente aos raios UV PU FC 144, ambas para acabamento liso. Para lajes de subsolo e substratos com lençol freático, sujeitos à umidade ascendente por capilaridade, é indicada a utilização de um primer, como o RU paint. “Esse retentor de umidade evita patologias, tais como a formação de bolhas entre o substrato e o sistema de pintura, o que promove a aderência e a resistência à pressão de água”, explica Ramos.

Para substrato já curado por mais de 28 dias, usa-se o primer epóxi (primer 30) com a função de promover a adesão das camadas seguintes ao concreto (substrato). Para pisos em áreas descobertas, normalmente a opção é pelo acabamento rugoso antiderrapante. Para conferir esse efeito, podem ser usados agregados, como os produtos AS 750 e AS 1000, aplicados por aspersão ou por incorporação à tinta.

Colaboração técnica

 
Paulo Cesar Dalarmelino - diretor técnico adjunto de revestimento de alto desempenho da Anapre (Associação Nacional de Pisos de Alto Desempenho).
 
Demetrius da Rocha Ramos - chefe de produtos de pisos resinados e impermeabilizantes da Quartzolit.
 
Eliana Holanda Lima - diretora técnica de revestimento de alto desempenho da Anapre (Associação Nacional de Pisos de Alto Desempenho).