Do canteiro de obras para o agronegócio

A lavoura é alvo para fabricantes e distribuidores de equipamentos de construção buscarem boas vendas e expandirem a utilização dos produtos

Publicado em: 06/05/2014

Texto: Redação PE

Os números são claros: a economia brasileira está impulsionada pelo agronegócio. As exportações provenientes do campo aumentaram mais de 4% em 2013, chegando a 100 bilhões de dólares, quase o dobro do crescimento econômico previsto para o período. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informam que a produção de grãos deve bater um novo recorde em 2014, com cerca de 196 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 5,2% em relação à safra do ano anterior.

Para manter a liderança, a agricultura necessita de infraestrutura eficiente, que dê sustentação de desenvolvimento e escoamento à produção. Tanto as usinas de cana-de-açúcarcomo as fazendas de grãos, algodão e segmentos da pecuária precisam utilizar tecnologias mais adaptadas às rotinas de trabalho.

“Enquanto as vendas da linha amarela para o setor da construção estão baixas, o agronegócio é cada vez mais atraente”, diz Carlos Hernández, presidente da JCB do Brasil. Nesse aspecto, entram máquinas como retroescavadeiras, pás-carregadeiras, escavadeiras, equipamentos compactos e manipuladores telescópicos para cumprir um papel-chave em uma série de atividades, que vão desde o deslocamento de materiais até a manutenção das estradas de acesso à lavoura e o escoamento da produção.

A Agrishow 2014 – 21ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação, realizada de 28 de abril a 2 de maio, reuniu em Ribeirão Preto (SP) vários expositores do setor de equipamentos para construção interessados em apresentar novidades à lavoura.

A JCB, por exemplo, incrementa cada vez mais a série de máquinas destinada ao segmento agrícola. Prova da importância e do peso que o agronegócio tem nas atividades da JCB – afinal, mundialmente, ela produz máquinas agrícolas desde 1945 – é que seu estande deste ano na Agrishow ocupou uma área de 900 metros quadrados, o dobro do espaço utilizado em 2013, junto com a Auxter, concessionária dos equipamentos da marca para todo o estado de São Paulo.

Além disso, a empresa reservou ainda outros 1.500 metros quadrados de área para a demonstração das máquinas. Nesse espaço promoveu, diversas vezes ao dia, um dos eventos mais aguardados e que já se tornou marca registrada mundial da companhia inglesa: o tradicional balé das máquinas.

A Auxter mostrou aos visitantes a robusta estrutura comercial e de pós-venda. “Se por um lado houve queda nas vendas para o setor da construção, o agronegócio está cada vez mais aquecido. Estimamos um crescimento de 20% neste ano em relação ao ano passado, levando em conta os bons negócios com as empresas agrícolas”, diz Natanael Lopes, diretor comercial da empresa. “Criamos recentemente uma divisão de atendimento específico para o setor agrícola, e agora ganhamos maior autonomia, com equipe comercial e investimentos próprios que incluem a participação em feiras e eventos. Em regiões como Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Araçatuba e Bauru, mais de 50% das vendas de equipamentos de construção são para utilização na atividade agropecuária”, diz.

A Liebherr participou pela primeira vez da feira e apresentou as pás-carregadeiras L 538 e L556, com carga de tombamento de 9.020 e 12.850 quilos, respectivamente, destinadas, principalmente, a operações com cana-de-açúcar. A empresa também mostrou a escavadeira hidráulica da classe de 40 toneladas, a R 944, específica para aplicação em construção. Os equipamentos da Liebherr são projetados para garantir maior eficiência operacional. Nesse sentido, a colocação do motor na transversal elimina a necessidade de contrapeso adicional, o que reduz o peso operacional do equipamento, aumentando a produção por hora e ainda gerando uma economia que pode chegar a 25% no consumo de combustível.

A Maxter também estreou na Agrishow, com máquinas compactas que esbanjam eficiência para trabalhar em uma série de atividades no campo. Entre os modelos apresentados, estão as pás-carregadeiras compactas, manipuladores telescópicos compactos, minicarregadeiras, miniescavadeiras, minirrolos compactadores e torre de iluminação da marca Wacker Neuson; as autoconcreteiras Carmix; os rompedores e as empilhadeiras All Work; as frezadoras e valetadeiras Simex; e as caçambas britadoras e caçambas-peneira da MB.

“As pás-carregadeiras compactas, manipuladores e miniescavadeiras, por exemplo, são ideais para trabalhar em manuseio de calcário, adubo, gesso, sementes e feno, em usinas de cana-de-açúcar e fazendas de grãos, inclusive atuando na manutenção das propriedades em período de entressafra”, explica o diretor da Maxter, Célio Neto Ribeiro.

A Gascon levou para a feira o Pressolub, estação móvel que realiza operações de abastecimento e lubrificação em máquinas e equipamentos de uso no campo. Entre seus conceitos inovadores estão lubrificação por impulsão de óleos a baixa pressão, com vazões superiores em até três vezes em média, baixo índice de manutenção e reduzido nível de contaminação em razão dos cuidados com a assepsia.

A Randon apresentou a linha completa de máquinas, equipamentos e soluções para diversas aplicações no agronegócio. A Randon Implementos, por exemplo, mostrou um rodotrem canavieiro, um semirreboque basculante e um semirreboque carrega-tudo. Já a Randon Veículos exibiu uma retroescavadeira RD 406 Advanced, 4x4, que está disponível com cabine fechada e motor turbo.

Outra empresa que estreou na Agrishow foi a Rossetti, com um rodotrem graneleiro capaz de levar até 74 toneladas de peso bruto, além de um semirreboque “Vanderleia”, com capacidade de 46 metros cúbicos, ideal para atender às necessidades do mercado agrícola. Fabricado em aço de alta resistência, o rodotrem possui engate esférico e cambão rígido. Já o semirreboque dispõe das mesmas características da “Vanderleia” convencional, com o diferencial de ser produzido com chapas mais finas em 2 milímetros, que fazem com que o implemento tenha o peso reduzido e ganhe capacidade de carga de 1 tonelada.

A Dieci, em parceria com a Machbert, apresentou na feira os manipuladores telescópicos, confiante na crescente utilização dessas máquinas no setor agropecuário. De acordo com o diretor da Machbert, José Alberto Moreira, os padrões de segurança das máquinas fabricadas pela Dieci são ainda maiores que os das demais fabricadas nas Américas e que se alguma movimentação inadequada for feita, elas imediatamente travam. “São equipamentos com transmissão 100% hidráulica, automática, o que dá maior sensibilidade à carga que as transmissões powershift. Os principais fabricantes desses equipamentos hoje estão migrando para as transmissões hidrostáticas”, informa.

Trabalho dos equipamentos de construção na lavoura

- Escavadeiras hidráulicas: utilizadas nas usinas canavieiras para a formação de curvas de nível, preparo de solo e limpeza de rios e mananciais;

- Pás-carregadeiras: aplicadas principalmente no transporte de bagacinho – pó extraído da moedura da cana destinado à geração de energia;

- Retroescavadeiras: têm elevada importância para trabalhar na manutenção de estradas e no dia a dia das fazendas;

- Manipuladores telescópicos: aplicados em várias situações: no campo para carregamento de bigbags de adubo, gesso, calcário e fardos de palhas geradoras de energia (biomassa), sementes a granel ou em paletes, dentro de usinas de cana-de-açúcar e álcool para carregamento e armazenagem de bigbags de açúcar e fertilizantes. Na pecuária de corte ou leiteira, atuam no carregamento de silagem (alimento do gado), ração, fardos de feno etc.;

- Minicarregadeiras: ideais para trabalho em fazendas e granjas, tanto para limpeza quanto para manipulação de materiais (ração, fardos, sementes etc.) em pequenos locais, onde máquinas maiores não conseguem entrar.