Drones agregam precisão e agilidade à construção civil

Veículos aéreos não tripulados agilizam e dão mais precisão a múltiplas atividades no canteiro. Conheça as principais aplicações e os cuidados para a utilização

Publicado em: 28/08/2019Atualizado em: 03/09/2019

Texto: Juliana Nakamura

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Os drones possibilitam mapeamentos e monitoramentos mais eficientes com menos esforço humano (foto: Dmitry Kalinovsky / shutterstock)

Inicialmente criados para fins militares, os drones são uma das inovações tecnológicas com maior adesão entre as construtoras brasileiras. Tamanho interesse é explicado pelo custo acessível da tecnologia e pela possibilidade de aproveitar os dispositivos voadores em diferentes situações.

O principal atrativo dos veículos aéreos não tripulados (VANTs) é alcançar locais onde os olhos humanos geralmente não chegam, fornecendo imagens de alta definição. Na prática, a tecnologia viabiliza mapeamentos e monitoramentos mais eficientes, com menos esforços humanos e maior segurança aos trabalhadores.

EXPERIÊNCIAS PRÁTICAS

Na construtora Trisul, por exemplo, os VANTs são aproveitados para fazer imagens de acompanhamento e evolução de obra, bem como realizar fotos de terrenos e das vistas de cada apartamento. “Com isso, o comprador passa a ter uma ideia real de como será a vista específica da sua unidade”, comenta Lucas Araújo, superintendente de marketing da construtora. Ele conta que, antes, a empresa utilizava balões de hélio para subir uma câmera e capturar imagens aéreas. “Com os drones, esse processo tornou-se mais rápido e barato”, resume o executivo.

Hoje, quase toda construtora pequena, média ou grande utiliza drones, seja para fazer fotos para a divulgação e comercialização do empreendimento, ou para acompanhar o avanço da construção
Ítalo Coutinho

“Hoje, quase toda construtora pequena, média ou grande utiliza drones, seja para fazer fotos para a divulgação e comercialização do empreendimento, ou para acompanhar o avanço da construção”, acrescenta o engenheiro Ítalo Coutinho, gerente de projetos e engenharia na Saletto Engenharia. Ele conta que é crescente a utilização de drones em trabalhos mais complexos. “Podemos destacar o uso do drone para produzir time-lapse do empreendimento, avaliar o avanço físico do projeto, estudar interferências e a logística de entrada e saída de insumos para a obra”, cita Coutinho.

Atualmente, os drones são utilizados pelas construtoras principalmente para:

• Acompanhar à distância o andamento de uma obra a partir de diversos ângulos
• Produzir imagens aéreas que serão utilizadas pelas equipes de marketing e vendas
• Realizar inspeções prediais e análises estruturais. Nesses casos, os drones permitem fazer imagens, dispensando o uso de guindastes ou andaimes. Além disso, o drone pode acoplar uma câmera termográfica para detecção remota de umidade
• Monitorar canteiros de obras. A captura de imagens pode ser usada para controlar o uso de equipamentos de segurança, a evolução do trabalho e o desperdício de recursos
• Mapear áreas para avaliação de terrenos
• Levantamento topográfico, visualização de acessos, apoio ao estudo preliminar do projeto
• Gerar dados para alimentar softwares na modelagem de edificações (3D)
• Monitorar áreas de risco, mapear processos erosivos, produzir mapas temáticos, mensurar áreas contaminadas etc.

TIPOS

O mercado disponibiliza dois modelos principais de VANTs: os com asa fixa e os multirotores.
Semelhantes a pequenos aviões, os primeiros oferecem maior autonomia de voo e são recomendados para o uso em áreas extensas, como para a realização de mapeamentos.

Mais populares, os multirotores funcionam como um mini-helicóptero, com decolagem e pouso em linha vertical. Esses equipamentos se caracterizam pela facilidade de locomoção, especialmente em locais de difícil acesso. Por isso mesmo, são mais apropriados para aplicações em ambientes urbanos.

CUIDADOS NO USO DE DRONES

Embora sejam de simples operação, os drones exigem alguns cuidados para que seu uso seja bem-sucedido. Há diversas restrições às quais os operadores (pilotos) devem ficar atentos. A principal delas é jamais sobrevoar pessoas. “Outro ponto importante é respeitar a área onde existem aeroportos ou heliportos, bem como a altura máxima de trabalho de 120 m”, diz Ítalo Coutinho.

O drone deve estar com a manutenção em dia e ser geolocalizado por pelo menos dez satélites, sendo sempre visualizado
Ítalo Coutinho

O construtor deve optar por equipamentos homologados pelas agências reguladoras (Anac e Anatel) e seguir as regras de pilotagem do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). “O drone deve estar com a manutenção em dia e ser geolocalizado por pelo menos dez satélites, sendo sempre visualizado”, comenta Coutinho. O descumprimento das normas pode implicar em processos administrativos, civis e criminais.

Não há normas específicas para o uso de drones na construção civil. Mas uma referência que pode ser utilizada é a Prática Recomendada do IBAPE-MG (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Minhas Gerais). Recém-elaborado, o documento traz orientações para que a operação desses veículos seja segura.

Leia também: Equipamentos topográficos: uso correto garante assertividade a obras

Colaboração técnica

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Ítalo Coutinho — Certificado PMP (Project Management Professional), é formado em engenharia industrial mecânica, especialista em gestão de projetos e mestre em administração de empresas. Atua como gerente de projetos e engenharia na Saletto Engenharia de Serviços.
Lucas Antoniassi Araújo — Bacharel em marketing pela Universidade de São Paulo, pós-graduado em engenharia e de marketing pela FIA-USP. É superintendente de marketing e inteligência e mercado na Construtora Trisul.