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Drones fazem a topografia de obras em minutos, o que antes levava dias

Também conhecidos como VANT (Veículo Aéreo não Tripulado), eles sobrevoam a área e registram volume de terra, erosão, taludes, vegetação

Publicado em: 26/10/2015

Texto: Redação PE

O provérbio “uma imagem fala mais que mil palavras” pode ser utilizado hoje, sem receios, na atividade da construção. Tudo isso graças à tecnologia dos drones, ou melhor, VANT (Veículo Aéreo não Tripulado), que tornou possível fazer aerofotometrias, mapeamentos e imagens aéreas para descrição topográfica do formato do terreno e de toda a área de uma obra onde pessoas não conseguem acessar. Eles fornecem informações detalhadas sobre construção, volume de terra a ser movimentada, erosão, taludes, vegetação, entre outras.

O equipamento faz em minutos o que antes só era possível ser feito em muitos dias por equipes de topógrafos no terreno. Ao ser lançado de um ponto fixo, registra informações e dependendo do modelo, pode enviar em tempo real ou mesmo armazenar para posterior utilização.

“Em muitas situações o contratante da obra quer fazer um acompanhamento visual e fotográfico para conferir avanços, distribuição dos equipamentos, cortes de escavação e outros detalhes”, informa o gerente de vendas para produtos de alta tecnologia e VANTs da Santiago & Cintra, Luiz Fernando Antonio Dalbelo, ressaltando que além das medições o equipamento é bem utilizado para esses registros fotográficos.

De acordo com ele, durante mapeamentos o VANT chega a capturar imagens a cada um ou dois segundos. Isso gera muita informação no registro. Por essa razão as imagens são armazenadas no dispositivo e baixadas no computador, pois são geradas informações para mapeamentos posteriores. “Mas quando são necessários vídeos em tempo real, o equipamento sobe e é monitorado para sobrevoar pontos específicos”, diz Dalbelo.

Alcance e capacidade do VANT

Para Adam Souza, supervisor de topografia da Andrade Gutierrez, o VANT é um equipamento que qualquer pessoa pode ter acesso. A construtora utiliza para conferir avanços nos projetos. “Semanalmente fazemos um levantamento aéreo e na minha área de medição consigo evidenciar o serviço feito em campo. Elaboramos também um relatório para clientes, e para cada setor, como meio ambiente, qualidade, engenharia de produção utilizando a imagem para extrair as informações da melhor forma”, informa Adam por meio de um vídeo desenvolvido pela empresa sobre a utilização dos VANTs.

Dalbelo acrescenta que o equipamento cobre remotamente áreas relativamente grandes, em curto espaço de tempo. “Podem ser lançados de qualquer lugar e há modelos com alcance que varia de três a quatro quilômetros. Eles levantam informações de até 100 hectares em 30 ou 40 minutos”, informa.

Além de câmeras fotográficas e de vídeo em alta resolução, os VANTs utilizam outros sensores de captação de informação, como por exemplo, um sensor termal utilizado para inspeção de equipamentos e estruturas. Caso o operador detecte pontos com excesso de calor, ele toma uma ação corretiva para sanar algum possível defeito da estrutura ou do equipamento utilizado.

Cobertura em regiões com florestas

Em áreas com florestas, o VANT não consegue medir o terreno embaixo da mata. Ele registra apenas a superfície do topo das árvores e possibilita medir inicialmente a quantidade de vegetação a ser removida. Com base nisso, dependendo da quantidade de mata, obtém-se cerca de 80% do que é necessário ser feito. Dalbelo informa que em relação à topografia convencional, o VANT tem 80% de mais produtividade em campo, sendo que alguns clientes mensuram de 20% a 60%.

Adam Souza, da Andrade Gutierrez, diz que como alternativa a construtora poderia utilizar helicópteros ou então drones com hélice. “Mas a diferença é que com o VANT conseguimos fazer a compilação das imagens com qualidade superior, dependendo das necessidades de cada setor da obra”, informa.

Dalbelo, da Santiago & Cintra, explica que essa qualidade é possível porque, embora o levantado topográfico convencional tenha uma precisão milimétrica e o feito pelo VANT dê a resposta em centímetros, a riqueza de detalhes capturada por esse equipamento é maior. “O volume final medido com ele é mais preciso que com outros métodos”, assegura.

Feira de VANTs acontece em São Paulo

Os VANTs ainda são pouco utilizados no mercado civil, mas essa é uma área que está em crescimento e conquistando espaço. O tema será discutido no evento Drone Show Latin America, a ser realizado pela primeira vez nos dias 28 e 29 de outubro, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo.

A feira reunirá fabricantes, fornecedores, importadores, prestadores de serviços e técnicos, e terá uma programação com palestras, cursos e seminários sobre o mercado de drones no país. FT Sistema Aeronoves, XMobots, Santiago & Cintra Geo-Tecnologias, Drone Store, Sensor Map Geotecnologia, Hexagon, Gyrofly, Skydrones e Flighttech são algumas das maiores empresas do setor presentes na feira.

Um dos assuntos debatidos será o uso de drones em projetos de Engenharia. Dentre as vantagens oferecidas estão o mapeamento da área onde o projeto será realizado, avaliação de viabilidade e geração de pré-projetos, acompanhamento da evolução da obra com documentação fotográfica, entre outras tarefas.

Ainda não existe um levantamento preciso de quantos drones operam dentro da construção civil no país mas Luiz Dalbelo acredita no potencial do negócio. “Não tenho dúvidas que nos próximos dez anos o VANT vai fazer muito mais que levantamento topográfico. Atualmente já faz papel de salva-vidas, e num futuro próximo poderá desempenhar até o papel de entregador de pizza, por exemplo”, finaliza Dalbelo.

Colaboraram para esta matéria

Luiz Fernando Antonio Dalbelo – Gerente de vendas para produtos de alta tecnologia e VANTs da Santiago & Cintra

Adam Souza – Supervisor de topografia da Andrade Gutierrez


www.droneshowla.com.br