Duto coletor de entulho é ferramenta para canteiro limpo e sustentável

Substituto do transporte vertical em madeira, o duto industrializado é constituído por peças encaixadas e fixadas no pavimento, levando os materiais diretamente para a caçamba

Publicado em: 10/05/2022

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

foto de uma obra com duto coletor de entulho
Normalmente, os dutos são constituídos de módulos cônicos, similares a um copo descartável, que se encaixam uns nos outros (Foto: IW8/Reprodução)

A segregação dos resíduos no canteiro de obras e sua correta destinação dependem de procedimentos e estruturas, que vão desde caçambas sinalizadas e identificadas até pessoal treinado, passando pela educação ambiental e monitoramento dos resíduos.

Entre os equipamentos utilizados estão os dutos coletores, que facilitam o acondicionamento e a separação correta dos resíduos. “Imagine o custo humano e de tempo para transportar, do alto de um edifício em construção, materiais como resto de reboco ou argamassa. Com o duto, os resíduos são eficientemente transportados, racionalizando a operação e melhorando a qualidade das condições de trabalho”, comenta o engenheiro Fernando de Barros, responsável técnico da Master Ambiental. Em uma obra, ele recomenda ter a responsabilidade técnica do engenheiro civil, inclusive por questões de segurança.

Com o duto, os resíduos são eficientemente transportados, racionalizando a operação e melhorando a qualidade das condições de trabalho
Fernando de Barros

Hoje, muitos canteiros já substituem os antigos e precários dutos feitos in loco, em madeira, pelos industrializados, geralmente produzidos em polietileno. “Há fabricantes que utilizam material plástico reciclado, que deixa o produto com um desempenho de baixa qualidade. Existem, também, os dutos metálicos, pouco utilizados por agravantes como deformação, barulho e poeira gerados”, explica o arquiteto Robbis LLobet, sócio proprietário da Axon.

Para ele, o material feito na obra demanda constantes reparos e pouca confiabilidade. O industrializado tem diversas vantagens, tanto na montagem quanto na adequação às situações de uso no canteiro. “Sendo modulares permitem, como um ‘lego’, se adaptar a inúmeras utilizações”, complementa.

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Vantagens do duto industrializado

LLobet detalha as vantagens do produto:

  • economia na mão de obra e no uso de energia elétrica;
  • facilidade de montagem e desmontagem para mais de uma obra;
  • montagem através de módulos reguláveis
  • intercambialidade entre as peças.

“Em nosso caso, os módulos vão de 60 cm a 100 cm. O resultado é um canteiro limpo e organizado, prevalecendo a racionalidade, transmitindo segurança e confiabilidade para quem observa a obra”, diz.

Fixação das peças e medidas

Normalmente, os dutos são constituídos de módulos cônicos, similares a um copo descartável, que se encaixam uns nos outros. A fixação entre eles é feita a partir de duas correntes com ganchos nas extremidades de cada tubo, o que permite regulagem para cada obra. No pavimento, cada duto bocal é ancorado através de suportes metálicos. LLobet quantifica os dutos necessários, usando um exemplo: para uma obra com 10 pavimento e pé-direito com até 3 m de laje a laje, são empregados 10 suportes, 10 bocais e 20 tubos retos.

“Chegando ao solo, em geral, o resíduo é encaminhado diretamente para caçamba, agilizando toda a logística para o descarte. Há situações em que uma segunda caçamba é necessária para agilizar ou separar entulho de gesso, por exemplo”, fala, lembrando que o uso do duto deve seguir os critérios da NR18.

“Somos os únicos fabricantes de dutos de entulho com diâmetros em duas medidas, 360 mm e 450 mm. O primeiro se destina a obras novas, com entulho normal gerado. Já a medida de 450 mm é apropriada para obras de grande porte, que produzem entulho maior e mais pesado. Em casos especiais, fabricamos dutos com diâmetro de 600 mm e 750 mm, para utilização em mineradoras e transporte de grãos”, expõe.

Chegando ao solo, em geral, o resíduo é encaminhado diretamente para caçamba, agilizando toda a logística para o descarte
Robbis Llobet

Resistência e durabilidade

Assim como todo equipamento, se bem utilizado e seguindo critérios de montagem, uso e bom senso da equipe, o duto coletor pode ser reaproveitado em diversas obras. Por ser produzido em material plástico, o elemento tem a propriedade de absorver choques, se deformar e voltar às dimensões originais.

LLobet adverte sobre os cuidados da montagem aprumada e utilização apenas para descarte de entulho, evitando o lançamento de ferragens ou sacos que possam danificar ou obstruir os dutos. Para os produtos que fabrica, ele recomenda que o entulho seja partido em pedaços até meio bloco cerâmico.

“Desenvolvemos uma calha metálica do tipo reforço de curvas (RC) que protege a parede dos dutos, quando se faz necessário um desalinhamento no percurso. Em muitos casos, a caçamba que recolhe o duto não está situada exatamente embaixo da peça, exigindo um desvio. A orientação é que sejam utilizados um ou dois RCs na sua parte final, próximo à caçamba, de maneira a impedir que ocorram danos precoces à sua parede”, destaca.

Canteiro limpo e sustentável

Apesar de produzidos desde 1995 pela empresa, há quem desconheça a existência ou nunca utilizou os dutos coletores de entulho. “Seu papel no canteiro é parte do esforço das construtoras que o empregam para atingir um canteiro mais sustentável e limpo, interessadas em soluções racionais e econômicas, sem esquecer o meio ambiente e o uso consciente das matérias-primas”, conclui Llobet.

Colaboração técnica

Fernando de Barros – É Engenheiro Civil pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), com especialização em Planejamento e Gestão Ambiental, mestre em Engenharia de Edificações e Saneamento pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Iniciou seus primeiros trabalhos na área de meio ambiente e sustentabilidade, em 2005, como consultor. É responsável técnico da Master Ambiental em diferentes segmentos de projetos na área de engenharia e consultoria ambiental.
Robbis LLobet – É arquiteto e urbanista formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (1983). Trabalhou no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e dedicou sua carreira ao desenho industrial e desenvolvimento de produtos, inclusive com empresa própria criando também maquetes e protótipos para a indústria de informática, linha branca e metrô, entre outras. É sócio proprietário da Axon.