Edifício sustentável é reformado conforme critérios do GBC

Conforto térmico, muita área verde, luz natural abundante...saiba como o 740 Anastácio tornou-se um prédio corporativo classe A pelo US Green Building Council

Publicado em: 11/09/2013Atualizado em: 15/08/2019

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

740 Anastácio

Adquirido pela Hines do Brasil e com projeto de reforma assinado pelo arquiteto Ricardo Julião, o 740 Anastácio – edifício modernista construído em 1980, no bairro paulistano City América, assinado pelo escritório Kogan Villar – acaba de ser reformado e devolvido à região, renovado e adequado aos critérios de sustentabilidade do US Green Building Council. “Estamos devolvendo um imóvel especial à cidade, reutilizando toda a estrutura, com paisagismo e arquitetura recuperados, e instalação de equipamentos de última geração. Um bairro deste padrão não podia permanecer com um imóvel sem manutenção e sem vida”, diz Benny Finzi, diretor da Hines.

O edifício está inserido em terreno com área equivalente a dez campos de futebol, permeado por vegetação totalmente preservada, que se integra aos parques municipais vizinhos ‘Toronto’ e ‘Parque São Domingos’. Cercado por exuberante paisagismo, projetado originalmente por Rosa Grena Kliass, tem 6,8 mil m² de área locável, em terreno de 55,6 mil m². A modernização implementada responde a todas as especificações de um empreendimento corporativo classe A, desde o pé-direito de 2,80 m e piso elevado, até luminárias de alta eficiência (T5) e sistema de ar-condicionado de última geração (VRF). A luz natural abundante e a integração dos espaços internos com a área verde do entorno se somam ao benefício das vagas de estacionamento – que mantêm relação de cerca de uma vaga para cada 20 m² de área locável.

Segundo o arquiteto Ricardo Julião, o conforto térmico é um dos destaques do projeto, através da bem explorada ventilação cruzada propiciada pela cobertura retrátil: o ar quente sobe, por efeito chaminé, e sai pela cobertura. “Solução projetual bastante inteligente para uma época em que o ar-condicionado era praticamente inviável. Hoje, essa tecnologia é acessível e eficiente. Na reforma, está sendo instalado um sistema de última geração (VRF), que permite o controle por zonas de uso. E o fato de o edifício estar cercado por mata, inserido num microclima, nos leva a crer que o ar-condicionado será utilizado de forma moderada”, comenta. Além disso, o espelho d’água localizado no pátio central, presente já no projeto original e mantido no atual, é mais um recurso para reduzir o calor.

Na opinião do arquiteto, o projeto foi concebido de maneira muito cuidadosa e com forte influência do modernismo paulista. “O 740 Anastácio é um dos maiores ícones modernistas do país, uma obra muito bem detalhada e executada, porém sem divulgação nos anos 80”, destaca o arquiteto. Em sua opinião, o proprietário da Manah, empresa quem encomendou o projeto para sediar a empresa, teve visão corajosa e revolucionária para a época. “E se dispôs a investir, porque essa obra foi cara, o que é visível nas formas, no concreto aparente e na cúpula retrátil”, observa Julião, lembrando que a reforma começou pela limpeza, tratamento e restauro do concreto aparente.

740 AnastácioFachada do 740 Anastácio: antes e depois

Restauro

O arquiteto observa que nas décadas de 1960 e 1970, a arquitetura modernista cultuava os espaços intimistas, a escala humana. “No projeto, Kogan respeitou esse conceito, mas assegurou um pé-direito confortável e adequado com 2,80 m, deixando aparente a laje do tipo cubeta, o que amplia a sensação de altura”, conta Julião. No entanto, esse pé-direito exigiu criatividade no projeto de reforma, visando a preparação para piso elevado, instalação de sprinklers e dos demais sistemas exigidos por um triple A. “No caso dos sprinklers, optamos por um sistema aparente, bem alinhado – assim como a arquitetura original, em que tudo é muito honesto e deve ser exposto. Para a instalação do piso elevado de 10 cm, a solução foi remover o contrapiso”, explica.

Anastácio - Interno - AntesEspaço interno do 740 Anastácio antes da reforma

Recursos de acessibilidade não contemplados pela arquitetura dos anos 1970, agora fazem parte do conjunto, inclusive a instalação de um moderno elevador panorâmico, que substituiu os existentes, atendendo as normas vigentes. “Não tivemos problemas para a instalação do sistema de ar-condicionado, pois já havia uma preparação do prédio, prevista por Kogan”, comenta Ricardo Julião.

Interno - AnastácioProjeção do espaço interno do 740 Anastácio depois da reforma

A cobertura retrátil original, que fecha o atrium central, “era uma engenhoca inteligente para a época”, opina. De geometria diferente e com inúmeras calhas internas, foi construída em fibra de vidro translúcida – material disponível então – que escurecia um pouco o espaço e exigia manutenção e limpeza complexas. “Projetamos uma nova cobertura retrátil, menos pelo desenho, mas, principalmente, por sua funcionalidade. Com geometria e conceito atuais, é curva na parte superior e com peças retas na base – lembrando uma bolha. Construída com painéis de policarbonato autolimpante e sem calhas internas, emprega estrutura leve, o que propicia motorização mais eficiente”, diz Julião, acrescentando que a nova cobertura é o único elemento que altera a plástica do projeto original.


Para ele, o 740 Anastácio é um projeto que nasceu sustentável. “No restauro, nossa missão foi agregar novas ações sustentáveis”, finaliza.


Colaboraram para esta matéria


Benny Finzi – Diretor da Hines do Brasil, formado em administração de empresas pela EAESP/FGV em 1999. Fez MBA em Tuck School of Business at Dartmouth College em 2008. Na Hines há cinco anos, é responsável por aquisição e desenvolvimento de projetos corporativos e industriais. Finzi é LEED Accredited professional pela USGBC.
Ricardo Julião – Presidente e sócio majoritário do escritório “Ricardo Julião Arquitetura e Urbanismo”, fundado em 1978. Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Mackenzie (São Paulo - SP), em 1972, tem especialização em “Desenho Urbano e os Problemas das Grandes Metrópoles Contemporâneas”, pela Universidade de Sorbonne (na França), e em “Administração e Planejamento Hospitalar”, pela AMI – American Medical International (nos Estados Unidos). Iniciou sua carreira nas Construtoras “Pacheco Fernandes Dantas” e “Roberto Bratke & Marcos Tomanik” e na empresa “Planeng - Planejamento e Engenharia Ltda”. Foi cofundador e sócio da Construtora “Marcos Tomanik” e da “Conserve S.A Consultoria e Engenharia”.