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Em expansão, sistema fotovoltaico conquista o mercado

A energia solar vai ganhando espaço desde os grandes empreendimentos, como as arenas construídas para a Copa do Mundo 2014, até os condomínios populares, indústrias e residências

Publicado em: 30/07/2021Atualizado em: 04/08/2021

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Sistema fotovoltaico
O sistema pode ser instalado em qualquer momento da vida útil da edificação (Foto: Palatinate Stock/Shutterstock)

A arena Mineirão, em Belo Horizonte, foi a primeira da Copa do Mundo de 2014 a receber painéis fotovoltaicos para geração de energia. Desde então, o escritório BCMF Arquitetos, responsável pelo projeto da reforma do estádio, adotou o sistema solar em empreendimentos imobiliários que vão desde condomínios populares até as residências de alto padrão. “Os clientes têm se mostrado muito receptivos a essa tecnologia”, comenta o arquiteto Marcelo Fontes, sócio-fundador do escritório.

Com o avanço dos sistemas de energia solar, surgiu um segmento de empresas especializadas no desenvolvimento do projeto e instalação. Para Fontes, contar com essa expertise é fundamental. “Cabe a essas empresas dimensionar e projetar o sistema em função da área disponível para a instalação e potencial exigido de energia. Elas também calculam o payback e oferecem opções de financiamento para a implantação do sistema fotovoltaico”, diz.

Trata-se de um sistema que não emite CO2 e opera sem qualquer ruído. Assim, é excelente tanto para a vizinhança como para o meio-ambiente
Vanessa Castanho

Vanessa Castanho, CEO da Eco2Energia, detalha que, já no projeto, a empresa especializada em energia solar fornece uma análise do retorno sobre o investimento e a geração de caixa pela economia gerada pelo sistema fotovoltaico. “Trata-se de um sistema que não emite CO2 e opera sem qualquer ruído. Assim, é excelente tanto para a vizinhança como para o meio-ambiente”, comenta ela.

Projetando com energia solar

De acordo com ela, a opção pelo sistema fotovoltaico pode ser feita em qualquer momento da vida útil da edificação, pois o fornecimento de energia não é interrompido em nenhum momento e as intervenções na estrutura do imóvel são simples. “Logicamente, quando a decisão é tomada antes da construção do imóvel, o cliente tem vantagens, como já fazer a passagem dos fios, a estrutura do telhado e a escolha do local de instalação das placas integrado com todo o projeto da obra”, comenta.

Para Fontes, o ideal é que a decisão do proprietário da obra pela energia solar esteja presente no briefing inicial, porque o sistema solar fica inserido no projeto do empreendimento. “Algumas vezes, a solução tem impacto no projeto, outras não, dependendo da sua escala”, comenta, acrescentando que todas as disciplinas complementares participam do projeto de maneira integrada.

O projeto de um sistema fotovoltaico é simples, mas precisa ser criterioso, para obter a geração de energia e a redução da conta de luz conforme planejado. “Entre os critérios básicos estão a análise do consumo da energia elétrica descrito na conta de luz, considerando demanda e perfil de consumo”, diz Castanho. Inclui a disponibilidade de área no telhado ou solo para instalação das placas, que seja isenta de interferências como sombra de árvores ou imóveis; a incidência solar na região onde o sistema fotovoltaico será instalado; e a disponibilidade da face norte.

A profissional recomenda a escolha de empresas de projeto e instalação que atuem com rigor nos processos e ofereçam a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) civil estrutural do telhado e de elétrica, além de seguro da obra. “O mercado dispõe, agora, de grande variedade de equipamentos, de todos os preços e especificações. Daí a importância de selecionar aqueles de qualidade comprovada, para garantir a geração da energia projetada”, orienta.

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Tecnologias

“Na Europa, o sol é mais baixo e incide mais diretamente nas fachadas. Portanto, é comum o envidraçamento fazer a captação solar, por meio de células fotovoltaicas instaladas nos vidros. Já no Brasil, por sua localização tropical, o mais eficiente são as placas apoiadas nas coberturas”, cometa o arquiteto.

Castanho explica que existem dois sistemas. O On Grid, que liga o empreendimento, a residência ou a indústria à rede local da concessionária de energia. “A concessionária cria uma ‘conta corrente’, que registra a energia solar gerada e a consumida da rede, o que resulta em créditos que podem ser utilizados em até 5 anos a partir do momento da geração”, diz. O outro sistema é o Off Grid, dotado de sistema de baterias para armazenar o excedente de energia gerado.

O sistema fotovoltaico é dotado de dois elementos fundamentais: os painéis fotovoltaicos e os inversores. “Os inversores transformam a corrente contínua (CC) gerada nos painéis solares em corrente alternada (CA), que é a energia que encontramos nas tomadas”, expõe.

A instalação do estádio do Mineirão é exemplo claro do sistema On Grid, porém com características de usina de energia solar. Como não haveria consumo diário da energia produzida e não fazia sentido armazená-la em baterias para prover a necessidade apenas em dias de jogos, a opção foi pela transferência integral da geração para a rede pública, retornando em bônus para o estádio.

“Por se tratar de patrimônio tombado, não fizemos qualquer nova intervenção na parte de concreto, que foi restaurada e recebeu os painéis fotovoltaicos, ao longo dos 88 pórticos que dão a volta no estádio”, destaca o arquiteto. De acordo com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), essa é uma das maiores instalações de fotovoltaica do mundo em estádio, com 9.500 m² de cobertura e cerca de 6 mil painéis fotovoltaicos. Sua capacidade de produção atende o consumo médio de 1.200 residências. A obra obteve a certificação LEED Platinum.

Instalação

Se o empreendimento for construído numa área muito sombreada, não vai adiantar investir em solar, porque não haverá retorno
Marcelo Fontes

Marcelo Fontes considera que a principal barreira para projetar edificação com energia solar é de ordem física, como não haver insolação adequada. “Se o empreendimento for construído numa área muito sombreada, não vai adiantar investir em solar, porque não haverá retorno”, destaca.

Segundo Vanessa Castanho, o sistema fotovoltaico envolve três atores: o consumidor, a empresa especializada e a concessionária de energia elétrica da região da obra. Apesar de o processo legal junto à concessionária ter etapas bem definidas – aprovação do projeto, vistoria e substituição do relógio –, pode ocorrer atraso. “Burocracia e adiamentos por parte das distribuidoras de energia podem desestimular o consumidor. Uma razão a mais para se contratar empresas qualificadas”, diz ela, acrescentando que fatores climáticos como chuvas constantes também podem colaborar para o atraso da instalação.

É ainda comum que o consumidor residencial tenha dúvidas quanto à tecnologia fotovoltaica, confundindo-a com o aquecimento de água por energia solar, que são sistemas totalmente diferentes. Por fim, Castanho alerta para um grande número de aventureiros nesse mercado em expansão. “Sem o devido preparo, podem incorrer em erros e em riscos de incêndio no sistema ou queda do telhado”, observa.

Operação

Castanho indica alguns cuidados básicos na operação do sistema, como não pisar nas placas de maneira alguma, realizar sua limpeza regularmente, através de empresa especializada, e checar a geração de energia conforme gráfico projetado. “A gestão do sistema não é difícil, na verdade, ele faz tudo sozinho após a instalação. Nos grandes empreendimentos, há uma quantidade maior de equipamentos e, por isso, a verificação e a limpeza pedem maior frequência”, diz ela.

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Colaboração técnica

Vanessa Castanho
Vanessa Castanho – Formada em Administração e com MBA pela Fundação Getúlio Vargas. Foi a primeira mulher diretora de Vendas da indústria automobilística brasileira. Tem 23 anos de experiência na área comercial de multinacional: Vendas B2C, B2B e B2B2C, Marketing: Produtos e Publicidade, Finanças, Qualidade, Pós-Venda, Rede de Revendedores e Desenvolvimento de Relações com Governo e Associações de classe. É fundadora e CEO da Eco2Energia.
Marcelo Fontes
Marcelo Fontes – Arquiteto formado pela UFMG (1995). Foi professor de Detalhes Arquitetônicos na Faculdade Izabela Hendrix (1997) e colaborador nos escritórios de José E. Ferolla e Carlos Alexandre Dumont (2000). É sócio fundador da BCMF ARQUITETOS em 2001. Dentre suas principais premiações: Menção honrosa no 2º Prêmio Usiminas Arquitetura em Aço, em 1999 (com Danilo Matoso e Humberto Hermeto), 1º lugar no Prêmio CREA de Arquitetura de Interiores (com Ana Beatriz Campos), Medalha de Ouro no Primeiro prêmio IAKS LAC Seção América Latina e Caribe (2010) e “Special Prize no IOC / IAKS Award 2011 “ em Colônia, na Alemanha. Dentre os principais projetos construídos, destaca‐se o premiado Complexo Esportivo de Deodoro (Centro de Tiro Esportivo, Centro de Hipismo, Hóquei sobre Grama e Pentatlo Moderno) para os Jogos Pan‐americanos Rio 2007 e Olimpíadas 2016, o Masterplan Oficial da Candidatura das Olimpíadas Rio 2016 (nas regiões da Barra, Copacabana e Deodoro) e a renovação do Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, para a Copa do Mundo de 2014 (o primeiro Estádio do Brasil e o segundo do mundo a receber o certificado LEED PLATINUM), premiado pelo IAB e AsBEA. Além desses projetos de grande escala e complexidade, destacam-se também os projetos para o Parque Tecnológico de Itajubá / UNIFEI (2013), também premiado pelo IAB.