Em vigor há 2 anos, NBR 15575 gera avanços para o setor

Critérios de desempenho são válidos para todo o território nacional e buscam satisfazer necessidades das diferentes regiões

Publicado em: 27/08/2015Atualizado em: 17/01/2018

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Edificação Habitacional - NBR 15575

Em vigor desde julho de 2013, a norma ABNT NBR 15575 – Edificações habitacionais – Desempenho estabelece importantes critérios para a construção civil. Contudo, como o tempo médio de execução de um projeto é de cerca de três anos e meio, o mercado ainda não recebeu empreendimentos em conformidade com a norma. "Os primeiros prédios deverão ser entregues no fim de 2016", avalia o engenheiro Fabio Villas Bôas, coordenador da Comissão de Estudos de Revisão da ABNT NBR 15575.

O profissional comenta que já é possível, porém, sentir o avanço do mercado. “A surpresa mais agradável está vindo dos fornecedores de materiais de construção, que estão se estruturando para melhorar seus produtos. É o caso de fabricantes de portas e caixilhos, que caracterizaram suas peças por meio de selo que indica o cumprimento da norma. Houve uma grande evolução em comparação com o que tínhamos há dois anos, quando não existia quase nada nesse sentido”, afirma Villas Bôas. Para ele, algumas entidades também merecem destaque pelo trabalho interessante que vêm desempenhando com relação à execução da norma de desempenho ABNT NBR 15575, como a Associação Brasileira do Drywall e a Associação Nacional de Fabricantes de Esquadrias de Alumínio (AFEAL).

Por outro lado, há empresas que precisam evoluir, principalmente aquelas que atuam informalmente. É o caso de serviços que ainda são realizados de modo artesanal, como acontece com as serralherias de bairro espalhadas pelo país. "Esse problema não atinge somente os fornecedores. Há pequenas empreiteiras que não contam com um único engenheiro em seu quadro de colaboradores”, exemplifica o profissional.

A principal forma de despertar a atenção desse mercado informal é por meio da divulgação da norma de desempenho ABNT NBR 15575, pois, segundo avaliação do engenheiro, muitos profissionais ainda não têm conhecimento suficiente sobre ela.

CUSTOS DA CONSTRUÇÃO

A vantagem da ABNT NBR 15575 é que, além do desempenho a ser alcançado, ela informa também sobre os instrumentos necessários para analisar se a edificação está atendendo ao que foi estabelecido
Fábio Villas Bôas

O que muitos ainda se perguntam é se a norma ABNT NBR 15575 tornou mais cara a atividade da construção civil. Segundo o engenheiro, o aumento é pouco expressivo. "A norma de desempenho não criou nada de novo e também não passou a exigir nada impossível. Sabemos das condições socioeconômicas do país, por isso, buscamos estabelecer parâmetros muito parecidos com aqueles já praticados. No geral, os requisitos mínimos são os mesmos alcançados pelo mercado, ou seja, quem já cumpria as normas não terá aumento significativo de custos.”

O segmento popular foi, talvez, o que mais sentiu o aumento dos custos, devido ao fato de as edificações serem, antes, construídas aquém das necessidades dos moradores. “Porém, os órgãos do governo, como a Caixa Econômica Federal, têm trabalhado no sentido de adequar os custos gerados pelos novos requisitos às condições de financiamento desses imóveis”, ressalta Villas Bôas.

VALIDADE EM TODO O PAÍS

As normas técnicas são sempre nacionais, e como a ABNT NBR 15575 está muito associada às condições do entorno da edificação, houve um cuidado grande para se atingir o ponto de equilíbrio em um país continental como o Brasil, com grandes diferenças climáticas. “Uma mesma parede de alvenaria que pode ser confortável na região sul, talvez não seja adequada para o nordeste, por esquentar demais o ambiente”, menciona o engenheiro. “As questões mínimas para atender o bem-estar do usuário foram pensadas a partir de estudos realizados pela área da saúde, como o nível de ruído adequado para se ter uma boa noite de sono. Essas análises geraram uma série de parâmetros que foram transformados em requisitos a serem alcançados pelas construções”, completa.

A elaboração da norma é um trabalho voluntário e contou com a presença de profissionais de diversas regiões do país, mas especialmente da região Sudeste, pela proximidade. "Entretanto, com o passar do tempo, muitas empresas e projetistas de todas as regiões do Brasil têm procurado participantes do processo de criação da norma ABNT NBR 15575 para tentar esclarecer dúvidas ou organizar cursos e palestras”, conta Villas Bôas.

Apesar dos desafios, o setor se organizou para tornar realidade a norma de desempenho. “Talvez essa tenha sido a norma com maior participação na história. Algumas sessões chegaram a ter 160 pessoas”, complementa.

ENSAIOS LABORATORIAIS

O avanço foi grande, e a tendência é que o conceito de desempenho se consolide cada vez mais
Fábio Villas Bôas

A norma indica qual o desempenho a ser atingido, sem entrar no mérito de como obter tais resultados. A metodologia a ser seguida para se atingir os parâmetros desejados está nas normas prescritivas. “A vantagem da ABNT NBR 15575 é que, além do desempenho a ser alcançado, ela informa também sobre os instrumentos necessários para analisar se a edificação está atendendo ao que foi estabelecido. Ao dizer que uma parede tem atenuação acústica, a norma indica como esse valor pode ser medido”, destaca o engenheiro.

O primeiro passo para alcançar o que está detalhado na norma de desempenho é tomar conhecimento sobre os níveis atualmente atingidos por cada empresa. “Com isso, é possível saber se o produto que ofereço é bom ou ruim e quais os pontos que precisam ser melhorados. Para essa análise, é necessária a contratação de laboratório para realização de ensaios, porém, ainda são poucos os institutos que fazem esse tipo de trabalho”, afirma o profissional.

Para tornar essa análise mais ágil, algumas empresas maiores estão se unindo para contratar os ensaios em conjunto. Ao receber os resultados, os dados são divulgados publicamente. “O que temos buscado é caracterizar o desempenho de cada sistema e tornar essa informação pública. Empresas menores também podem se unir ou procurar as associações de classe para tentar desenvolver o conhecimento de forma compartilhada.”

CONSUMIDOR

Como os primeiros edifícios em conformidade com a ABNT NBR 15575 ainda não foram lançados, os consumidores raramente assumem uma postura mais ativa, de exigir o cumprimento dos requisitos. "A norma ficou bastante conhecida pela questão acústica, mas ela não se restringe a isso. São mais de 500 requisitos, e alguns são voltados para a segurança contra incêndio, sustentabilidade, durabilidade, entre outros aspectos”, comenta o engenheiro. “O avanço foi grande, e a tendência é que o conceito de desempenho se consolide cada vez mais. Com o passar do tempo, o aumento da exigência por melhor qualidade resultará em requisitos mais sofisticados e incorporação de outras questões que ainda não temos hoje. Tudo para atender um público que passará a ser mais exigente”, finaliza.


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Fabio Villas Boas
Fabio Villas Bôas – graduado em engenharia civil pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. É diretor técnico da Tecnisa desde 2003. É integrante do Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) do SindusCon-SP e coordenador da Comissão de Estudos de Revisão da NBR 15575.