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Energia eólica ganha guia de instalação

Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas da América Latina (Ideal) lança cartilha que orienta a instalação de microgeradores eólicos e sua conexão com a rede pública de energia

Publicado em: 22/06/2015

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

O Ideal – Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas da América Latina – lançou a cartilha intitulada ‘Como faço para ter energia eólica em minha casa’? Com ilustrações didáticas e linguagem simples, a publicação em papel e online (www.institutoideal.org), aborda os tipos de microgeradores eólicos e os procedimentos para a conexão à rede de equipamentos instalados em residências ou comércios.

As conexões na rede pública, conforme a normativa ANEEL 482, dependem de um processo para obtenção da permissão junto à distribuidora local
Luiz Pereira

“O objetivo foi, também, tirar dúvidas do pessoal de instalação sobre o sistema de compensação de energia, em vigor desde a resolução 482 da ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica –, de 2012”, conta Paula Scheidt, gerente de Projetos do Ideal e autora da cartilha, que contou com o apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ).

A ANEEL classifica como microgerador o sistema com potência de até 100 kW e minigeradores aqueles que vão de 100 kW a 1 MW. Ambos têm potência suficiente para gerar energia elétrica para abastecer pequenos consumidores, como residências, comércio ou até mesmo um galpão industrial. “Esses valores são referentes à potência máxima e não por hora. Sua configuração depende das condições de vento na região em que o sistema está instalado”, esclarece a gerente, acrescentando que um microgerador de 1 kW em Florianópolis vai se comportar diferente do mesmo equipamento colocado em Fortaleza. Para o correto dimensionamento do sistema, a solução é lançar mão de projetistas especializados.

O investimento vai desde menos de R$ 10 mil até mais de R$ 70 mil. O payback é um conceito que não se aplica bem à geração de energias renováveis, mas podemos falar em um período superior a dez anos
Luiz Pereira

COMO DIMENSIONAR UM MICROGERADOR?

“Os critérios para o dimensionamento do microgerador abrangem o potencial eólico do local de instalação, a dimensão e o tipo de carga que se pretende alimentar e, finalmente, o custo da instalação”, informa Luiz Cezar Pereira. O engenheiro é sócio da Enersud, fabricante de turbinas e alternadores que colaborou com a produção técnica da cartilha. Segundo ele, a melhor maneira de verificação do potencial eólico do local da instalação é consultar o Atlas Eólico do Brasil do CRESESB/CEPEL, que informa as coordenadas do local em questão. “No caso de uma residência unifamiliar, de quatro pessoas, padrão médio-alto de renda, o sistema deve se situar na faixa de 300 a 400 kW/h/mês. O atendimento total dessa carga, em região de ventos fortes, requer duas turbinas de 1.500 W”, exemplifica o engenheiro.


Turbina de eixo horizontal

Um aerogerador, grande ou pequeno, é composto por rotor aerodinâmico, alternador, sistema de direcionamento (horizontais), torre e conversor eletrônico de energia. De acordo com Pereira, o sistema para um edifício de vários pavimentos é o mesmo do utilizado em uma residência unifamiliar, considerando que são instalações em ambiente urbano. “De maneira geral, quanto mais elevada a posição do aerogerador, melhor. Em edifícios, há a vantagem de a altura do prédio contar como se fosse a altura da torre”, comenta.

As turbinas são divididas em duas categorias básicas: as de eixo horizontal, próprias para campo aberto, e as verticais, para o ambiente urbano. “A altura usual para a instalação no alto de prédios é de quatro metros para turbinas verticais. As pequenas turbinas são instaladas em tempo que não excede duas horas, desde que a fixação da torre seja resolvida. Em lajes, por exemplo, uma coluna metálica de quatro metros de altura ou um tubo alinhado por meio cabos de aço fazem boas torres para uma turbina vertical”, explica o engenheiro.

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Exemplo de turbina vertical

ARMAZENAMENTO, CONEXÃO E CUSTOS

A energia gerada pode ser armazenada em bateria ou entrar direto na rede interna da edificação para consumo. “As conexões na rede pública, conforme a normativa ANEEL 482, dependem de um processo para obtenção da permissão junto à distribuidora local”, diz Pereira, acrescentando que, fisicamente, a conexão está atrelada a um equipamento – o inversor de conexão – que hoje é importado.

O investimento para se ter um sistema eólico de geração de energia depende do porte do equipamento. “Vai desde menos de R$ 10 mil até mais de R$ 70 mil. O payback é um conceito que não se aplica bem à geração de energias renováveis, mas podemos falar em um período superior a dez anos. O melhor é considerar a vida do equipamento e calcular o custo da energia gerada”, conclui.

Colaboraram para esta matéria

Luiz Cezar Pereira – Formado pela Escola Nacional de Engenharia, com estágio em construção naval. Admitido na Petrobrás (REDUC) em 1966, ocupando cargos desde estagiário a superintendente geral. Em 1993, passou a ser responsável pela área de tecnologia do refino no CENPES. Atualmente, é sócio fundador da ENERSUD. A empresa atua há dez anos no mercado eólico brasileiro de pequeno porte, como fabricante de turbinas e alternadores com tecnologia 100% nacional e com patentes deferidas.
Paula Scheidt – Trabalha desde 2010 com projetos de energias renováveis, com foco em energia solar fotovoltaica, na Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) no Brasil. É jornalista e mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade pela Universidade Federal de Santa Catarina. Atua em apoio ao Instituto Ideal, coordenando o projeto América do Sol. Foi editora e responsável pelo desenvolvimento do projeto editorial do Portal CarbonoBrasil até 2009, e bolsista do programa Climate Change Media Partnership (CCMP) em 2009. Participou, em 2012, do curso relacionado às energias renováveis na Academia de Energias Renováveis de Berlim, na Alemanha.