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Entenda como o clima interfere na execução de estruturas de concreto

Ventos fortes, chuvas e temperaturas extremas devem ser controlados porque comprometem a qualidade do concreto e induzem a manifestações patológicas. Saiba como evitar reações químicas indesejadas

Publicado em: 12/03/2018Atualizado em: 14/11/2019

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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Se exposto a intempéries durante a fase de endurecimento, o concreto pode ter sua durabilidade comprometida (foto: shutterstock/Siarhei Dzmitryienka)

Conhecido por sua resistência e versatilidade, o concreto pode ter sua durabilidade comprometida quando exposto a chuvas intensas, ventos fortes, sol a pino e temperaturas extremas ainda na fase de endurecimento. Os problemas ocorrem porque as intempéries criam condições difíceis para os operários trabalharem, colocando em risco as boas práticas, além de gerarem reações químicas indesejadas que, sem o devido controle, induzem a manifestações patológicas variadas.

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FISSURAS NO CONCRETO

A interação entre os componentes do concreto – essencialmente entre o cimento e a água – gera reações químicas responsáveis pelo endurecimento da massa e que liberam calor. A temperatura do ambiente interfere nesse fenômeno, elevando ou reduzindo o chamado calor de hidratação.

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Em dias muito quentes (acima de 30°C), o calor de hidratação favorece a evaporação da água, gerando retrações no concreto. “Essa retração hidráulica provoca uma série de fissuras que servem como porta de entrada para agentes agressivos, como os cloretos, que reduzem a durabilidade da estrutura​”, afirma o engenheiro Arcindo Vaquero y Mayor, consultor-técnico da Abesc (Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Concretagem).

As baixas temperaturas (inferiores a 15 °C) também influenciam o calor de hidratação, retardando o endurecimento da massa e diminuindo a resistência inicial do concreto. Em princípio, isso não é algo preocupante porque, diante de uma cura adequada, o concreto endurece e atinge a resistência esperada. O problema é que essa condição cria a possibilidade de o concreto ser retirado das fôrmas precocemente, comprometendo a qualidade.

TERMÔMETROS SOB CONTROLE

Uma recomendação para os dias em que os termômetros estão abaixo de 15°C é cobrir as superfícies das fôrmas e do concreto com lonas logo após o lançamento, evitando a dissipação do calor. Outra estratégia que pode ser aplicada é aquecer a água de amassamento a temperaturas entre 25°C e 70°C.

Já para concretagens que acontecem sob temperaturas escaldantes – mais comum em um país tropical como o Brasil – o controle do aquecimento pode se dar por uma série de ações, a começar pela alteração do traço do concreto com a utilização de aditivos ou cimentos com adições.

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Também é possível recorrer ao uso do concreto resfriado com gelo ou com nitrogênio, técnica especialmente indicada na concretagem de grandes volumes, como em barragens e em blocos de fundações. O construtor pode, ainda, se valer do umedecimento da brita adicionada ao traço para diminuir a temperatura superficial desse componente.

PLANEJAMENTO APURADO

O ideal é cobrir a frente de trabalho com uma lona ou outro dispositivo similar, garantindo a proteção e a temperatura ideais ao trabalho
Egydio Hervé Neto

Tanto em dias muito quentes quanto em dias gelados, a programação da concretagem deve ser feita de modo que o lançamento aconteça nos horários de temperaturas mais amenas. “O ideal é cobrir a frente de trabalho com uma lona ou outro dispositivo similar, garantindo a proteção e a temperatura ideais ao trabalho”, sugere o engenheiro Egydio Hervé Neto, consultor em tecnologia do concreto.

Mesmo com todas essas alternativas, deve-se evitar realizar concretagens em dias de temperaturas externas (mais de 35°C e menos de 10°C).

CONCRETO AO VENTO

A temperatura ambiental não é o único fator que impacta a taxa de evaporação do concreto. A perda de água pode ser impulsionada pela baixa umidade do ar e pela velocidade do vento no local da concretagem, também levando a fissuras de retração. A adição de fibras ao traço é uma das medidas que ajudam a evitar esses problemas.

Também é crucial que haja a cura adequada, seja ela úmida ou química, até atingir a resistência mínima determinada em projeto. Como regra, quanto maiores forem os cuidados com a cura, melhor tende a ser o desempenho mecânico e a resistência do concreto, e menores serão as chances de ocorrência de fissuras por retração.

Para evitar que a superfície acabada do concreto sofra diante de rajadas de vento ou de chuvas intensas, outra providência recomendável é proteger a superfície do concreto com telas
Arcindo Vaquero y Mayor

“Para evitar que a superfície acabada do concreto sofra diante de rajadas de vento ou de chuvas intensas, outra providência recomendável é proteger a superfície do concreto com telas”, comenta Vaquero y Mayor. “A chuva intensa, principalmente, ameaça a qualidade do concreto ao lavar superficialmente o material recém-concretado, varrendo componentes e alterando o traço da mistura”, acrescenta Hervé Neto.

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Colaboração técnica

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Egydio Hervé Neto – Engenheiro-civil formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), é consultor em tecnologia do concreto e CEO da Ventuscore Soluções em Concreto.
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Arcindo Vaquero y Mayor – Engenheiro-civil formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie é consultor-técnico da Abesc (Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Concretagem)