Erros de especificação podem causar manifestações patológicas em rochas

Embora raros, problemas como manchas e descamação podem comprometer o desempenho de rochas como granitos e mármores. Saiba como evitar esses problemas

Publicado em: 26/11/2020Atualizado em: 30/10/2023

Texto: Juliana Nakamura

rochas ornamentais
Se bem mantidas, as rochas ornamentais podem durar décadas (foto: StudioDin/shutterstock)

As rochas ornamentais são conhecidas por sua resistência e durabilidade. Quando são especificadas para a aplicação certa e recebem os cuidados de manutenção adequados, podem durar muitos anos, por vezes, décadas, atendendo a requisitos para fins estruturais e arquitetônicos.

Mas em casos excepcionais, esses materiais podem sofrer com manifestações patológicas. Entre as mais recorrentes está o aparecimento de manchas alaranjadas em mármores, granitos ou quartzitos claros. Há, também, a sub-eflorescência que surge com a descamação ou desprendimento de pequenas partículas da rocha. Nesse caso, o problema começa com pequenas áreas levantadas na superfície polida e que evolui para o desprendimento de fragmentos, como uma areia fina. Também em pedras polidas há, ainda, a perda de brilho que pode ser provocada por motivos diversos.

“Em rochas instaladas em calçadas, pode ocorrer a formação de manchas escuras em locais mais úmidos ou que recebem alguma secreção de plantas e insetos. Além disso, já vimos casos de manchas azuladas, esverdeadas e avermelhadas em mármores brancos, mas que são bem raras", cita o geólogo Eduardo Brandau Quitete, pesquisador do Laboratório de Materiais de Construção Civil do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo).

MANCHAS E DESGASTES

A especificação correta reduz bastante a ocorrência de manifestações patológicas em pedras ornamentais. Deve-se dar atenção, por exemplo, ao uso de rochas com baixa resistência ao desgaste para pisos com alto tráfego de pessoas. “Não significa que esse material não possa ser utilizado. Mas o especificador e o usuário final precisam estar cientes dos problemas que podem ocorrer, como perda de brilho e eventual redução de espessura nos locais mais críticos”, alerta Quitete.

Algo semelhante acontece com a instalação de mármore em bancadas de cozinha. “Nesse caso, o usuário precisa saber que não pode deixar líquidos ácidos (sucos de frutas, vinho, vinagre) em contato com a rocha, sob o risco de ela perder o brilho, apresentar manchas e, até sofrer corrosão", salienta o geólogo, lembrando que uma bancada de mármore polido, quando adequadamente usada, pode manter sua beleza por décadas.

São igualmente fundamentais para garantir o desempenho das rochas ornamentais as boas práticas de instalação e manutenção. Um erro comum é, ao final da instalação, limpar a rocha com ácido muriático (ácido clorídrico) para remover excesso de argamassa e respingos de cimento. Os mármores, assim como alguns granitos e quartzitos, são sensíveis ao ácido clorídrico e poderão apresentar manchamento alaranjado ou corrosão e perda de brilho se o contato com essas substâncias for prolongado.

Algumas vezes, os problemas se devem às próprias características da rocha. É o caso da sub-eflorescência. “Conhecemos alguns condicionantes microscópicos, mas não temos como afirmar se uma rocha vai ou não apresentar a patologia quando submetida a condições desfavoráveis”, explica Eduardo Quitete.

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BOAS PRÁTICAS PARA EVITAR PROBLEMAS

A água está envolvida em quase todas as manifestações patológicas em rochas ornamentais. A maior parte dos manchamentos e sub-eflorecências não ocorrem se não houver umidade dentro da rocha ou no substrato. Portanto, se uma rocha é suspeita de ser suscetível, ela deve ser impermeabilizada. Para evitar sub-eflorescências o mais recomendável é utilizar impermeabilizantes de alta penetração.

Em especial para aplicações em fachadas, devem ser adotados alguns cuidados visando garantir segurança e durabilidade. O primeiro deles é conhecer o coeficiente de dilatação da rocha para dimensionar o espaçamento entre as placas. "Já ocorreram casos de quedas de placas de fachadas por espaçamento insuficiente", menciona Quitete.

Além disso, os projetistas precisam conhecer a resistência da rocha à flexão para calcular a espessura mínima segura em função da pressão estimada do vento. O pesquisador do IPT alerta para o uso de placas de rocha em fachadas com menos de 30 mm de espessura, presas por insertes de aço, sem o devido cálculo da espessura mínima segura.

"Como a água é um importante fator de deterioração das rochas, é importante que a escolha do material para essas aplicações se dê sobre rochas com baixa absorção de água e bons resultados de resistência ao ataque químico, lembrando que a poluição também é um fator de deterioração", conclui o geólogo.

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Colaboração técnica

Eduardo Brandau Quitete – graduado em Geologia pelo Instituto de Geociências da USP, tem mestrado em Engenharia Mineral pela Universidade de São Paulo. Atualmente é pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo.