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Especificação e aplicação de rejunte devem se basear em norma técnica

A normativa costuma ser utilizada pelos fornecedores, que informam, na embalagem, o tipo do rejunte e sua formulação: se é cimentício, acrílico ou epóxi. Veja as diferenças entre eles

Publicado em: 18/02/2021

Texto: Hosana Pedroso

rejuntes
Os rejuntes estão disponíveis nos tipos AR-I, destinado aos locais de trânsito não intenso, e o AR-II, usado em fachadas, porcelanatos e áreas com água estancada (foto: shutterstock/FotoDuets)

Até 2003 não havia norma técnica brasileira que preconizasse o uso adequado de rejuntes. Naquele ano, entrou em vigor a ABNT NBR 14992 – Argamassa à base de cimento Portland para rejuntamento de placas cerâmicas – Requisitos e métodos de ensaios. “Além de demorar para ser criada, a norma é uma tradução quase literal da norte-americana e não está completa”, lamenta o engenheiro e doutor Angelo Just, diretor Técnico da Tecomat Engenharia. Ele aponta, por exemplo, a ausência de critérios normativos para prevenir fungos e mofo nos rejuntes. Com 17 anos de existência, está mais do que em tempo de ser revisada, oportunidade para abranger tudo o que não foi prescrito.

De acordo com Just, a melhor maneira de especificar os rejuntes é por meio da identificação do tipo indicado pelo fornecedor, em conformidade com a norma técnica, que prevê dois tipos de rejuntes. O AR-I possui aplicação restrita aos locais de trânsito não intenso; placas cerâmicas com absorção de água acima de 3%; ambientes externos, piso ou parede, desde que não excedam 20 m² e 18 m², respectivamente, limite a partir do qual são exigidas juntas de movimentação. “O tipo I é um rejunte mais simples, normalmente indicado para ambientes internos”, observa.

O tipo I é um rejunte mais simples, normalmente indicado para ambientes internos
Angelo Just

Já o AR-II é indicado para fachadas, porcelanatos e áreas com água estancada, como piscinas e espelhos d’água. “Infelizmente, não há ampla divulgação dessas especificações junto ao público em geral, e mesmo entre alguns projetistas. Isso desestimula os fabricantes a detalhar os critérios de forma mais clara nas suas sacarias. Mas se trata de uma excelente indicação, notadamente pelo seu embasamento normativo”, destaca.

Tipos e usos

Os rejuntes mais comuns no mercado são os cimentícios, amplamente empregados pela construção civil do país, seguidos pelos acrílicos e epóxi. “Quase todos os cimentícios são aditivados à base de resinas poliméricas, além de pigmentos”, explica Just, acrescentando que os rejuntes acrílicos nascem da mesma fórmula, à qual a resina acrílica é adicionada. As principais diferenças entre os três residem na técnica de aplicação e no acabamento (textura).

O rejunte epóxi, embora resulte em bom acabamento, é o mais difícil de aplicar e depende de mão de obra treinada. De secagem muito rápida, exige a limpeza imediata da superfície. “Se o profissional aplicar de forma errada, o que acontece com frequência, o epóxi adere no revestimento cerâmico e, ainda, tem sua vida útil comprometida”, comenta. É um produto mais caro do que o cimentício, indicado para áreas internas e externas de alto tráfego, principalmente de pisos industriais ou comerciais.

Cuidados na aplicação

Em geral, os principais cuidados residem na técnica de mistura para uma adequada homogeneização do produto, por isso é indicada uma mistura mecânica. É preciso:

• ter controle da quantidade de água utilizada;
• observar o tempo máximo disponível para aplicação após o primeiro contato com a água;
• escolher corretamente as ferramentas empregadas para o acabamento, conforme a textura e a profundidade desejadas para o sulco.

“Além das questões de aplicação, é imprescindível que a espessura do rejunte esteja de acordo com as necessidades de movimentação da base (piso ou parede), o que permite a adequada acomodação dos esforços e facilita o total preenchimento da cavidade”, completa.

A aplicação inadequada, ocasionando falhas de preenchimento, vai resultar na infiltração de água e acúmulo de sujeira, entre outros problemas. Quando há problemas na quantidade de água empregada, poderá ocorrer diferença visual na tonalidade do rejunte e formação prematura de mofo e fungo na superfície, principalmente em ambientes externos sujeitos à ação conjunta da água e calor.

“Em casos mais graves, pode acontecer o destacamento do rejunte, muito comum em áreas de piscina, o que pode ser decorrente da utilização de produto com baixo teor de cimento ou de produtos de limpeza excessivamente agressivos”, destaca Just.

Manutenção

Em casos mais graves, pode acontecer o destacamento do rejunte, muito comum em áreas de piscina, o que pode ser decorrente da utilização de produto com baixo teor de cimento ou de produtos de limpeza excessivamente agressivos
Angelo Just

Como qualquer material de construção, é importante que sejam efetuadas inspeções rotineiras para identificação de eventuais destacamentos, falhas de preenchimento, fissuras e perda de cor que possam acontecer com o passar do tempo, notadamente em situações de maior agressividade, como fachadas, piscinas e banheiros.

A técnica de manutenção vai depender do tipo de problema e do estado de conservação encontrado, que pode ser desde uma simples limpeza, passando pela aplicação superficial de algum tipo de hidrorrepelente e, até mesmo, a completa substituição, em casos extremos.

As falhas no rejunte podem contribuir para os problemas de infiltração de água para os pavimentos inferiores. Contudo, é fundamental que o sistema de impermeabilização utilizado sob a camada de revestimento cerâmico, de mármore ou granito, entre outros, esteja funcionando de forma adequada, para realmente assegurar um perfeito funcionamento do sistema. “Mesmo em casos em que o rejunte esteja íntegro, é possível a ocorrência de problemas de infiltração de água quando o sistema de impermeabilização entra em falência”, alerta.

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Colaboração técnica

Angelo Just – Engenheiro Civil pela Universidade Federal de Pernambuco (1996), mestre (2001) e doutor (2008) em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo. Atualmente é Professor Assistente da Universidade de Pernambuco e Universidade Católica de Pernambuco. Diretor Técnico da Tecomat Engenharia Ltda. Coordenador do GT de Argamassas da Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído (ANTAC).