Espelhos d’água podem ser usados como reservatórios de combate a incêndio

Mais do que simplesmente decorativas, essas instalações podem desempenhar funções técnicas no projeto

Publicado em: 29/08/2016Atualizado em: 30/10/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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Foto: Leonardo Finotti, Projeto: Nova Sede da CNM - Mira Arquitetos

À primeira vista, os espelhos d’água podem parecer simples elementos decorativos na composição arquitetônica das edificações. Em muitos projetos, porém, eles desempenham funções técnicas mais práticas, servindo, por exemplo, de reservatório de água para combate a incêndios ou como um climatizador natural capaz de atenuar as ilhas de calor nas construções.

A água age como elemento de climatização dos espaços arquitetônicos por meio do processo de esfriamento por evaporação
Luís Eduardo Loiola

Empregados tanto em áreas externas quanto em ambientes internos, os espelhos d’água permitem compor microclimas nas edificações, proporcionando maior conforto térmico aos usuários. “A água age como elemento de climatização dos espaços arquitetônicos por meio do processo de esfriamento por evaporação”, conta Luís Eduardo Loiola, arquiteto e sócio-fundador do escritório Mira Arquitetos.

Dessa forma, além de aumentar a umidade do ar, o espelho d’água ajuda a reduzir a temperatura no ambiente, minimizando os efeitos das chamadas ilhas de calor. “Se utilizados sobre lajes, os espelhos d’água protegem as superfícies horizontais de insolação, direta melhorando o desempenho térmico da construção”, acrescenta o arquiteto.

O espelho d’água foi uma solução encontrada para garantir privacidade e conformação dos fluxos sem demandar, necessariamente, uma grade na frente do clube
Renato Dalla Marta

RESERVA DE ÁGUA

Outra função que os espelhos d’água podem desempenhar nas construções é a de armazenamento de água para uso em bacias sanitárias, torneiras de lavagem de garagens e áreas técnicas em geral. “Também pode ser utilizado como reservatório para combate a incêndio”, completa Loiola, cujo escritório projetou os espelhos d’água com essa função na Nova Sede da Confederação Nacional de Municípios, em Brasília.

“Nós aproveitamos o espelho d’água como reservatório para diminuir o tamanho das caixas de água. O impacto na volumetria do edifício seria muito grande se não tivéssemos adotado essa solução”, relata o arquiteto.

Para que funcione como reservatório, o espelho d’água deve contar com infraestrutura dotada de conjunto de moto bombas de recalque, reservatórios auxiliares, sistema de pressurização garantindo pressões adequadas a todos os pontos de consumo, além de estações de tratamento específicas.

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Foto: Marcelo Donadussi, Projeto: Alphaville - AUM

FLUXOS

Os espelhos d’água também auxiliam na orientação de fluxos dos projetos, uma vez que podem impedir a passagem do usuário e obrigá-lo a percorrer seu contorno. Esse recurso foi utilizado no projeto Alphaville Pelotas para separar a área interna da área externa do clube.

“O espelho d’água foi uma solução encontrada para garantir privacidade e conformação dos fluxos sem demandar, necessariamente, uma grade na frente do clube”, explica Renato Dalla Marta, arquiteto e titular do escritório de arquitetura AUM Arquitetos.

Dicas para projetar

Construídos em geometrias variáveis, os espelhos d’água têm, de modo geral, profundidades que variam de 20 cm a 60 cm. Podem ser de concreto armado, lonas plásticas ou de borracha.

A solução requer projeto de impermeabilização, em que é indicada a aplicação de mantas de EPDM (borracha de etileno-propileno-dieno).

O fundo pode ser preenchido com pastilhas de vidros, pedrinhas, seixos, entre outros. Já as bordas externas costumam ser projetadas em mármore, madeira, granito e pastilhas, variando de acordo com o projeto. Os espelhos d’água podem receber diversos ornamentos, como cascatas, fontes, peixes, iluminação, entre outros.

Recomenda-se, ainda, elaborar um estudo prévio do terreno onde o espelho d’água será construído, além de um bom projeto de drenagem e do sistema de filtragem da água.

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Colaboração técnica

Luís Eduardo Loiola – Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Sócio-fundador do escritório Mira Arquitetos.
Renato Dalla Marta – Graduou-se em 2002 pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) Mackenzie. Trabalhou como colaborador no escritório Rocco Associados. Criou o escritório AUM Arquitetos em 2004 ao lado de André Dias Dantas e Bruno Bonesso Vitorino.