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Esquadrias de PVC oferecem estanqueidade e fácil manutenção

Muito além dos atributos estéticos, solução é conhecida por seus inúmeros benefícios. Veja, a seguir, os cuidados na hora de especificar, instalar e realizar a manutenção

Publicado em: 03/03/2020Atualizado em: 01/11/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

esquadrias de pvc
As esquadrias de PVC podem ser usadas em empreendimentos residenciais, comerciais, hospitalares, educacionais, entre outros (foto: Luckeyman/shutterstock)

Desde que a ABNT NBR 15575 — Edificações habitacionais — Desempenho passou a vigorar, em julho de 2013, as construtoras começaram a buscar esquadrias de qualidade elevada. Nesse contexto, ganharam espaço produtos que garantem boa iluminação natural, isolamento acústico, entre outros benefícios. É o caso dos caixilhos de PVC, que oferecem, ainda, ótima estanqueidade, conforto térmico, sustentabilidade e facilidade de manutenção.

“Com o advento da norma, o custo deixa de ser fator determinante, e a seleção é norteada pelos níveis de desempenho e as necessidades da edificação”, destaca Eduardo Rosa, diretor Executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Sistemas, Perfis e Componentes para Esquadrias de PVC (ASPEC-PVC). Além da ABNT NBR 15575, esse tipo de caixilho também atende a ABNT NBR 10821 — Esquadrias externas para edificações.

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De acordo com Miguel Bahiense, presidente do Instituto Brasileiro do PVC, a solução pode ser usada em diferentes empreendimentos, como nos residenciais, comerciais, hospitalares, educacionais, entre outros. Para isso, o projetista tem que analisar bem o cenário. “Ou seja, conhecer as particularidades para melhor escolher entre as opções disponíveis”, complementa Edir Miranda Junior, gerente Comercial da Claris, empresa do Grupo Tigre.

CUIDADOS NA ESPECIFICAÇÃO

A localização do imóvel e a altura do pavimento em que a janela será instalada são algumas das variáveis a serem estudadas na especificação da esquadria de PVC. “Ambos os fatores estão relacionados à pressão que o vento exerce no caixilho, sendo necessário atender a ABNT NBR 6123 – Forças devidas ao vento em edificações”, informa Rosa. A região onde fica o empreendimento influencia também no índice de isolamento sonoro que a fachada toda precisa apresentar, considerando a classe de ruído correspondente.

Em áreas litorâneas, há a exigência de materiais que sejam resistentes à corrosão
Miguel Bahiense

A geografia interfere ainda na escolha dos componentes. “Em áreas litorâneas, há a exigência de materiais que sejam resistentes à corrosão”, exemplifica Bahiense, lembrando que a tipologia adequada é outra definição do projeto. “Os sistemistas têm diferentes concepções de sistemas de perfis para esquadrias em função do nível de desempenho a ser atendido. É possível atingir patamares distintos conforme variação nas configurações de reforços, acessórios, entre outros”, afirma Rosa.

Para que a escolha seja segura, o arquiteto deve dar preferência aos fornecedores que fazem parte do Programa Setorial da Qualidade de Esquadrias de PVC (PSQ). A relação de fabricantes qualificados está disponível nos relatórios setoriais, emitidos trimestralmente e que podem ser consultados no site do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H).

É recomendado conhecer o histórico de mercado, afinal, o valor da esquadria em uma obra é bastante significativo
Edir Miranda Junior

O passado da empresa pode ser consultado para ajudar a decidir entre um fornecedor ou outro. “É recomendado conhecer o histórico de mercado, afinal, o valor da esquadria em uma obra é bastante significativo”, aconselha Miranda. Atividade que faz parte da especificação é a comparação das propostas recebidas para avaliar qual conjunto tende a oferecer o melhor resultado final. “O caixilho de PVC valoriza o empreendimento, sendo um item que proporciona qualidade e beleza à edificação”, comenta Bahiense.

A IMPORTÂNCIA DOS COMPONENTES

A certeza de que o sistema cumprirá exatamente aquilo que foi previsto em projeto passa pela escolha adequada dos componentes — roldanas, fechos, parafusos, gaxetas e escovas. Devem ser selecionados aqueles com vida útil compatível com a da esquadria. No caso dos elementos de fixação e demais peças metálicas, é preciso optar pelos que foram submetidas à exposição em câmara de névoa salina neutra, conforme descrito na ABNT NBR 8094 — Material metálico revestido e não revestido — Corrosão por exposição à névoa salina — Método de ensaio. Os produtos aprovados garantem o desempenho mecânico e a estética do produto final.

As roldanas têm que suportar a carga e o número de ciclos exigidos pelo sistema. “O ensaio de verificação do comportamento sob ações repetidas de abertura e fechamento, previsto na ABNT NBR 10821, possibilita a avaliação da adequação dos rodízios empregados e sua interferência na capacidade de operação do sistema ao longo do tempo”, detalha Rosa. Para acionamento e recolhimento das persianas de enrolar, devem ser especificados componentes que assegurem a movimentação sem emperramentos ou quebra de outros itens. “Também há ensaio específico realizado na persiana de enrolar”, completa.

Os selantes e componentes de travamento impactam diretamente os níveis de desempenho obtidos pela esquadria em relação à estanqueidade, isolamento sonoro e, principalmente, permeabilidade ao ar. “A especificação de fechos, guarnições e escovas adequados assegura máxima vedação e minimização de frestas, consequentemente, oferecendo performance superior”, ressalta Rosa.

DETALHES DA INSTALAÇÃO

Antes de iniciar o procedimento de instalação da esquadria de PVC, as dimensões do vão precisam ser consultadas em busca de possíveis folgas na face interna. “O vão deve ser verificado antes da fabricação das esquadrias e não pode conter grande variação de tamanhos. A recomendação é que sejam tomadas, pelo menos, três medidas na altura e largura: uma em cada extremidade e a terceira no centro”, afirma Bahiense, destacando que o prumo é fundamental para que a esquadria seja instalada corretamente e evite infiltrações futuras.

Segundo Miranda, o nivelamento da base do vão é um dos fatores de maior patologia nas edificações, sendo que na maioria dos casos é necessária a remoção do caixilho para regularização. “A quantidade de fixações em uma esquadria é determinada pelo fabricante, garantindo que o conjunto atenda aos requisitos da ABNT NBR 10821”, diz. A preparação do peitoril é realizada com silicone neutro e o marco da esquadria tem que ser posicionado no vão limpo de resíduos e poeira, utilizando cunhas removíveis.

Após a fixação dos parafusos, nível e prumo precisam ser verificados novamente e, caso necessário, realizados os ajustes. “Na sequência, as folhas são instaladas e o funcionamento da esquadria é testado, observando se a movimentação e travamento estão corretos”, ensina Rosa. Depois de efetuar a vedação entre alvenaria e caixilho, com aplicação de espuma de poliuretano (PU), as cunhas provisórias são retiradas e os espaços vazios preenchidos. Por fim, é feita a vedação das interfaces interna e externa do vão com a esquadria, com uso de selante de silicone; instalados os perfis de arremate; e verificado o acabamento final e movimentação.

O processo tradicional utiliza buchas plásticas e parafusos de aço inox para a ancoragem da esquadria na alvenaria. “O preenchimento da folga entre a peça e a alvenaria é feito com espuma expansiva de poliuretano pelo lado interno do ambiente. Já na face externa do caixilho, a vedação é realizada com um selante silicone ou PU. Ambos contribuem também para o isolamento acústico do conjunto”, diz Bahiense.

MANUTENÇÃO

A limpeza das esquadrias de PVC deve ser feita com solução de água e detergente neutro, a 5%, com auxílio de esponja ou pano macio. Não podem ser utilizados produtos ácidos ou alcalinos, fórmulas de detergentes ou saponáceos, esponjas de aço e qualquer outro material abrasivo. Também precisam ser evitados objetos cortantes ou perfurantes, além dos compostos derivados do petróleo (vaselina, removedor, entre outros), cuja fórmula contém elementos que prejudicam a ação vedadora de plásticos e borrachas.

O marco inferior das esquadrias de correr tem que ser constantemente limpo, a fim de evitar o acúmulo de poeira que se compacta pela ação de abertura e fechamento. Esses resíduos comprometem o desempenho das roldanas, exigindo sua precoce substituição. “A frequência das manutenções depende do local onde a edificação está, sendo maior em áreas marítimas e industriais, e menor nas regiões de pouca agressividade, como as rurais”, fala Miranda.

NOVA NORMA TÉCNICA

A parte 2 da ABNT NBR 10821 estabelece, no item 4.4.3, que esquadrias de PVC devem atender aos requisitos da BS EN 12608, que trata da especificação dos perfis para a fabricação de janelas e portas. “Em março de 2017, o GT 3: ‘Perfis de PVC rígido para esquadrias’ — Grupo de Trabalho inserido na ABNT/CEE-191 — teve sua criação aprovada diante da necessidade de elaboração de uma norma brasileira para perfis de PVC rígido utilizados na fabricação de esquadrias, com base na norma europeia EN 12608”, lembra Rosa.

A nova norma deverá ser composta por três partes: Parte 1 – Requisitos para perfis de cores claras; Parte 2 – Métodos de ensaio; e Parte 3 – Requisitos para perfis coloridos e colaminados. “Atualmente, as duas primeiras já foram encaminhadas à analista técnica da Gerência do Processo de Normalização da ABNT e estão em fase de ajuste final para liberação à consulta nacional. Já a terceira encontra-se em discussão e estudos”, informa Rosa.

VANTAGENS

A esquadria de PVC é consideravelmente estanque à água, ao ar e a insetos devido aos cantos das folhas e do marco serem soldados com o próprio PVC no processo construtivo. Os níveis superiores de estanqueidade resultam em expressivo ganho no consumo de energia elétrica em ambientes com ar-condicionado. Isso acontece pelo fato de que não há perda de calor, por vazamento, pelo corpo do caixilho. A baixa condutividade térmica assegura, ainda, que eventos como a exsudação da superfície não ocorram.

A estanqueidade assegura bons resultados na questão dos ruídos. Esquadrias de PVC têm ótimo desempenho acústico, garantindo ao usuário conforto e saúde
Eduardo Rosa

“A estanqueidade assegura bons resultados na questão dos ruídos. Esquadrias de PVC têm ótimo desempenho acústico, garantindo ao usuário conforto e saúde”, destaca Rosa. Esse tipo de janela dispensa a necessidade de pintura, verniz ou qualquer outro tipo de acabamento. O PVC apresenta alta resistência a ataques químicos e biológicos (cupins, roedores e insetos). “Ressalta-se, ainda, a durabilidade do produto como outro fator de economia. Inexistindo necessidade de reposição, não há descarte ou uso de novos recursos naturais”, complementa.

Esquadrias de alumínio ou PVC?

Estudo realizado pela Fundação Espaço Eco, para o Instituto Brasileiro do PVC, comparou aspectos ambientais e econômicos de janelas brancas de PVC e esquadrias da mesma cor fabricadas a partir do alumínio. O trabalho contemplou a produção, montagem, instalação, uso (com e sem ar-condicionado), manutenção e destinação final dos produtos. “Foram consideradas variações térmicas diferentes, em cidades como São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Natal (RN)”, comenta Bahiense.

Os resultados mostraram que a janela de PVC é a mais ecoeficiente. Na avaliação das 11 categorias analisadas, a solução apresentou melhor desempenho em 10, se destacando, principalmente, em ‘Consumo de Energia’. “Entre os pontos que contribuíram para essa conclusão está o desempenho positivo (eficiência energética) para o conforto térmico, quase duas vezes superior ao da janela de alumínio”, explica Miranda.

No processo de produção, a janela de PVC consome 2,3 vezes menos energia, já na montagem foi observada vantagem da alternativa em plástico por ser naturalmente branca e não precisar de revestimento. Por outro lado, a metálica demanda pintura eletrostática, processo que necessita de muita eletricidade. “Entre as categorias ambientais, o alumínio só se sobressai em ‘Potencial de Depleção da Camada de Ozônio’, quesito que tem a menor relevância do estudo: 0,3%”, conclui Bahiense.

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Colaboração técnica

Eduardo Rosa
Eduardo Rosa - Graduado em Desenho Industrial e Comunicação Visual pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). É diretor de Criação e diretor de Gestão de Marcas e Marketing na R2MIX e Marketing. Atualmente, ocupa o cargo de diretor Executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Sistemas, Perfis e Componentes para Esquadrias de PVC (ASPEC-PVC).
Miguel Bahiense
Miguel Bahiense - Graduado em Engenharia Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pós-graduado em Comunicação Empresarial pela FAAP. Tem experiência nas questões ambientais que envolvem a relação do setor plástico com setores da sociedade, tais como mídia, governo (Executivo, Legislativo e Judiciário), formadores de opinião, universidades, entre outros. É presidente da Plastivida e do Instituto Brasileiro do PVC, além de diretor do Instituto Nacional do Plástico (INP) e gerente de Projetos do Think Plastic Brazil. Atua na promoção e defesa da imagem dos plásticos, com foco na sustentabilidade.
Edir Miranda Junior
Edir Miranda Junior - Arquiteto e pós-graduado em marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), e em Inovação em Produto pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Tem 20 anos de atuação no mercado de esquadrias e é gerente Comercial da Claris, empresa do Grupo Tigre.