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Esteiras de tratores e escavadeiras pedem inspeção periódica

Falta de manutenção, maus hábitos de operação e lubrificantes de baixa qualidade estão entre os principais fatores prejudiciais das esteiras que operam em obras

Publicado em: 27/01/2016Atualizado em: 16/11/2022

Texto: Redação PE

Redação PE

O material rodante dos equipamentos é constituído de ferro bruto e representa até 50% dos custos com manutenção. Para conservá-lo em bom estado, todo cuidado é necessário com uma rotina de inspeção e manutenção periódica a fim de evitar perdas de produtividade e substituição de máquina em canteiro.

“Ignorar a necessidade de manutenção é o maior erro que se pode cometer”, informa o coordenador de serviço da Case Construction Equipment, Relton Henrique Cesar. Segundo ele, esperar que alguma falha ocorra para depois procurar manutenção certamente causa grandes transtornos. Além da dificuldade de movimentar o equipamento, os custos também serão mais altos se não houver prevenção.

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Ele recomenda algumas ações que evitam desgaste prematuro. Por exemplo, ao empurrar o material, não deve haver excesso de velocidade. É necessário reverter o sentido de translação e utilizar prancha sempre que for necessário ao deslocar o equipamento por longas distâncias.

A manutenção preventiva é igualmente importante, começando pela inspeção e limpeza das esteiras. “Esse cuidado simples pode elevar significativamente a vida de seus componentes”, destaca Cesar.

Tensão das esteiras deve ser acompanhada

Cesar informa que o tensionamento das esteiras deve ser verificado conforme informado no manual de operação. “Além disso, é preciso medir o desgaste de roletes, roda-guia e roda motriz, sempre respeitando os limites para substituição desses itens”, acrescenta.

O diretor técnico da Rolink Tractors, Joaquim Marcelino Filho, ressalta que o perfeito ajuste da tensão das esteiras é primordial para conservá-las. Ele explica que alguns procedimentos são necessários para assegurar que elas permaneçam em boas condições como a movimentação do equipamento em terreno plano (10 metros para frente e também para trás) e parar a máquina sem precisar usar freios ou embreagem lateral.

“Em seguida, verifique a flecha (curvatura) apresentada pela esteira. Se superior ou inferior ao descrito no manual do fabricante é preciso fazer o ajuste”, orienta ele. “Acione o pistão hidráulico do esticador da esteira o máximo que puder, para eliminar totalmente a folga existente e verifique no manual do equipamento qual deve ser utilizado (referência no colar ou mancal da roda guia). Ao prosseguir, solte o parafuso (válvula) e movimente o equipamento até a esteira afrouxar e após essa operação, aperte parafuso e acione graxa no pistão até aparecer a marca com a medida adotada”, conclui.

Maus hábitos de operação depreciam o rodante

Somados à falta de manutenção e giro, os maus hábitos de operação, muitas vezes cometidos em nome da pressa, estão entre os principais depreciadores do rodante. “Os tratores sobre esteiras nunca vão desenvolver a mesma velocidade de um sobre rodas”, afirma Arthur Vieira, diretor da Mult Rental. “Quanto maior a velocidade, maior aquecimento e atrito entre as partes. O correto é que se trabalhe sempre em primeira e segunda marchas, nunca em terceira ou superior”, alerta.

Para ele, o acúmulo de cascalhos, terra, lama, vegetação e pedras no interior da esteira pode causar o travamento dos roletes. “Dependendo da quantidade de material acumulado, deve ser feita a limpeza ao final do turno a fim de evitar trincas nos elos, sapatas ou nas buchas”, diz.

Marcelino, da Rolink, observa que, quanto mais um operador é treinado, melhores serão os resultados. Por exemplo, quem tem o vício de operar apenas de um lado da escavadeira, haverá maior fadiga, desalinhamento e desgastes de mancais nesse lado, de forma desigual. “O desgaste nas esteiras ocorre mais no movimento de ré que no avante. Neste último, a marcha de força é acionada em virtude da carga à frente e, na ré, a velocidade é maior e sem carga”, explica.

De olho na lubrificação

Cesar, da Case, ressalta a importância da qualidade e origem dos lubrificantes e das peças utilizadas. “Produtos genuínos garantem um padrão de qualidade elevado, pois são testados e homologados para aquele produto e suas aplicações. Outra dica é nunca misturar componentes novos com os já desgastados, prática que diminui a vida útil dos componentes novos”, orienta.

As esteiras dos tratores possuem longevidade bem menor que a das escavadeiras, por trabalharem com maior movimento do rodante. Para esse tipo de máquina, Marcelino da Rolink diz que as esteiras lubrificadas são as mais indicadas. “Elas têm um bom rendimento, mas para se fazer o giro, são necessários ferramentais adequados e bomba especializada que garanta confiabilidade com testes de pressão positiva e negativa”, diz Marcelino.

No caso das escavadeiras, o mercado está mais voltado à utilização das esteiras engraxadas por assegurarem melhor resultado e darem giro de pino e bucha com maior tempo de horas (25% a 30% maior de vida útil). “Muitas pessoas perdem em produtividade e vida útil das escavadeiras por não fazerem o giro de pino e bucha. Quando não é feito, a esteira é tirada por volta das 7 mil horas, enquanto, na realidade, se girasse os pinos e buchas por volta de 5 a 6 mil horas, na segunda vida poderia chegar até 10 mil horas, ganhando aproximadamente 30% da vida útil”.

 

Colaboraram para esta matéria

Relton Henrique Cesar - Coordenador de serviço da Case Construction Equipment

Joaquim Marcelino Filho - Diretor técnico da Rolink Tractors

Arthur Vieira - Diretor da Mult Rental