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Fachadas de granito: conheça os principais critérios de especificação

Para garantir durabilidade e segurança, resistência à flexão e taxa de absorção de água devem ser considerados na escolha das placas. Saiba mais:

Publicado em: 15/12/2020

Texto: Juliana Nakamura

fachada de granito
Fachadas de granito carecem de baixa manutenção (foto: furkansoyturk/shutterstock)

O uso de granito para cobrir fachadas está muito associado à durabilidade, sofisticação e baixa manutenção. Embora essas rochas sejam consideradas bastante resistentes, grande parte de seu desempenho, segurança e eficiência está atrelada à correta especificação do revestimento e do método de instalação.

FACHADAS VENTILADAS

Na última década, especialmente em edifícios comerciais, a evolução dos sistemas de ancoragem por insertes metálicos ofereceu um motivo adicional para explorar essa opção, ao permitir agregar eficiência energética aos edifícios. Com a instalação sobre perfis e pinos de aço inoxidável, as placas de granito são afastadas da estrutura criando um colchão de ar que ajuda a reduzir a carga térmica do edifício, melhorando o conforto e a eficiência, além de permitir a secagem rápida das placas em caso de chuvas, evitando manchas e eflorescência.

A fixação com insertes metálicos é abordada pela ABNT NBR 15.846: Rochas para revestimento — Projeto, execução e inspeção de revestimento de fachadas de edificações com placas fixadas por insertos metálicos, atualmente em revisão.

Os fixadores podem ser chumbados tanto em estruturas de concreto, quanto em estruturas de aço. Nesse último caso, contudo, os elementos de fixação devem receber tratamento superficial específico para evitar os efeitos negativos do contato direto entre metais diferentes.

Outro método para a fixação de granitos em fachadas é a colagem com argamassa, mais restrita a residências com pouca altura. Nesses casos, a qualificação da mão de obra, bem como o controle de qualidade dos insumos são fatores críticos para o sucesso da aplicação.

CRITÉRIOS DE ESPECIFICAÇÃO DAS PLACAS

No desenvolvimento do projeto de fachadas de granito, os profissionais devem estar atentos a três pontos em especial:

• Às propriedades tecnológicas do material associadas ao aspecto estético requerido e ao sistema de fixação das placas ao suporte;
• À procedência do material rochoso;
• Às características do local de instalação, como o clima da região, a exposição a ventos fortes e a presença de atmosfera mais agressiva, como a marinha, por exemplo.

Além da estética, algumas propriedades tecnológicas são bastante relevantes. Entre elas, destacam-se as propriedades térmicas (dilatação e contração) e a resistência à flexão.

"O coeficiente de dilatação da rocha é importante para dimensionar o espaçamento entre as placas", explica o geólogo Eduardo Quitete, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). Ele lembra que o espaçamento indevido é um dos fatores de acidentes com quedas de placas de fachadas.

Os projetistas precisam conhecer, também, a resistência da rocha à flexão para calcular a espessura mínima segura em função da pressão estimada do vento.

Eduardo Quitete conta que esteve em um edifício residencial de alto padrão à beira-mar que apresentou queda de placa de granito da fachada por corrosão do inserte metálico. “O engenheiro tinha todos os cálculos para o dimensionamento das placas, indicando que os insertes suportariam o peso da rocha. Mas, em nenhum momento, foi calculado se a espessura das placas seria adequada à pressão do vento”, conta o pesquisador, alertando para o risco de usar, em fachadas, placas com espessura inferior a 30 mm.

ACABAMENTOS SUPERFICIAIS

Como a poluição e a água são um importante fator de deterioração das rochas, o projeto de fachadas deve priorizar granitos que apresentem baixa absorção de água. “Além disso, como a limpeza e tratamento nessas aplicações não costuma ser uma operação fácil, é recomendável que a rocha apresente boa resistência ao ataque químico”, acrescenta o pesquisador do IPT.

Uma vez definida a rocha de revestimento, os cuidados devem recair sobre a escolha dos acabamentos. Os padrões rústicos costumam exigir manutenção mais frequente, enquanto os polidos, tendem a não exibir tão facilmente alterações superficiais.

Em fachadas, os acabamentos mais recorrentes são o polido e o flameado. No primeiro, as características da rocha são praticamente preservadas. Mas os granitos flameados têm sua resistência física e mecânica da rocha parcialmente perdida, já que a superfície da pedra é submetida a aquecimento, provocando a dilatação térmica diferencial dos minerais que a compõem.

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Colaboração técnica

Eduardo Brandau Quitete – graduado em geologia pelo Instituto de Geociências da USP, tem mestrado em engenharia mineral pela Universidade de São Paulo. Atualmente é pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT)