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Fachadas demandam manutenção atenciosa

Tipo de material e ambiente são duas das variáveis que devem ser estudadas antes de se restaurar ou limpar uma fachada

Publicado em: 30/06/2014Atualizado em: 15/06/2021

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Restauro de fachadas

Há, pelo menos, dois mil anos mármores e granitos revestem o Pantheon romano, mantendo-se íntegros e belos. Em metrópoles poluídas como São Paulo, esse é o material que, quando instalado em fachadas, se revela como um dos mais difíceis de limpar ou restaurar, de acordo com o arquiteto Bernardo José Piza, diretor da Inovatécnica, empresa especializada em limpeza e restauro de fachadas. “O granito tem vida útil muito superior à do mármore, pois é mais duro e tem resistência elevada. Porém, se o material utilizado for de baixa qualidade, será mais poroso, o que dificulta a limpeza”, diz. Nas grandes metrópoles, a poluição e o clima não afetam somente os revestimentos de mármore ou granito, mas também a pintura, as pastilhas e a cerâmica.

“O prédio acaba ficando bem sujo e, antes de restaurar a pintura, é feita uma pré-lavagem com produto de pH quase neutro. Em alguns casos, esse primeiro procedimento resolve a questão e não é preciso nem pintar a fachada novamente”, explica Piza, lembrando que se a nova tinta for aplicada sobre superfície suja, o resultado fica comprometido. Antes de lavar a fachada, são feitos testes em áreas menores para regulagem da pressão do jato. “Esse ajuste é importante para não danificar a pintura”, diz.

PASTILHAS E CERÂMICA

Através do rejunte virá a infiltração de água, o que compromete a aderência e faz com que as pastilhas comecem a se soltar. Para reverter essa situação, o rejunte pode ser refeito sobre o anterior, desde que seja realizada uma limpeza prévia

O processo é o mesmo para revestimento em pastilhas, já que o jato com pressão muito forte acaba removendo as peças. A situação é igualmente grave quando a limpeza executada de maneira errada danifica o rejunte. “Através do rejunte virá a infiltração de água, o que compromete a aderência e faz com que as pastilhas comecem a se soltar. Para reverter essa situação, o rejunte pode ser refeito sobre o anterior, desde que seja realizada uma limpeza prévia”, explica. Atualmente, há algumas novidades no mercado, como o rejunte epóxi, que é muito forte e apresenta praticamente a mesma resistência da pastilha – solução ideal para área externa.

A infiltração pode ter como origem perfurações no encanamento interno da edificação. Nesse caso, o primeiro passo é resolver o problema do vazamento de água para, então, iniciar o processo de restauro da fachada. “E se o rejunte mudou de cor e estiver preto, significa que ali há uma colônia de bactérias. Para remover esses microrganismos, basta aplicar cloro na área afetada ou então raspar mecanicamente”, detalha o arquiteto.

Restauro de fachadas

Bernardo Piza recomenda atenção especial com os produtos utilizados na limpeza dos revestimentos cerâmicos, especialmente os ácidos, pois muitos atacam os caixilhos e sua calafetação, além do jardim que está embaixo do prédio. “Um exemplo comum é o hipoclorito de sódio com água, produto bastante agressivo, mas muito utilizado por empresas especializadas”, alerta. Outra opção é o ácido fluorídrico, que gasta a superfície da pastilha, porém deixa o material mais poroso.

A vibração gerada por intenso tráfego de veículos pode fazer com que os revestimentos cerâmicos se soltem. Se forem poucas as peças soltas, o ideal é aproveitar uma das vantagens do revestimento de pastilhas que é a facilidade de recolocação. “A indústria de cimento e argamassa tem procurado melhorar seus produtos com o uso de aditivos, que permitem até colar cerâmica sobre cerâmica”, ressalta o arquiteto.

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PEDRAS

Se o rejunte mudar de cor e estiver preto, significa que ali há uma colônia de bactérias. Para remover esses microrganismos, basta aplicar cloro na área afetada ou então raspar mecanicamente

O mesmo não acontece com as fachadas de mármore ou granito: se for necessária a troca de algum painel dos andares mais altos, o processo é bem mais difícil devido ao peso do material. “Apesar disso, a fachada de pedra tem como vantagem sua grande longevidade, reduzindo a frequência das intervenções de manutenção”, afirma o profissional.

CONCRETO APARENTE E ACM

Entre os acabamentos de fachadas, o que gera maior trabalho no momento da manutenção é o de concreto aparente. “O processo é mais difícil, pois exige lixamento mecânico, depois tem que estucar e, em seguida, é usada esponja do mar para dar padrão uniforme à fachada. Para finalizar, é aplicado verniz com baixo teor de estireno para não amarelar. Em caso de pichação, é possível lixar a fachada para gastar o concreto, mas o custo desse processo é altíssimo”, complementa.

A fachada de pedra tem como vantagem sua grande longevidade, reduzindo a frequência das intervenções de manutenção

Enquanto o concreto aparente e as pedras apresentam certa dificuldade de limpeza, do outro lado está a fachada de ACM (Aluminium Composite Material), a melhor alternativa para a remoção de sujeiras. “O ACM tem películas para resistir às intempéries, o que o torna um material mais fácil de ser limpo. Pesa contra o fato de as placas poderem ser amassadas ou riscadas quando colocas no térreo”, diz Piza.

Piza destaca que a limpeza e restauro de fachadas depende também dos materiais que são misturados – uma fachada pode ter parte pintada e outra em ACM, por exemplo. “Os materiais podem ter características completamente diferentes, tornando a manutenção mais difícil. Deve haver, ainda, atenção especial com o tipo de construção que será restaurada – no caso de prédios históricos ou que estejam localizados dentro de um raio de 100 metros de outro edifício tombado, é necessário aprovar a obra junto aos órgãos públicos responsáveis. Em São Paulo, essa ação é obrigatória, inclusive com a emissão de parecer liberando os trabalhos”, finaliza.

Colaborou para esta matéria

Bernardo José de Toledo Piza – Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Farias Brito (1977), cursou Extensão em Ambiente e Poluição do Ar pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Farias Brito (1976), Geografia Urbana (1978) e Habitação Popular (1979) pela Pontifícia Universidade Católica. Na DERSA - Desenvolvimento Rodoviário S/A 1978 a 1988, participou de diversos estudos e trabalhos nas áreas de planejamento estratégico, terminais intermodais de carga, novas rodovias e atividades terciárias e serviços. Desde 1990 faz parte, como Diretor Presidente da empresa Inovatécnica Serviços e Obras Ltda., no desenvolvimento de diversos projetos e obras e, atualmente, da Inovatécnica Divisão Ambiental, com propostas de Planos Diretores Municipais, Planos de Desenvolvimento Integrado, Diretrizes no tratamento dos resíduos sólidos e da construção civil, Planos de Ciclovias, entre outros, incluindo o setor da construção civil.