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Fachadas eficientes podem utilizar vidro, brises ou cobertura vegetal

Quando especificadas de forma adequada, todas essas soluções contribuem para o bom desempenho térmico e acústico da edificação

Publicado em: 23/11/2015Atualizado em: 15/08/2019

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Fachada da Sede do Sebrae Nacional de Brasília, projeto do escritório gruposp (Foto: Nelson Kon)
Fachada da Sede do Sebrae Nacional de Brasília, projeto do escritório gruposp (Foto: Nelson Kon)

Quando se fala em fachadas eficientes, automaticamente se pensa em soluções, sistemas e materiais que visam o controle dos fluxos de luz e calor entre os ambientes internos e externos, reduzindo o consumo de luz artificial e do sistema de ar-condicionado e aquecimento.

Nos últimos anos, a construção civil viu surgirem inúmeras tecnologias que vão ao encontro tanto da redução do consumo de energia quanto do bem-estar de quem passa horas a fio dentro de uma edificação – sem contar os inúmeros benefícios que algumas soluções, como as fachadas verdes, proporcionam aos empreendimentos.

VIDRO

Prefiro falar em vidros de controle solar do que em vidros refletivos. No controle solar, a reflexão parcial dos raios solares é importante, mas há um limite para essa refletividade, ou a reflexão de luz visível será igualmente elevada
Paulo Duarte

A busca pela eficiência das fachadas encontra no vidro um importante aliado, quando bem especificado. Partindo do princípio de que por onde passa luz, passa calor, um projeto arquitetônico deve incorporar vidros que ofereçam algum nível de isolamento térmico. Os monolíticos, por exemplo – mesmo os coloridos – oferecem pouco isolamento ao calor em fachadas de prédios localizados em regiões de clima tropical. Já os refletivos apresentam limitação de desempenho, pois, ao refletir o calor, também refletem luz, privando o ambiente interno de luminosidade. O resultado são as chamadas ‘fachadas espelho’, desagradáveis visualmente. Essa opção deve ser estudada cuidadosamente, levando em conta a orientação das edificações, o uso dos espaços internos e as possibilidades de ventilação através de aberturas nas fachadas, entre outros critérios.

“Prefiro falar em vidros de controle solar do que em vidros refletivos. No controle solar, a reflexão parcial dos raios solares é importante, mas há um limite para essa refletividade, ou a reflexão de luz visível será igualmente elevada”, opina o arquiteto Paulo Duarte, do escritório Paulo Duarte Consultores. Já existem vidros mais seletivos, que refletem alguns comprimentos de onda mais do que outros, podendo, portanto, refletir menos a luz visível. Porém, além de caro, seu desempenho é limitado no clima tropical.

VIDROS DUPLOS

Os vidros de controle solar mais eficientes são os com câmara hermética, conhecidos como duplos insulados. Mas, segundo o consultor, há uma ideia equivocada no mercado, segundo a qual não haveria ar nessa câmara hermética, e sim um vácuo. Como há ar, ele também será aquecido e passará parte do calor externo para a parte interna do edifício, tornando limitada a eficiência do vidro duplo insulado em climas tropicais.

A existência da câmara, no entanto, facilita outras intervenções. A mais comum é a introdução de uma persiana móvel no seu interior, movimentada por comandos feitos na parte externa. Essa operação pode ser manual, o que obriga a existência de uma conexão entre a câmara e a botoeira, comprometendo um pouco a estanqueidade do conjunto. Já os sistemas motorizados de movimentação das persianas são eficientes, apesar de mais caros. “Existem até mesmo sistemas motorizados comandados pela própria incidência solar, através de sensores”, conta Duarte.

Nos países de clima mais frio, o uso de vidros insulados com câmara de ar é comum, uma vez que eles dificultam a perda do calor interno da edificação para o exterior. No Brasil, a solução ainda é pouco usada, mas poderia colaborar para a eficiência energética de edifícios do Sul do país, por exemplo, que tem clima mais frio.

O desempenho de controle solar das fachadas verdes é mais eficiente quando as paredes são revestidas com argamassa de revestimento antes de receber a vegetação
Paulo Duarte

Nos vidros duplos insulados, duas ‘paredes’ de envidraçamento são constituídas por vidros montados em esquadrias instaladas diretamente na fachada externa do edifício, uma paralela à outra. “Ou seja, é construída uma estrutura autônoma de esquadrias, afastada da face externa da parede do edifício entre 20 cm até 1 m. A câmara de ar que fica entre os dois envidraçamentos é elemento de isolamento térmico. Porém, é necessário que seja ventilada, permitindo a troca automática da camada de ar, através de aberturas de entrada na parte inferior e de exaustão na parte superior da fachada”, ensina o consultor. Essas aberturas devem ser projetadas de maneira a garantir a circulação do ar da câmara e, portanto, as condições de conforto.

AUTOMAÇÃO DE JANELAS E PERSIANAS

A instalação de um sistema de automação que comande o fechamento de janelas e persianas, conforme a insolação na fachada, contribui para a eficiência de um empreendimento. O sistema também é eficiente na proteção contra ventos e chuva. "Contudo, é importante considerar o custo da automação, tendo em vista que, se ela for prevista na fase de projeto, poderá ter menor custo em comparação a um sistema instalado tardiamente”, sublinha.

BRISES

Os brises são soluções eficientes e inteligentes tanto em regiões de clima tropical quanto naquelas de clima temperado, especialmente em fachadas voltadas para os quadrantes de maior insolação – oeste/noroeste.

Duarte observa que essa pode ser uma opção econômica quando sua instalação já é prevista no projeto arquitetônico, que analisará necessidade, localização e tipo de brise: horizontal ou vertical, fixo ou móvel e, neste caso, se manual ou automatizado. “Qualquer automação implica em custos de instalação e de consumo de energia, mas edifícios residenciais podem ter esse custo absorvido em curto prazo, devido à eliminação de outros elementos que seriam instalados pelos usuários”, observa.

Veja também:
Projetos arquitetônicos que usaram brises-soleils nas fachadas

CONCRETO OU TIJOLOS CERÂMICOS?

Entre concreto e tijolos cerâmicos – maciços ou de barro –, é bom lembrar que o concreto absorve e re-irradia calor permanentemente, enquanto os materiais cerâmicos absorvem menos e esfriam com mais facilidade apresentando, portanto, melhor desempenho. Os tijolos cerâmicos são geralmente peças perfuradas, não maciças, que auxiliam no isolamento térmico das fachadas.

FACHADAS VERDES

Nas fachadas verdes, a parede, construída com tijolos de barro ou cerâmicos, revestidos ou não, recebe uma cobertura vegetal constituída por plantas, que modifica as trocas térmicas. Cria-se um espaço com certa ventilação entre o revestimento vegetal e a parede. Além disso, as plantas absorvem água e tornam-se mais isolantes quando úmidas. "O desempenho de controle solar das fachadas verdes é mais eficiente quando as paredes são revestidas com argamassa de revestimento antes de receber a vegetação”, pontua Duarte.

O revestimento vegetal também pode ser aplicado em paredes construídas em blocos de concreto com furos. Em casos assim, se os blocos não são revestidos, a eficiência térmica cai, pois o concreto sempre vai absorver umidade.

ATENÇÃO À COBERTURA

A atenção dedicada à questão da eficiência deve se iniciar desde a concepção de um projeto até o tratamento das coberturas, pois uma cobertura pouco eficiente pode comprometer o desempenho do edifício. Para evitar que o calor incidente sobre essa área alcance pavimentos abaixo, é essencial um bom projeto e execução da impermeabilização. “A melhor solução é a adoção de uma câmara de ar ventilada entre a laje e o sistema de impermeabilização”, aconselha Duarte.

Colaborou para esta matéria

Paulo Duarte
Paulo Duarte – é arquiteto graduado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie. Foi consultor de projetos nas áreas hospitalar e industrial, tendo também coordenado projetos e obras. É membro do comitê 37 da ABNT para o desenvolvimento das Normas de Uso do vidro na Construção, além de participar em outros comitês – Vidros Insulados, Painéis Colados, Esquadrias para Construção. É membro também da American Architectural Manufacturers Association (AAMA).