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Fachadas leves adicionam produtividade e controle industrial

Tecnologia, que combina estrutura metálica e painéis de vedação, permite industrializar etapa crítica no desenvolvimento de edifícios

Publicado em: 30/07/2021Atualizado em: 04/08/2021

Texto: Juliana Nakamura

Fachadas leves
As fachadas leves são compostas por elementos pré-fabricados (Foto: Divulgação/Saint-Gobain)

Em todo o mundo, diferentes setores da economia deram saltos de produtividade e eficiência com a industrialização, a automatização e a digitalização. A construção civil, em contrapartida, sempre se manteve fiel a técnicas construtivas milenares, como o empilhamento de tijolos. Transformar esse setor – substituindo modos de produção artesanais por soluções pré-fabricadas – é um caminho que, mesmo com atraso, começa a ser traçado no Brasil.

A vedação de fachada é um dos principais subsistemas dos edifícios, responsável pelas condições de habitabilidade e estética, além de contribuir para a valorização do empreendimento e para a sustentabilidade
Luciana Alves de Oliveira

Prova dessa evolução é o desenvolvimento de sistemas de fachadas industrializadas, que visam solucionar uma etapa que costuma dar muita dor de cabeça para as construtoras. “A vedação de fachada é um dos principais subsistemas dos edifícios, responsável pelas condições de habitabilidade e estética, além de contribuir para a valorização do empreendimento e para a sustentabilidade”, afirma a engenheira Luciana Alves de Oliveira, pesquisadora no Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT).

No entanto, a execução da fachada – da maneira como tradicionalmente é feita – demanda uso intensivo de mão de obra e muito esforço gerencial. “Além disso, o controle de qualidade é um desafio, tanto que as fachadas são responsáveis por uma série de falhas construtivas que exigem mobilização de assistência técnica e alto custo de reparos, assim como há desgastes com os clientes”, conta Nelson Zanocelo Junior, diretor da BU Fachadas na Saint-Gobain.

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FACHADAS LEVES

Segundo Oliveira, as fachadas leves são vedações verticais não estruturais, constituídas por elementos de densidade superficial baixa, cujo limite aproximado é de 100 kg/m². Elas são compostas por elementos pré-fabricados que formam várias camadas de elementos de fechamento e materiais isolantes, sendo suportadas por uma estrutura secundária.

Entre essas tecnologias, uma das que se sobressaem foi desenvolvida pela Saint-Gobain para atender às necessidades das obras brasileiras, com estrutura composta por perfis de aço galvanizado e duas configurações de vedação: com chapas de gesso especiais (Glasroc X/Placo) ou com placas cimentícias (Nextera Brasilit).

Essa tecnologia é indicada para todos os empreendimentos que necessitam de paredes de vedações externas, desde obras comerciais e residenciais a galpões logísticos, hotéis e hospitais
Nelson Zanocelo Junior

O conjunto é complementado por outros produtos para a construção da Saint-Gobain, como lã mineral (para melhorar o desempenho térmico e acústico), membrana hidrófuga, tratamento de juntas e camada de revestimento com reforço de tela de fibras de vidro basecoat.

A depender das necessidades do projeto, os painéis podem apresentar maior resistência à umidade e ao fogo, além de diferentes níveis de isolamento térmico e acústico. “Essa tecnologia é indicada para todos os empreendimentos que necessitam de paredes de vedações externas, desde obras comerciais e residenciais a galpões logísticos, hotéis e hospitais. Ela também combina com qualquer tipo de estrutura, das mais inovadoras às tradicionais, incluindo concreto armado, steel frame e aço”, diz o diretor da Saint-Gobain.

Fachadas leves
O sistema proporciona diferentes benefícios (Foto: Divulgação/Saint-Gobain)

ABORDAGEM SISTÊMICA

O sistema oferece diversos benefícios para o construtor, como redução de até 29% no custo de fundação e estruturas, menor uso de água e diminuição drástica na geração de resíduos no canteiro. “A execução é mais rápida, com número menor de mão de obra. Isso gera diversos ganhos indiretos, como o recebimento antecipado do investimento, menos tempo com canteiro de obras ativo, liberação antecipada dos acabamentos internos, redução de riscos etc.”, diz Zanocelo, lembrando que, quando a comparação entre os sistemas é feita a partir de uma análise ampla, o custo da fachada leve é equiparável – ou até menor – do que o da alvenaria convencional.

Como ocorre em outras etapas construtivas, dispor de um sistema de alto desempenho, com produtos e componentes certificados, não é suficiente. Isso porque toda a qualidade de um material pode se perder quando a instalação é inadequada ou quando faltam controles sobre a execução. Daí o esforço dos desenvolvedores de sistemas industrializados para criar estratégias que minimizem falhas no canteiro.

“No nosso caso, a unidade de fachadas leves se apoia em três pilares de atuação. O comercial é responsável pela logística dos materiais e pelo contato com os clientes. A consultoria técnica atua com o projeto, oferecendo suporte técnico para a especificação, compatibilização e quantificação de materiais. Consolidando todo o ciclo, há o monitoramento da obra, realizado por engenheiros que acompanham a montagem da fachada, do primeiro ao último parafuso, com auxílio de drones para vistoria em casos de áreas com difícil acesso”, explica Zanocelo. Ele ressalta que para a instalação das fachadas leves, a Saint-Gobain já treinou e credenciou mais de 100 parceiros em todo o país.

Entre os exemplos de aplicação de fachadas leves no Brasil há tanto edifícios altos, quanto casas térreas. Em Curitiba (PR), por exemplo, o sistema com painéis compostos por chapas de gesso reforçadas com fibra de vidro foi utilizado na construção do Jockey Plaza Shopping. Nesse caso, a execução foi abreviada em, pelo menos, quatro meses por conta da fachada industrializada. Em Vitória (ES), o sistema com chapa cimentícia foi empregado no High Line, empreendimento que inclui duas torres residenciais de 31 andares e um campus universitário.

Colaboração técnica

 
Nelson Zanocelo Junior — Diretor da BU Fachadas na Saint-Gobain.
 
Luciana Alves de Oliveira — Engenheira civil com mestrado e doutorado pela EPUSP. É pesquisadora no Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) e coordenadora da disciplina de vedação verticais do mestrado profissional da mesma instituição.