Fachadas texturizadas têm alta durabilidade e baixa manutenção

Como o produto é aplicado diretamente sobre a argamassa, são poucas as etapas de preparação da superfície, aumentando o ganho de produtividade na obra

Publicado em: 15/09/2016Atualizado em: 24/10/2022

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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Foto: Marco Herrera, Projeto: Casa RS - Marco Herrera Arquitetura

Revestir as fachadas com texturas executadas com tinta pode ser uma boa opção. Entre os seus benefícios, estão o ganho de produtividade na obra e a baixa necessidade de manutenções. O produto é aplicado diretamente sobre a argamassa, diminuindo a quantidade de etapas de preparação da superfície. “Também só é necessária uma demão, o que encurta o processo”, destaca Gisele Bonfim, gerente Técnica e de Assuntos Ambientais da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati). A solução apresenta, ainda, a vantagem de permitir a criação de desenhos variados e a modificação facilitada das cores quando os ocupantes assim decidirem.

Enquanto a textura mantiver seu aspecto original, a troca de tonalidade é feita por meio da aplicação de uma nova camada de tinta sobre aquela já existente. No entanto, quando se torna necessário remover toda a textura para renová-la ou para alterar o tipo de revestimento, a ação se torna pouco mais trabalhosa. “É preciso raspar toda a superfície e depois lixá-la”, ensina a especialista.

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LIMPEZA

O principal cuidado para manter a qualidade da textura com tintas durante o período esperado é a limpeza da fachada. Com frequência indicada pelo fabricante, a lavagem deve ser executada somente com um leve ou moderado jateamento de água limpa.

Nesse mercado, é comum que os fornecedores ofereçam garantias extensas, que cobrem muitos dos desgastes naturais que podem ocorrer com o produto. “As empresas disponibilizam cinco anos de garantia e, se ocorrer descoloração, por exemplo, realizam nova aplicação da textura”, afirma Bonfim.

Se o substrato estiver coeso, a base sem sujeira, e se os produtos forem de qualidade, raramente aparecerão falhas na textura
Gisele Bonfim

Além do desbotamento, outra situação negativa que pode ocorrer com o revestimento é o desplacamento. O uso de materiais fabricados em conformidade com as recomendações técnicas é fundamental para evitar o surgimento de problemas. “Se o substrato estiver coeso, a base sem sujeira, e se os produtos forem de qualidade, raramente aparecerão falhas na textura”, observa a especialista.

Entretanto, quando são aplicadas texturas com tintas de baixa qualidade, é comum que problemas logo apareçam. “Quando o produto não tem proteção para a pigmentação, causa a descoloração. Caso a resina seja ruim, acontecem os desplacamentos. Se faltam componentes repelentes, as fachadas irão se sujar com maior facilidade”, detalha.

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APLICAÇÃO

A textura com tintas é uma solução simples de ser aplicada, pois não necessita de massa sob o revestimento e nem de seladores. “Esse tipo de acabamento tem sido bastante utilizado, principalmente nas fachadas dos edifícios”, diz Bonfim.

O produto pode ser dividido em três classes: a primeira é aquela em que os grãos são maiores; a segunda tem tamanho médio; e a terceira utiliza os pequenos. “O aspecto final da textura varia de acordo com o tipo de produto empregado. Por exemplo, quando os grãos são maiores, a espátula cria grandes riscos vazios”, complementa. A aplicação da textura com tintas varia conforme o seu tipo. Aquelas com grânulos menores são executadas com uso do rolo, que pode já ter desenhos e cria um tipo de impressão na parede. Já os produtos com grânulos médios são aplicados com os rolos ou desempenadeiras. Por fim, a textura riscada é aquela feita com grãos maiores e pode apresentar mescla de cores. “É possível aplicar uma cor na superfície e depois usar por cima a textura com outra tonalidade, assim os riscos apresentarão coloração diferente”, descreve a profissional. As texturas com grãos maiores são as mais resistentes e, por isso, as mais usadas nas fachadas.

Não existem limitações para o uso da solução nos ambientes externos, porém, nos internos, a textura com tintas deve ser aproveitada com cuidado. A textura riscada pode machucar as pessoas que raspam qualquer parte do corpo na parede. “Há um tipo específico de textura que só pode ser usado em áreas internas, pois não tem resistência às intempéries”, destaca Bonfim.

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Há um tipo específico de textura que só pode ser usado em áreas internas, pois não tem resistência às intempéries
Gisele Bonfim

NORMAS TÉCNICAS

Atualmente, ainda não existem normas técnicas específicas para as texturas. O documento está em fase de elaboração e deve ser enviado à ABNT ainda em 2016. “O Programa Setorial da Qualidade (PSQ) começou a organizar o mercado pelas tintas que apresentavam maiores índices de problemas. O escopo está sendo aumentado, e as texturas estão no cronograma deste ano”, informa a especialista.

Encontram-se em estudo os tipos de ensaios que serão realizados para especificação das texturas, que devem ter analisadas sua quantidade de resina, aderência ao substrato e resistência a raios UV, água e umidade.

A recomendação para o consumidor, enquanto não existirem normas em vigor, é que adquira somente produtos fabricados pelas empresas que fazem parte do PSQ. “A ação garante a compra de uma textura de qualidade, que proporcionará todos os benefícios durante longos períodos”, finaliza Bonfim.

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TEXTURAS MINERAIS

Além das soluções com tintas, existem no mercado as texturas minerais, fabricadas com pequenos grânulos de pedra misturados a uma base acrílica de pintura. O revestimento apresenta vantagens como baixa absorção de água e menor retenção de poluentes. A manutenção desse tipo de solução é semelhante à necessária para a de tintas, com lavagens periódicas em períodos indicados pelos fabricantes. O fornecedor deve informar também o prazo para verificações mais detalhadas do revestimento, a fim de detectar a necessidade de aplicação de nova camada do produto.

Colaboração técnica


Gisele Bonfim – Química formada pela Universidade de São Paulo (USP), com longa experiência na indústria de tintas. Atualmente, ocupa o cargo de Gerente Técnica e de Assuntos Ambientais da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati). Coordena o Programa Setorial da Qualidade – Tintas Imobiliárias e é também chefe de secretaria do CB-164 – Comitê Brasileiro de Tintas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).