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Filmes em 3D chegam às construtoras

A nova tecnologia – alternativa ao apartamento decorado - é utilizada nos estandes de lançamentos e conduz o expectador a explorar as várias faces do empreendimento.<br><br>

Publicado em: 15/12/2011

Texto: Redação AECweb

A nova tecnologia – alternativa ao apartamento decorado - é utilizada nos estandes de lançamentos e conduz o expectador a explorar as várias faces do empreendimento.

Redação AECweb

Filmes em 3D chegam às construtoras

Alinhadas ao conceito de sustentabilidade, as construtoras têm optado por realizar plantas em 3D em substituição ao tradicional apartamento decorado que, quando perde a função, é demolido, gerando resíduos e desperdiçando materiais. Ao optarem pelo filme em 3D - construído em uma plataforma digital e, portanto, com baixo impacto ambiental –, as construtoras deixam de edificar cenários e não produzem lixo nem entulho. A distribuição do conteúdo é feita de forma digital e tem como canal principal a internet. “Entretanto, não vejo isto como uma solução final e sim uma primeira provocação rumo a novos patamares e novas formas de redução de impacto, em uma indústria tão importante como a da construção civil. Esperamos deixar uma primeira contribuição para a evolução da sustentabilidade”, diz Marcio Carvalho, diretor da Neorama, empresa especialista em soluções para o mercado imobiliário, pioneira no desenvolvimento de filmes em realidade 3D.

Já Ricardo Laham, diretor de Incorporação da Brookfield, empresa que já utiliza a planta em 3D para dois de seus empreendimentos, acredita que “com a evolução que oferece não só de realidade, mas também de interatividade, não há duvidas de que já é uma alternativa para o decorado”. O diretor também explica que a planta em 3D não tem o mesmo efeito que o decorado em escala natural, mas pode oferecer outras sugestões que o decorado estático. “No decorado, o arquiteto sugere e define uma proposta de decoração que atinge a maior parte do público alvo. Porém, sempre vai ter uma minoria que não vai ser atendida ou não vai conseguir se identificar com aquela proposta. Com essa ferramenta, o comprador pode interagir, realizar ensaios de parede, de mobília e entender melhor os espaços”, diz.

O uso de plantas 3D pode gerar economia à construtora, já que o decorado representa um custo alto para as construtoras. “Hoje o decorado sai caro. Em empreendimentos de alto padrão, o decorado chega a custar R$ 4 mil o metro quadrado. Por isso, para os apartamentos muito grandes, já investimos na tecnologia e na comunicação visual feita por meio do show room para suprir a falta do decorado físico. É uma realidade que vai acelerar cada vez mais”, afirma Laham. Outra preocupação é o que fazer com o decorado quando a obra é entregue. “Alguns móveis são usados em outros decorados, outros são leiloados para os funcionários ou até mesmo clientes. Alguns materiais podem ser reaproveitados, outros não, e outra parte pode ser reciclada. É o caso das estruturas de drywall que a própria empresa vai recolher para reciclagem. Mas, como qualquer construção, ela produz resíduos”, diz Laham.

O FILME EM 3D

Filmes em 3D chegam às construtoras

O filme em 3D permite a visualização de todo o empreendimento, desde o imóvel, incluindo edificação, até as áreas externas do condomínio. “Ao invés de ter somente um apartamento modelo no estande, cada corretor pode ter todo o empreendimento em um pen drive, que cabe no bolso. Para mostrar ao cliente, basta plugar em um projetor ou em uma TV 3D”, explica Carvalho. “Essa tecnologia ajuda o cliente na tomada de decisão, pois quanto mais artifícios tivermos para que ele possa olhar o imóvel antes de comprar, melhor para nós, já que dá mais segurança na hora de decidir. Foi por essa razão que surgiu o apartamento decorado, o apartamento modelo, o tour virtual, os vídeos 3D e agora a planta 3D que está sendo aplicada como uma ferramenta interativa”, explica Laham.

A ideia da planta 3D surgiu diante da necessidade dos corretores e incorporadores de levar o estande de vendas aos clientes de forma didática, criativa e inovadora. “Vimos nos filmes e imagens 3D não só um novo patamar de interatividade, mas também de mobilidade”, diz Carvalho. Essa é a grande vantagem do filme 3D: a mobilidade. “Um apartamento decorado é do ponto de vista da experiência, algo espetacular. Entretanto ele é fixo, fica restrito ao estande. Já o empreendimento virtualizado pode ser exibido em qualquer lugar que tiver a tecnologia 3D: seja um cinema 3D, uma TV 3D como filme, ou até mesmo num tapume ou folder, sob forma de imagens”, afirma Carvalho.

A praticidade também é um dos pontos positivos do 3D, pois o cliente pode visitar dezenas de empreendimentos de forma virtual em uma tarde, escolher aquele com o qual mais se identificou e fazer uma visita física. “Tivemos uma excelente aceitação e demanda, justamente por ser uma ferramenta inovadora, e que até então não era explorada no mercado imobiliário”, diz Carvalho.

TECNOLOGIA NO BRASIL

Aplicada no Brasil, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, o cinema 3D de um empreendimento pode ser exibido em equipamentos que variam de acordo com o nível de interatividade e qualidade visual e sonora que o cliente busca. “Hoje, estão disponíveis soluções muito simples desde TVs e laptops 3D, até complexos sistemas de cinema com retroprojetor 3D. Tudo depende da qualidade que se busca para a experiência”, explica Carvalho.

Ele também relata que apesar de o conteúdo ser compatível com vários tipos de equipamentos, observou-se que os cases de maior sucesso estão relacionados à criação de um cinema 3D dentro do estande de vendas. “O cliente pode ter acesso ao conteúdo em sua TV ou computador, mas ao visitar o stand e vivenciar o empreendimento em uma tela de 6 m de largura com áudio de alta fidelidade, a experiência adquire um novo patamar. Ele ‘mergulha’ no empreendimento, envolto por estímulos de imagens e sons. Isso se torna uma preparação importante para as próximas informações que serão discutidas”, diz Carvalho.

O custo tem uma grande variação e envolve tanto o conteúdo de filmes e imagens, quanto os equipamentos para exibição. Soluções de alta qualidade, que envolvem a montagem de um cinema 3D e conteúdo, ficam entre R$ 250 e R$ 500 mil. “A partir daí a solução pode ser replicada com um custo muito otimizado, bastando uma TV 3D que se compra a partir de R$ 5 mil”, revela Carvalho. “A tecnologia é cara, mas com o tempo e com as inovações que surgem a cada dia, vai ficando mais em conta”, diz Laham. Ele reforça que a tecnologia hoje é mais vantajosa do que a construção física, principalmente em relação a um decorado de alto padrão. “E já percebemos que os clientes ficam 50% de tempo a mais do que nos outros empreendimentos, isso significa que o interesse dele está se prolongando e está se interessando em ensaiar as experiências de vida naquele imóvel”, comenta.

Carvalho também explica que muitos pensam que o diferencial do filme 3D é exclusivamente a sensação de imersão. “Nestes casos procuramos orientar que ao comprar um imóvel, antes de mais nada, existe uma relação de identidade se estabelecendo. Identidade com a região, com a arquitetura, com o apartamento. Um filme não deve apenas retratar o espaço, mas também explorar esta identidade através da luz, das cores dos materiais, da edição, da trilha, e conduzir o expectador através desta identidade. Quando a relação de identidade se estabelece através desses múltiplos sentidos, a reação é de admiração e curiosidade. O cliente abaixa a guarda e se permite receber mais informações, estabelecendo uma relação de troca com o corretor. Os minutos iniciais de exibição do filme podem ser cruciais para uma venda”, diz. Laham acredita que o filme 3D é um caminho que não tem volta. “Tudo o que vier de alternativa e de novidade para ajudar a expor e apresentar um produto, tirar dúvidas, esclarecer, fazer com que o cliente consiga perceber ou ter a sensação da experiência de vivência naquele imóvel, tudo isso agrega, cada vez mais, ao negócio”, diz.

MÁRCIO CARVALHO
é arquiteto formado pela UFRGS, especializado em comunicação e marketing para o mercado imobiliário. É cineasta e publicitário autodidata, além de empreendedor compulsivo. Foi diretor de expansão South America da Screampoint e atualmente é sócio fundador da Neorama, da Smart! – Lifestyle + Design, da Miagui – Imagevertising e conselheiro do Museu de Arte Contemporânea do RS.




RICARDO LAHAM
 é engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da USP, com MBA Real State. Desde 2009, atua como diretor de Incorporação da Brookfield São Paulo Empreendimentos Imobiliários S/A.






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