Fôrmas metálicas garantem economia nos pré-fabricados de concreto

Moldes metálicos usados para dar forma a pilares, vigas e painéis pré-fabricados devem ser ainda mais robustos e estanques do que os usados em canteiros de obras

Publicado em: 16/05/2018

Texto: Redação PE

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As fôrmas são essenciais para o sucesso das indústrias de pré-fabricados de concreto (foto: wrangler / shutterstock)

Nos pátios de indústrias de pré-fabricados de concreto, as fôrmas usadas para a concretagem das peças estão entre os equipamentos mais importantes para o sucesso do negócio. Afinal, moldes ruins induzem a perdas consideráveis, que vão de retrabalho e ciclos com baixa produtividade a desperdício de materiais e comprometimento do acabamento superficial e da qualidade final do produto.

Veja fôrmas metálicas para concreto

FÔRMAS PARA OBRAS X FÔRMAS INDUSTRIAIS

As fôrmas metálicas usadas pela indústria de pré-fabricados têm o mesmo objetivo das usadas em canteiros de obras: dar forma ao concreto. Em ambos os casos, dispor de um molde adequado é primordial para obter produtos com bom acabamento superficial e sem problemas de alinhamento e estanqueidade.

Uma exigência extra que recai sobre os equipamentos para indústrias é o uso crescente do concreto autoadensável. Segundo dados da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC), mais de 60% da indústria brasileira de pré-fabricados trabalha com esse material, que tem entre suas vantagens eliminar a etapa de vibração, proporcionando ganhos em produtividade e maior durabilidade às fôrmas. Por outro lado, o uso do concreto mais fluido exige maior controle da estanqueidade dos moldes.

PRINCIPAIS PARTICULARIDADES

Na indústria de pré-fabricação, as fôrmas metálicas destinam-se à produção de vigas, pilares e placas. Na fabricação de vigas, por exemplo, costumam ser utilizados modelos com seções retangulares I, T e U. “Nesses casos, são muito empregados produtos longitudinais com separadores que permitem a produção de uma ou mais peças”, explica a engenheira Íria Doniak, presidente-executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC).

Os modelos com comprimento superior a 40 m são chamados de pistas de protensão. Nesse caso, a mesma pista é usada para produzir distintos perfis, alterando-se os painéis laterais de fechamento. As fôrmas podem ser abertas por remoção das laterais com uso de algum equipamento, como ponte-rolante. Também podem ser abertas por basculamento ou deslizamento lateral. Há, ainda, a possibilidade de incorporar sistemas hidráulicos que proporcionam mais agilidade e redução do ciclo de produção. “Para se ter uma ideia do avanço no desenvolvimento de fôrmas, há sistemas que permitem ajuste de seção de modo hidráulico com apenas um botão”, comenta Doniak.

Para a produção de painéis pré-fabricados utilizados como paredes ou lajes podem ser usadas mesas (estáticas e fixas) ou fôrmas na vertical. Também há tecnologias de produção mais avançadas, como os sistemas de bateria vertical, de mesas basculantes e carrossel. Este último consiste de uma linha de produção seriada e é indicado para quem necessita de altíssima produção.

Doniak conta que a produção de painéis de concreto maciço em bateria vertical é bastante competitiva, porque garante economia considerável de espaço no processo construtivo e concentração da produção. “Essa solução tem concepção semelhante à de uma tostadeira, com vários compartimentos ou gavetas”, diz a presidente da ABCIC. Segundo a engenheira, a tecnologia de mesas basculantes também é interessante para a fabricação de painéis, porque otimiza o processo de desmoldagem e reduz o consumo de armadura, sem perder qualidade.

COMO ESPECIFICAR?

A indicação de um sistema de fôrmas deve considerar versatilidade, produção diária requerida, produtividade desejada, nível de automação, precisão dimensional, características estéticas e durabilidade. Há diversos níveis de qualidade, assim como existe uma variada gama de fabricantes.

Espera-se que uma fôrma metálica dure, ao menos, o tempo necessário para sua amortização. A vida útil dessas peças é diretamente influenciada pelas condições de armazenamento e pelos cuidados durante o uso e a manutenção. Como outros equipamentos, elas precisam ser protegidas contra intempéries e submetidas à limpeza após cada ciclo de trabalho. Também devem receber lubrificação periódica e outros ajustes, de acordo com as recomendações do fabricante.

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Colaboração técnica

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Íria Lícia Oliva Doniak– Engenheira-civil, presidente-executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC) e membro do conselho e da diretoria do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon). É também membro do conselho e da comissão 6 de pré-fabricação da International Federation for Structural Concrete (FIB)