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Forros minerais proporcionam isolamento acústico a cinemas, auditórios e escolas

Solução deve ser instalada sob coberturas que possuam tratamento térmico, não deve ser exposta a temperaturas superiores a 40°C, nem à umidade relativa do ar acima de 90%

Publicado em: 23/01/2013Atualizado em: 30/01/2013

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Texto: Tatiana Arcolini e Paula Barradas


Divulgação Knauf AMF

Para isolar o som – seja em um auditório, teatro, escola ou hospital –, é requisito básico que a estrutura do ambiente seja condizente com o tipo de isolamento acústico necessário para a atividade do local. O forro mineral é um elemento fibroso que converte parte do som que incide sobre ele em calor. Quanto maior a parcela absorvida (e transformada em calor), maior o isolamento acústico. Com diversas especificações, possibilita diferentes tipos de isolamento acústico conforme as necessidades de cada espaço.

A variada gama de especificações e seu formato modular, que permite que a placa seja facilmente instalada ou removida, são as vantagens que tornam esse material um dos mais usados em projetos de isolamento acústico.

AplicaÇÃo

Ideal para os mais variados ambientes internos, como espaços corporativos, comerciais, escolas, auditórios, cinemas, laboratórios e fitness, o forro mineral deve ser instalado sob coberturas que possuam tratamento térmico, como lajes, telhas metálicas tipo sanduíche preenchidas com material isolante. “É preciso, ainda, observar a ventilação e o plenum (distância entre o forro e a cobertura, seja ela laje, telhado etc.), que deve ter altura mínima de 1,50 m, garantindo, assim, que a temperatura no forro seja inferior a 49º C, limite máximo garantido pelo fabricante”, explica Eduardo Silva, gerente de obras da Roberto Cervellini.

Caso a telha não seja tratada termicamente, deve-se colocar sobre o forro mantas ou painéis de lã mineral (lã de vidro ou lã de rocha) para que a temperatura não altere as características físicas dele.

Maria Thereza de Almeida Castro, engenheira de produtos da Hunter Douglas, também alerta que os forros em fibra mineral não devem ser expostos a temperaturas superiores a 40°C, nem à umidade relativa do ar acima de 90%. Outra desvantagem: não deve ser instalado em áreas externas ou internas abertas.

Parâmetros técnicos

Os parâmetros técnicos utilizados internacionalmente para avaliar o comportamento do forro mineral frente ao fogo é a norma EM 13501-1(Europa) e ASTM E84-97 (Estados Unidos). No Brasil, adota-se a NBR 9442. Segue, também, os parâmetros da norma EN 20140-9 para atenuação sonora e a norma EN ISO 354 para absorção sonora. Além dos ISO 9001, 14001 e 16001. Para garantir a sustentabilidade do produto, o forro mineral é certificado pelo Selo CE, Selo Blue Angel, Selo Ral.

Como especificar

“Um ponto a ser observado na hora de escolher o forro mineral é seu uso em relação ao desempenho acústico, ao projeto luminotécnico, à resistência ao fogo e à umidade”, explica a arquiteta Paula Epíscopo Omizzolo, Gerente de Desenvolvimento de Mercado da fabricante Knauf AMF.


Divulgação Knauf AMF

Ao especificar, o arquiteto responsável deve ficar atento, também, à espessura, ao tamanho e ao desempenho técnico que melhor se adeque ao projeto. “Uma das vantagens desse material é a diversidade de montagem devido aos tipos de bordas, tamanhos e espessuras de placas, além dos acabamentos que podem ser fissurados, texturizados, lisos, metálicos e madeirados, facilitando a especificação”, pontua a arquiteta.

Paula Omizzolo explica ainda que, embora as modulações mais usuais no Brasil sejam as de 625 × 625 mm ou de 625 × 1250 mm, há uma tendência pelo emprego de modulações em formato prancha (ou régua), com larguras de 300, 312,5 ou 400 mm e comprimento que pode variar de 1.250 até 2.500 mm. O sistema estrutural deve ser compatível com a modulação do forro, e a estrutura mais utilizada no país é a de perfis em formato T invertido, com largura de 24 mm e altura (alma) de 38 mm.

Alternativamente, podem-se utilizar perfis T com 15 mm ou perfis estruturais mais reforçados, chamados de bandraster, com larguras de 25 até 150 mm.

Eduardo Silva informa que, ao especificar, o arquiteto deve cruzar as informações, levando em conta os seguintes fatores:

NRC Coeficiente de Redução de Ruído (Noise Reduction Coefficient) é a média simples dos coeficientes de absorção nas frequências de 250, 500, 1000, 2000 Hz (as faixas centrais da sensibilidade do ouvido humano) e representa a performance de absorção sonora de um material acústico.

SRA

Índice de Absorção da Voz (Speech Range Absorption) é a média simples da absorção sonora de um material nas faixas de frequência da fala (média de 500, 1000, 2000 e 4000 Hz). Similar ao NRC, mas representa melhor os efeitos de absorção em escritórios, auditórios, call centers, locais onde a voz é predominante.

Alfa w

Coeficiente de absorção sonora ponderado, Alfa w representa, em um índice único, uma estimativa da absorção média de produtos que podem ser utilizados na análise de situações rotineiras, como aquelas de escritórios, salas de aula, hospitais etc. Para ambientes com características especiais, deve ser usado o conjunto completo de dados de absorção em função da frequência.

Atenuação sonora

Corresponde à capacidade do forro de bloquear o som para o outro ambiente.

Refletância luminosa

Com iluminação indireta, pode-se obter redução de custos de até 18%, além de redução de ofuscamento ocular. O índice vai de 0% a 100%, sendo que, quanto mais alto, mais branco é o produto e melhor será o retorno.

Aparência

A aparência do forro também é um fator importante e que diferencia um projeto, tornando-o mais sofisticado. Portanto, é imprescindível que esse quesito seja adequado ao tipo de projeto.

Também é importante evitar que ruídos de impactos provenientes do piso superior possam vazar pelos acessórios e afetar a acústica do ambiente. Por isso, os acessórios devem ser escolhidos conforme as indicações do fabricante, para que se aproveite ao máximo os benefícios do forro mineral.

Sustentabilidade

O forro mineral é produzido com fibra mineral biossolúvel e compostos naturais livres de formaldeído, amianto ou qualquer substância nociva, não oferecendo nenhum risco ao meio ambiente e à saúde, sendo até mesmo recomendado a áreas mais susceptíveis, como hospitais, berçários e escolas.

Atendendo aos requisitos internacionais de sustentabilidade (certificação LEED – Leadership in Energy and Environmental Design), o forro mineral pode ser reciclado e sua fabricação aproveita 100% dos resíduos dentro do processo fabril, não havendo desperdício. Ele ainda oferece características de ação fungistática e bacteriostática, além de excelente resistência ao fogo.

ManutenÇÃo

Como o forro mineral é modular, sua limpeza não requer muito trabalho. A manutenção deve ser feita com pano seco ou bocal de aspirador, com uma escova de cerdas macias ou mesmo com uma esponja limpa.

A frequência dependerá do local onde está instalado e da qualidade de filtros do sistema de ar-condicionado. Eventuais manchas poderão ser retiradas umedecendo-se uma esponja com água e sabão neutro. Após remover o resíduo, limpe com pano limpo e seco.

Para saber mais

Confira as dicas que Eduardo Silva, gerente de obras da Roberto Cervellini (empresa de Construção Civil), oferece para um bom projeto acústico.

1. Quais são as orientações para que um projeto acústico com forro mineral seja bem-sucedido?

Partindo do princípio de que cada forro de fibra mineral possui características diferentes e personalizadas, que foram pensadas para atender a necessidades específicas, podemos citar: - Não se atentar apenas ao NRC, mas observar também os outros índices, como SRA e Alpha w, de acordo com o tipo de ambiente a ser instalado o produto: - Quando instalados em salas que possuem coberturas metálicas, buscar sempre um produto que possua índice de atenuação sonora maior, evitando assim que o som passe para o outro ambiente.
- Diversificar os modelos instalados em uma mesma obra, adequando-os a cada ambiente.
- Utilizar em corredores forros que possuam um NRC menor, podendo ser mesclado com forro de drywall nas laterais. Com isso, é possível obter melhor paginação de luminárias.
- Para salas, utilizar um forro com NRC maior, não se esquecendo da atenuação.
- Para salas de reunião, diretoria e outras que exijam um grau de privacidade maior, utilizar produtos com alto índice de NRC e atenuação, não se esquecendo de utilizar a variedade de modelos, conferindo a esses ambientes exclusividade.
- É indicado não colocar em um só produto a responsabilidade pelo resultado esperado. É importante que o especificador observe o ambiente. Se construir paredes em drywall, usar sempre com preenchimento em lã de vidro ou lã de rocha, do piso ao teto, e não apenas na altura em que ficará o forro. O uso de materiais porosos, como carpetes, revestimentos acústicos para paredes e persianas, colabora para potencializar o efeito tanto na absorção quanto na atenuação do som.

2. Quais os locais mais aplicados?

Os principais são: salas de cinema, teatros, supermercados, call centers e salas comerciais. Mas também vemos sua utilização em hospitais, clínicas, indústrias, dentre outros.

3. Por que o forro mineral está ganhando espaço no mercado em relação a outros materiais?

Quando você pensa em um forro que irá proporcionar absorção sonora sem deixar de ter um bom índice de atenuação do som, que possua alta refletância luminosa, que não propaga chamas como os demais e ainda ofereça maior resistência a fogo, tecnicamente não há produto concorrente no mercado que consiga reunir em um só produto todas essas qualidades essenciais que o forro mineral garante para o conforto e a segurança do local. Além disso, ele ainda possui uma variedade de texturas e tipos de bordas que, combinadas com os tipos de perfis existentes, proporciona ao especificador maior liberdade no projeto, aliando qualidades técnicas e estéticas ao ambiente com o melhor custo-benefício dentre os materiais existentes no mercado.