Gerenciamento de obras: como aumentar eficiência

Plano de Gestão da Construção, definição das agendas do engenheiro residente e do administrativo e olho na transformação digital são dicas de especialista

Publicado em: 01/03/2021Atualizado em: 07/03/2021

Texto: Eric Cozza

canteiro de obras
Gestão do canteiro de obras traz uma série de desafios (foto: Nikguy/Pixabay)

Prazo, custo, planejamento, qualidade, plano de ataque, vizinhança, fornecedores, segurança do trabalho e logística são apenas alguns dos diversos desafios enfrentados pelos profissionais da construção civil responsáveis pela gestão da produção nos canteiros de obras.

O engenheiro Marcos Sarge é CEO da Tallento Obras Rápidas e Tallento Stands e já atuou também no Grupo Schahin e Brookfield. Executou e gerenciou obras industriais, shopping centers, termelétrica e imobiliárias, incluindo hotéis, conjuntos habitacionais, loteamentos e edifícios comerciais. Ele será um dos palestrantes da jornada online “Construção Etapa a Etapa – Cuidados Técnicos e Pontos Críticos no Gerenciamento de Empreendimentos”, que será realizada de 12 a 15 de abril de 2021, pelo Portal AECweb, com a curadoria da Cozza Comunicação.

Na entrevista a seguir, Sarge oferece algumas dicas e recomendações que podem auxiliar os profissionais na gestão das obras.

Qual é a importância de um Plano de Gestão da Construção e quem deve ser responsável pela sua preparação?

Precisamos ter maior previsibilidade. Assim, devemos pensar melhor e exaustivamente o que será feito, evitando surpresas e improvisações. Com isso, mitigamos ocorrências. Afinal, lápis e borracha são mais baratos do que marreta e ponteiro para sair quebrando o que não deu certo. E hoje temos disponíveis simulações em computador e outras ferramentas e tecnologias para pensar a obra no momento certo, ou seja, antes do seu início. Uma equipe multidisciplinar deve ser responsável pelo PGC e esmiuçar cada requisito para identificar como, quando e onde deverão atuar.

Na sua visão, como devem ser divididas as agendas do engenheiro residente e do administrativo das obras? Quais são as tarefas chaves de cada um deles?

A agenda do engenheiro se relaciona diretamente com as exigências de custo, prazo e qualidade, tais como a atenção ao caixa, medições, cronograma de suprimentos, metas semanais e avanço físico, cronograma de habite-se, controles de produtividade e de qualidade e desperdício de materiais, entre outros itens. A agenda do administrativo envolve maior atenção às responsabilidades financeiras e fiscais, de gestão dos estoques e de toda a parte documental como, por exemplo, as rotinas que se referem às notas fiscais e recolhimentos, contas de consumo mensais, o controle das medições dos subempreiteiros e as retenções. Soma-se a isso o recebimento de materiais, os estoques, equipamentos locados, além das rotinas relacionadas ao efetivo em canteiro de obras, como o refeitório, o controle de acesso, horas extras e a documentação de QSMS (qualidade, segurança, meio ambiente e saúde).

O senhor é um entusiasta da transformação digital na gestão das obras. O que já virou realidade nos canteiros?

Apesar das crises dos últimos anos, a mão de obra direta segue cara. É necessário investirmos na transformação digital como meio de redução dos custos ou, ainda, como ferramenta para sairmos do que chamo de ‘vala comum’. Tarefas repetidas, que não envolvem criatividade humana, já são feitas pelo computador ou smartphone. Como realidade, hoje já temos na área de suprimentos a elaboração e emissão automática de mapas de cotação, pedidos e contratos com as melhores condições de preços a partir de plataformas especializadas. Como mescla das disciplinas de projetos, orçamentos e planejamento, temos o BIM, que veio para ficar. Na área de QSMS, temos inspeções, registros de dados e verificação de serviços de modo digital. Já vemos também as inspeções de qualidade e o monitoramento dos cronogramas das obras por meio de sensoriamento remoto.

E o que virá pela frente?

Teremos a realidade aumentada, fazendo o uso do poder de processamento de uma coisa que todos nós temos em nossos bolsos: o smartphone, que irá revolucionar o modo como tomamos decisões nas obras, como planejamos ou mesmo como treinamos nosso pessoal. A realidade aumentada na construção é o tema da minha dissertação de mestrado, que está em andamento. Poderemos falar um pouco mais sobre isso na jornada online promovida pelo Portal AECweb, em abril.

Mais informações sobre a jornada online “Construção Etapa a Etapa”

Colaboração técnica

Marcos Sarge
Marcos Sarge – Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pós-graduado em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e mestrando pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). É CEO da Tallento Obras Rápidas e Tallento Stands e atuou no Grupo Schahin e Brookfield. Executou e gerenciou obras industriais, shopping centers, termelétrica e imobiliárias, incluindo hotéis, conjuntos habitacionais, loteamentos, edifícios comerciais Triple A, com mais de 4,2 milhões de m² construídos. Possui artigos publicados e é palestrante no segmento da construção civil.