Gestão de manutenção de frota evolui, com novos conceitos e tecnologias

O prognóstico de falhas e o planejamento das intervenções são necessários para o equipamento não interromper a produtividade de forma abrupta. Conheça os diferentes tipos de manutenção

Publicado em: 18/05/2018

Texto: Redação PE


A gestão da manutenção se tornou tendência no setor de equipamentos, impulsionada por novas tecnologias (Divulgação/ Fixpar)

Uma boa gestão de manutenção de frota ajuda a manter um custo operacional condizente com a conservação dos equipamentos. Antes de ser sistematizada pelas empresas, essa gestão passou por diferentes estágios ao longo dos anos, a começar pela manutenção corretiva. Depois evoluiu para a manutenção preventiva básica e, nas empresas mais estruturadas, para uma preventiva mais sofisticada, não limitada a inspeções e trocas de óleo e filtro. A substituição de componentes críticos passou a ser programada e a conter alguns itens de manutenção preditiva, como a análise de óleos feita por construtoras.

Mesmo com o advento da crise, a gestão da manutenção continua sendo tendência permanente no setor de equipamentos, em especial no segmento de mineração, impulsionada pelas novas tecnologias disponíveis. Os sistemas de informação das condições da máquina aliados ao tratamento dos dados aferidos em campo, em conjunto com a tecnologia embarcada, softwares e especialistas treinados em manutenção, foram decisivos para esse aprimoramento.

De todas as formas de manutenção, a corretiva continua sendo a mais simples, já que se limita apenas a consertar os componentes que sofreram falha ou quebraram. Basicamente, são ações provenientes de correções apontadas nas manutenções anteriores ou para corrigir eventual colapso de um componente. Por ser relacionada à imprevisibilidade, é a pior e mais cara das situações. Na manutenção corretiva aplicada em uma motoniveladora, por exemplo, é necessária atenção especial ao sistema de giro, trem de força e correções de folgas.

AVANÇOS

A gestão deve estar permanentemente voltada para o prognóstico de eventuais problemas e programação das intervenções de manutenção, de modo que um equipamento não precise interromper a produtividade por quebrar ou apresentar falhas repentinas. As paradas imprevistas geram custos elevados, atrasos e reclamações por parte dos contratantes, por isso os especialistas estabeleceram outras formas de expandir e diversificar as abordagens da manutenção em uma empresa.

A manutenção lean gera um fluxo contínuo voltado para a criação de valor, focada na participação de todos os envolvidos e na constante melhoria da eficiência do equipamento
Norwil Veloso

A manutenção produtiva total, por exemplo, trata de toda a cadeia relacionada ao equipamento, de forma a que não ocorra paralização indesejada. “Além de dar ênfase à previsibilidade, ela é parte do escopo da gestão total da qualidade, envolvendo toda a equipe nas atividades, sem separar produção e manutenção”, informa Norwil Veloso, autor do livro Gerenciamento e Manutenção de Equipamentos Móveis. Ele explica que essa manutenção é baseada em cinco pilares: eliminação de desperdícios, manutenção planejada executada por técnicos, manutenção feita pelos operadores, formação e treinamento de todos os colaboradores, e passagem das melhorias para o projeto das novas máquinas.

Outro tipo citado por Veloso é a manutenção centrada na confiabilidade, que engloba processos de análise que garantem confiabilidade, segurança e menor custo. “Ela tem como objetivo preservar as condições operacionais de um equipamento, mantendo os padrões de desempenho e disponibilidade após a correção de falhas. Dessa forma, os custos são minimizados por meio da redução de intervenções investigativas, que passarão a ser feitas apenas em função de efeitos e consequências”, explica.

REGISTROS

Veloso salienta que, na manutenção centrada na confiabilidade, todas as análises e intervenções devem ser documentadas. “Os gestores precisam ter o registro da análise de falhas de um equipamento, bem como das possíveis causas e classificação de cada uma delas conforme a criticidade”, diz.

A preditiva é realizada pelo uso de estatísticas, medição de vibrações, temperaturas e pressões obtidas de forma periódica, como parte de uma preventiva ou em tempo real pela telemetria
Silvimar Fernandes Reis

Na sequência, a manutenção lean ou "enxuta" é considerada uma filosofia de trabalho aplicada à manutenção. Silvimar Fernandes Reis, autor do livro Conversando com a Máquina, explica que ela atua sobre todas as áreas relacionadas à manutenção, identificando as que precisam de maior atenção, buscando minimizar recursos, desperdícios, ineficiências, custos e, por outro lado, maximizando o desempenho. “Essa manutenção é bem desenvolvida na área industrial, mas também aplicável em outros segmentos, como construção ou agrícola”, equipara.

Norwil Veloso complementa: “A manutenção lean gera um fluxo contínuo voltado para a criação de valor, focada na participação de todos os envolvidos e na constante melhoria da eficiência do equipamento. Essa análise deve envolver mapeamento do fluxo ao longo de toda a cadeia de valor, avaliação da situação atual e melhoria”, observa.

PREVENÇÃO

Segundo os especialistas, as tradicionais formas de manutenção continuam cada vez mais priorizadas pelos gestores. Nesse aspecto, a manutenção preventiva é um conjunto de inspeções, verificações e trocas programadas de componentes, para evitar ocorrência de falhas. “Ela normalmente é definida por períodos indicados pelos fabricantes, como trocas de óleo, filtros, inspeção de freios, mangueiras, radiador, reapertos e checklists. Nos dias de hoje, as técnicas e tecnologias disponíveis sinalizam que essas trocas sejam efetuadas no momento certo, usando-se o máximo de vida de cada item, de forma planejada dentro de períodos definidos para manutenção, sem prejuízo no planejamento nem com paradas em excesso”, explica Silvimar Reis.

A manutenção preditiva, por sua vez, consiste na medição de parâmetros físicos, estabelecendo a evolução de um desgaste ou piora de funcionamento da máquina. Ela se baseia em parâmetros como análise de óleo, medição de vibrações e ferrografia. Nas construtoras, limita-se à análise de óleo, sistema que indica os tipos e quantidades de contaminantes presentes no fluído. “A preditiva é realizada pelo uso de estatísticas, medição de vibrações, temperaturas e pressões obtidas de forma periódica, como parte de uma preventiva ou em tempo real pela telemetria. Essa manutenção prediz um problema e faz com que a intervenção seja planejada, evitando a imprevisibilidade de uma quebra”, destaca Silvimar.

Já a manutenção pró-ativa, segundo Silvimar, é a capacidade de identificar uma necessidade no equipamento e agir antes de o problema se instalar. Pode ser realizada através de um programa de gestão de fluidos contemplando a análise de óleo, uso de telemetria para avaliar aspectos comportamentais (como perfil de direção e operação que podem afetar a máquina) e sistemáticos, ou seja, a interferência humana que de alguma forma impacta em alta ou baixa performance mecânica do equipamento.

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COLABORAÇÃO TÉCNICA

Norwil Veloso, autor do livro Gerenciamento e Manutenção de Equipamentos Móveis
Silvimar Fernandes Reis, autor do livro Conversando com a Máquina