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Gruas automontantes são indicadas para obras de até dez andares

Equipamento deve ser alugado com base em diferentes características técnicas de cada projeto, como local de montagem, método construtivo e velocidade da obra. Conheça mais

Publicado em: 02/09/2021Atualizado em: 20/09/2021

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Gruas automontantes
Em outros países, as gruas automontantes são maioria em relação às convencionais (Foto: creator12/Shutterstock)

Como o próprio nome sugere, as gruas automontantes são equipamentos que têm montagem automática, por meio de sistema que utiliza o contrapeso da máquina. No entanto, sua abertura, similar a um canivete, apresenta limitação de altura. Por conta disso, seu uso é indicado para obras que tenham de cinco a dez pavimentos, com altura máxima variando entre 20 e 35 m.

“Nesses canteiros, a função do equipamento é exatamente a mesma das gruas torre convencionais”, informa o engenheiro Paulo Melo Alves de Carvalho, vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Locação e Equipamentos (ALEC). Uma das diferenças entre elas está na altura, já que a grua torre praticamente não tem limites.

Por dispensarem bases de apoio e terem montagem simples, as gruas automontantes podem ser movimentadas de maneira rápida e fácil
Paulo Melo Alves de Carvalho

Também é possível distingui-las comparando suas capacidades, o que é definido em toneladas métricas. Enquanto as automontantes suportam até 130 T.m, aproximadamente, as convencionais chegam em linha de produção a até 3000 T.m e, em casos especiais, a 10.000 T.m.

Um dos benefícios das gruas automontantes em canteiros é serem montadas em mais de uma posição. “Por dispensarem bases de apoio e terem montagem simples, elas podem ser movimentadas de maneira rápida e fácil. Essas características são comuns em obras do ‘Minha Casa, Minha Vida’”, comenta o especialista.

ALUGUEL DE GRUAS AUTOMONTANTES

Segundo o profissional, geralmente, o equipamento é alugado. “A aquisição, de maneira geral, não faz sentido para as construtoras devido à infinidade de variações. Com essa máquina, o ditado ‘quem tem um não tem nenhum’ vira ‘quem tem cinco não tem nenhuma’, pois até mesmo os locadores que possuem 20 ou 30 gruas recebem com frequência demandas por soluções com capacidade ou dimensão não disponíveis em estoque”, detalha.

Outra questão é a complexidade de itens de segurança, manutenção, armazenamento, entre outros. Para uma construtora ter equipamento suficiente para atender às solicitações dos mais variados tipos de projetos, sua estrutura e investimentos teriam de ser bem maiores. “As empresas têm que focar no core business, sob pena de não conseguirem permanecer competitivas”, fala Alves.

No mercado, existem alguns locadores que simplesmente atendem ao pedido da construtora, que informa as características básicas do equipamento necessário para sua obra. No entanto, disponibilizar somente dados básicos como altura e capacidade de carga durante a negociação pode provocar problemas, como o subdimensionamento de utilização até a dificuldade na desmontagem, gerando alto risco e custo elevado.

Para evitar esse tipo de situação, a construtora precisa realizar um estudo completo e informar para o fornecedor todos os dados referentes à grua automontante. Entre eles, estão o tipo de serviço (método construtivo), demanda (velocidade/ritmo da obra), local de montagem, plano de telescopagem, ancoragens e procedimento de desmontagem ao final dos trabalhos.

Infelizmente, nosso mercado ainda não está maduro como deveria. A maior parte dos clientes foca em preço
Paulo Melo Alves de Carvalho

Também é preciso ter atenção e critério na busca pelo melhor locador. “Infelizmente, nosso mercado ainda não está maduro como deveria. A maior parte dos clientes foca em preço”, alerta, referindo-se àqueles que negligenciam aspectos essenciais como performance, qualidade do equipamento e do fornecedor. Para Alves, somente uma empresa séria, sólida e com expertise pode oferecer todos os itens, inclusive o melhor preço. “E nem sempre o menor custo é o melhor, afinal, o barato pode sair muito caro nesse caso”, analisa Alves.

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LOGÍSTICA

O melhor momento para a grua automontante chegar ao canteiro é quando já se tem estabelecida a demanda de recebimento de materiais. “Pois, em pleno ano de 2018, não deveríamos mais admitir pessoas carregando cargas”, ressalta.

Na maioria dos casos, o entendimento dos responsáveis nas construtoras é que a grua deve entrar no canteiro quando se tem a necessidade de transportar materiais para um nível superior. “Isso é um erro, porque levar a carga para baixo é tão complexo quanto. Não se pode simplesmente jogá-la do térreo para o terceiro subsolo, por exemplo”, afirma Alves.

MONTAGEM E DESMONTAGEM

As máquinas mais modernas têm sistemas eletrônicos de suporte à montagem que evitam erros de uma maneira bem efetiva. Mesmo com essa vantagem, é necessário que a atividade seja sempre realizada por profissional treinado e capacitado para a função. “O grande benefício das gruas automontantes, sobretudos as hidráulicas, é que o próprio operador pode ter este treinamento”, comenta o vice-presidente.

Geralmente, a empresa de locação também disponibiliza uma equipe de operadores e profissionais técnicos. “Entre os equipamentos de proteção individual (EPIs) indispensáveis para lidar com as gruas automontantes estão os capacetes, uniformes adequados, luvas, botas de segurança, óculos de proteção (para algumas atividades), cinto de segurança tipo paraquedista com duplo talabarte e protetor auricular”, enumera Silva.

GRUAS AUTOMONTANTES NO BRASIL

Segundo Alves, em outros países as gruas automontantes são maioria em relação às convencionais, porém, no território nacional, representam menos de 10%. “Isso se dá ao fato de que ainda admitimos esforço físico dos trabalhadores. Obras menores também têm materiais que precisam ser transportados. Mas, no Brasil o entendimento geral é que apenas trabalhos com altura é que necessitam de gruas e isso é um erro básico”, avalia.

E, segundo Alves, não é por conta de mão de obra barata, ou por falta de legislação trabalhista, que no Brasil é muito forte e gera altos custos aos empresários. “Trata-se de uma questão cultural que resulta em baixíssima produtividade e alto custo. Um europeu, por exemplo, tem de 10 a 12 vezes mais produtividade que um brasileiro”, finaliza.

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Colaboração técnica

Paulo Melo Alves de Carvalho
Paulo Melo Alves de Carvalho — Engenheiro Mecânico, tem 29 anos de experiência no ramo de locação de equipamentos, especificamente andaimes, elevadores e gruas. É diretor-técnico da Locabens, empresa com a maior frota de gruas da América Latina e representante exclusiva da Potain há 20 anos. Ocupa os cargos de vice-presidente da Associação brasileira das empresas de locação e equipamentos (ALEC), diretor-técnico da Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes dos Locadores de Equipamentos, Máquinas e Ferramentas (Analoc) e diretor-técnico da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema).